A exposição coletiva de trabalhos realizados pelos alunos da Entroncartes foi inaugurada este sábado, dia 20, na Galeria Municipal do Entroncamento. Uma dúzia de obras de artistas do concelho e de Constância que nos últimos nove meses desenvolveram técnicas de pintura e desenho sob orientação do pintor Massimo Esposito.
A associação artística Entroncartes surgiu no final de 2014, fruto de um desafio lançado por Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, ao pintor Massimo Esposito durante uma exposição no local onde foi inaugurada a exposição coletiva este sábado. O objetivo inicial era valorizar a criatividade dos artistas locais, mas o projeto tornou-se mais ambicioso e passou a integrar os concelhos vizinhos.

Massimo Esposito já tinha outros projetos no Médio Tejo, uma região que considera “muito criativa”, nomeadamente em Mação e na cidade onde reside, Abrantes, e atualmente realiza regularmente um atelier de pintura e desenho no Parque Ambiental de Santa Margarida da Coutada, em Constância. A parceria com o município do Entroncamento assegurou a sede da associação sem fins lucrativos na loja 27 do Centro Comercial Euroshopping e a participação dos alunos em iniciativas municipais, como a Festa da Flor e as Festas do Concelho no ano passado.

Jorge Faria esteve presente no evento e concorda com o pintor italiano sobre os resultados positivos deste trabalho conjunto. O presidente da autarquia congratulou os alunos pela “coragem” de arriscar, sobretudo os que se encontram numa fase mais avançada da vida, destacando que as obras refletem as aprendizagens potenciadas pela Entroncartes e que a associação poderá dar um artista de renome ao município.

Os trabalhos patentes na Galeria Municipal foram criados pelos doze alunos que frequentam o atelier à sexta-feira, entre as 15h30 e as 18h00. Alguns são da cidade, outros do concelho de Constância e, à exceção de um elemento do grupo, nenhum tinha qualquer conhecimento nas técnicas artísticas desenvolvidas ao longo dos últimos nove meses. As áreas profissionais em que trabalham ou das quais já se reformaram vão desde a engenharia civil ao design, passando por profissões ligadas aos CTT, bibliotecas, entre outros.

António Guerreiro é o aluno mais velho do atelier. Este sábado, com 75 anos, viu realizado o sonho de ver exposto um dos últimos trabalhos que faz desde 1998, o seu “Auto-Retrato” em grafite sobre papel. O antigo ferroviário, dono de um espaço comercial no mesmo edifício onde fica localizada a sede da Entroncartes, conta de forma emocionada como começou a desenhar retratos de políticos que eram facilmente reconhecidos pelos amigos. Passou depois para retratos dos netos até que a esposa o motivou a inscrever-se na associação.

Além da obra de António Guerreiro, os visitantes encontrarão as diferentes perspetivas e técnicas que os outros onze artistas têm da região e dos seus mundos. Em óleo sobre tela encontramos “Pôr do Sol em S. Martinho do Porto”, de Alexandra Godinho, “Ponte Romana da Sertã”, de Delfina Presumido, “Para Além do Tempo”, de Noémia Serras, e “Bonito”, de Isabel Esteves. Também sobre tela, mas com recurso ao acrílico M. do Rosário Correia mostra “Lisboa”, Carolina Dores as “Descobertas”, Filomena L. Serra a “Gruta do Mar” e Tânia Pereira um “Auto-Retrato”. “O Retrato de Salma Haiek” foi pintado em óleo sobre papel por Andrij Koval, Anabela Cardoso utilizou o pastel seco para os “Girassóis” e Elsa Cunha optou pelo grafite sobre papel no “Estudo Anatómico”.

Uma dúzia de boas razões para visitar a Galeria Municipal do Entroncamento até ao próximo dia 3 de março, de terça-feira a domingo, entre as 13h00 e as 19h00.
