A finissage da exposição “The Finissage, por AnnaC” realizou-se esta quinta-feira, dia 16, na Galeria Municipal do Entroncamento. Momento de despedida num ambiente familiar a fazer lembrar festa de aniversário com a particularidade de ter como convidados as pessoas que Ana Correia (AnnaC) transformou nas personagens da história que conta nas suas obras.
“Vocês que estão aqui são a base da minha inspiração”. A frase de Ana Correia marcou o encerramento da exposição “The Finissage, por AnnaC” com os seus trabalhos que esteve patente ao público na Galeria Municipal do Entroncamento desde o dia 4 de março. Familiares, amigos, alunos e convidados, todos se juntaram para uma despedida que a arquiteta não considera ser um momento negativo, antes pelo contrário. Para Ana Correia “cada dia deve ser vivido como o último”.

A tradicional inauguração deu lugar à finissage, que contou com a presença de elementos dos executivos municipais do Entroncamento e Alcanena. Da cidade que recebeu os trabalhos artísticos estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal Jorge Faria, a vice-presidente Ilda Joaquim e a vereadora Tília Nunes. O município onde cresceu e fez amizade com a pintora Maria Lucília Moita esteve representado pela vice-presidente Maria João Gomez.
São oito os capítulos que compõem esta história de AnnaC, com início na “Mulher de Negro” surgida numa noite de insónia e contada em cerca de quadro dezenas de criações que, segundo a professora responsável pela área de Desenho na Escola Gustave Eiffel, partilham “histórias que vamos vivendo, que ficam no ar e que a História vai apanhando”.

Histórias em que a natureza e os animais são elementos recorrentes, revelando mais um traço da artista natural de Moçambique que na década de 80 criou, em Alcanena, o grupo grupo Amigos da Vida Selvagem. Traço que não surge apenas na pintura e na escultura, materializando-se também em embalagens de sais de banho, nas “Sacolas com História” e outros artigos têxteis criados com materiais naturais/reciclados, assim como nos projetos de arquitetura em parques naturais.
Quem é, afinal AnnaC? Ana Correia falou com o mediotejo.net sobre a personagem que salta das obras para a realidade, alertando sobre a necessidade de partilhar afetos e lutar por causas, e inspirou os manequins de cartão feitos pelos alunos com a imagem de marca da professora “cabeça-de-fósforo”. Segundo a arquiteta, ela e AnnaC são a mesma pessoa porque “somos todos personagens nas situações do nosso dia-a-dia, vamos desenvolvendo o nosso papel”.

A exposição que começou a ganhar forma em 2015 trata-se de um “acumular de histórias e vivências” partilhadas por ela e os “atores secundários, que têm tanta ou mais importância do que o ator principal”. A mensagem resulta da sensação que tem de “transmitir algo” pois, diz, veio “a este mundo para tentar fazer alguma coisa pelos outros e só me sinto AnnaC se sentir que, mesmo que não consiga, pelo menos tentei”.
Além da publicação de um livro têxtil, o próximo capítulo da história de AnnaC inspira-se “muito nas coisas indizíveis” que, se até agora foram “buscar memória”, vão juntar-lhe no futuro a importância dos “pormenores” que passou a ver e não apenas a olhar de relance. “Detalhes” que quer desenhar como forma de mostrar “tantas coisas que não conseguimos dizer”.
