Foto: mediotejo.net

Está de regresso a Feira Mostra de Mação… o que espera no regresso deste certame? A população sentiu falta desta “festa do concelho” nos últimos dois anos?

Notamos que as pessoas estão motivadas, com muita vontade de desfrutar da Feira, do convívio, de tudo aquilo que envolve este certame. Acho que há boas razões para acreditar que vai ser um sucesso. Segundo me dá a parecer, e é uma sensação objetiva, as pessoas estão com curiosidade de voltar a estar em eventos como este. Julgo que estão reunidas as condições para que as coisas corra bem. Evidentemente, todos nós sentimos a falta deste momento tão importante para o nosso concelho.

Classifica sempre a Feira Mostra como sendo a “feira do concelho”. E na conferência de imprensa também destacou o facto de esta ser provavelmente a edição com maior adesão por parte das associações e instituições concelhias em colaboração na programação da FMM… Pode dizer-se que é o comungar de um objetivo comum e uma manifestação clara de união em prol da promoção do concelho?

Não é uma impressão, é uma constatação de um facto. Sempre disse, desde a primeira hora que assumi estas funções, que entendia que a Feira Mostra era muitas vezes apelidada de Feira da Câmara, e não tem e não deve ser assim. É a festa do concelho de Mação e todos devem, dentro do possível, sentir-se representados. E desde a primeira hora que apelamos à participação de muitas pessoas e coletividades e felizmente isso tem vindo a acontecer. Digo, sem qualquer receio de ser desmentido, que esta é a Feira de todo o concelho, onde estão representadas as IPSS, associações culturais, recreativas, desportivas, entidades que connosco colaboram, escolas, o nosso jornal local, um sem número de atividades económicas. É gratificante perceber esta adesão, bem como as associações que connosco colaboram quer nos espaços de restauração, quer nas atividades que vão decorrer ao longo destes cinco dias.

Do programa constam alguns momentos de destaque, nomeadamente o lançamento da Carta Cultural de Mação. Como surgiu o projeto, quem o dinamizou e qual a sua importância? É uma edição da CM Mação? Estará à venda em que locais?

Esta obra trata uma recolha daquilo que nós, maçaenses, somos. Em termos culturais, em termos de usos e costumes, tradições. Foi uma recolha feita junto de 300 pessoas que integram o Clube Sénior dinamizado pela autarquia por todo o concelho. Com este trabalho houve estimulação para se poder encontrar as memórias e vivências em tempos idos no concelho de Mação. Esta Carta Cultural reflete, bascamente, o que é ser maçaense, focando ainda as diferenças entre freguesias, entre a zona norte e a zona sul, uma diversidade permitida devido à grande extensão do concelho.

Este é um livro importante para percebermos como somos, de onde vimos. E às vezes é bom sabermos de onde vimos para perceber para onde vamos. Também pode ajudar a percebemos algumas das caraterísticas das pessoas do nosso concelho. Estamos a deixar um legado, para que daqui a alguns anos, possam ler este livro e perceber o que somos. O objetivo é deixar este marco para as gerações vindouras e para quem quiser conhecer mais sobre a comunidade e o território, o possa fazer através da leitura deste livro. E tem ainda uma particularidade: cada livro terá uma renda inédita na capa, produzida pelas utentes do Clube Sénior, e por isso, contém o saber-fazer do concelho de Mação.

O livro, que terá para já 1500 exemplares, estará à venda a partir do dia 1 de julho, dia em que será apresentado, na Feira do Livro de Mação, integrada na Feira Mostra, ficando também à venda na Câmara Municipal, na Biblioteca e posto de turismo.

Foto: mediotejo.net

Também serão inauguradas as Piscinas Municipais Descobertas, que já contam 50 anos de existência. Foi um processo moroso até ao arranque da obra, mas premente por ser uma infraestrutura a necessitar de modernização, certo?

Era um dos objetivos que tínhamos, que agora se concretiza. É uma infraestrutura – a exemplo de outras – altamente simbólica para muitos milhares de maçaenses e estava num estado acentuado de carência em termos de requalificação pelo uso muito intenso, que levou a algumas patologias que criavam já muitas dificuldades de funcionamento bem como algumas questões de segurança. Decidimos, sem apoios nenhuns até ao momento, com dinheiro da Câmara Municipal, levar por diante esta obra.

Será inaugurada no dia 1 de julho, mas a partir do dia 5 de julho entrará em funcionamento aberta ao público.

Como irão funcionar, em termos de horário, dia de descanso, preços de entrada, etc?

Os preços sofreram um ligeiro aumento, de 25 cêntimos por bilhete [os preços vão variar entre 1,75 e 3,25 euros]. É um preço que pensamos ser perfeitamente acessível. Funcionará todo o dia, das 10h00 às 19h00 e encerrará às segundas-feiras para limpeza e manutenção aprofundadas.

E entre as inaugurações será lançado aquele que é um projeto pioneiro em Portugal, o ArqueoParque Social Andakatu, no Calvário. É uma valência importante para a vila? O que representa este projeto para o município?

Estamos a retratar, junto ao Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, as vivências em tempos muito longínquos num parque ArqueoSocial, no âmbito do projeto “Andakatu” do nosso museu. É retratada a vida com construção das habitações, e onde é recriado o ambiente daquela época, e tem a particularidade de ter tido a participação dos alunos do Agrupamento de Escolas, do Clube Sénior e da Universidade Sénior, tentando fazer o envolvimento de toda a sociedade naquele espaço.

Está junto ao Calvário, um local extremamente agradável da nossa sede de concelho, e precisamente junto às Piscinas Municipais Descobertas. Está ali um local muito simpático para que as pessoas possam visitar e perceber como vivia o homem primitivo e a sua evolução.

O objetivo é existir dinamização e interligação com o Museu, com visitas guiadas, mas também dando acessibilidade para que as pessoas possam visitar sem acompanhamento. A ideia é a personagem “Andakatu” estar disponível no local, para fazer explicações e exemplificar como era a sua vida na pré-história, de como vivia, como pescava e caçava, como se alimentava e como se relacionava. Haverá ainda disponibilidade para marcação e visitas de grupos, por exemplo, para escolas e grupos organizados.

Foto: mediotejo.net

Não podemos falar em inaugurações e cultura sem lembrar o novo polo cultural devolvido à comunidade, com a requalificação do Cine-Teatro Municipal. Foi uma aposta ganha? Como tem corrido a adesão a este espaço renovado? Qual tem sido o feedback dos maçaenses?

Sim, temos a sensação clara de que, desde que foi reaberto a 25 de abril, e em poucos mais de dois meses, as atividades que ali têm decorrido, nomeadamente as sessões de cinema, têm satisfeito a Câmara Municipal e as nossas expectativas com uma adesão acima do razoável. Pensamos que terá de ser feito um caminho para voltarmos a criar o hábito das pessoas de Mação, e da região, aqueles que entenderem ganhar este hábito de voltar ao cinema. Temos a programação muito bem calendarizada, para que tenham presentes os dias em que há cinema, mas também estamos a apostar e vamos apostar muito forte a partir do dia 23, numa programação cultural mais intensa. Este ano provavelmente já com alguns eventos para dar dinâmica ao equipamento, porque só assim faz sentido, também para justificar de alguma forma a sua revitalização.

Com isto o Largo dos Combatentes ganhou uma nova centralidade e dinâmica? Tem notado uma maior movimentação e presença no centro da vila?

Temos notado isso. O Largo dos Combatentes parece-me um espaço muito bem conseguido, muito, muito agradável, com toda a envolvência e requalificação inclusive da antiga Escola Primária/ITM. Penso que temos um espaço muito agradável para fruição na sede do concelho. Penso que há bons motivos para as pessoas visitarem Mação. Aquela centralidade sempre existiu, agora ganhou nova razão de ser, porque como estava também não oferecia muitas vezes as melhores condições. Felizmente conseguimos fazer estas intervenções e temos agora de estimular a que as pessoas possam desfrutar.

Voltando à Feira Mostra… serão distinguidos empresários do concelho que se destacaram na performance das suas empresas. Como está o concelho de Mação em termos empresariais e em que ponto estão o Ninho de Empresas e a Zona industrial?

A dinâmica empresarial está com alguma estabilidade. Não sentimos, pelo menos para já, o efeito desta crise que se anuncia. Sinto até em muitos empresários a dificuldade de recrutamento de pessoas. Ainda hoje mesmo estive a falar com um empresário que está no Centro de Negócios e que precisa de três trabalhadores, mas tem tido dificuldade em ter essas pessoas. Acho que as coisas estão a correr razoavelmente bem para os nossos empresários.

Quanto ao Centro de Negócios/Ninho de Empresas, está lotado. Temos um espaço de reserva para alguma eventualidade que possa surgir, e um espaço que é da Câmara e que está mais ou menos comprometido para a Cooperativa Melbandos. Diria que só não temos mais empresas porque não queremos dar estes espaços sem termos fechados os acordos que existem.

Relativamente à Zona industrial das Lamas, estamos a adquirir os terrenos para a expansão. Estão mais ou menos consolidados os negócios. Se não puderem ser consolidados conforme a avaliação que a Câmara fez dos terrenos nos termos legais, teremos eventualmente de recorrer à expropriação, mas penso que não será esse o caso. Temos mais de 50% dos terrenos necessários para a expansão já adquiridos. Há boas razões para acreditar que a partir de 2023 consigamos resolver o problema dos terrenos em termos de classificação para fazer a zona industrial, e isso acontecerá com a revisão do PDM que espero que no final do ano possa estar concluída ou em vias disso. E depois podermos avançar com o projeto e a obra da expansão da zona industrial. Gostaria de, antes de terminar o mandato, ter essa obra concluída. Mas há nuances que não domino totalmente…

Como está a correr a implantação de projetos do setor emergente na área da canábis para fins medicinais?

Dois deles estão a correr conforme previsto. A unidade de Ortiga está praticamente concluída e durante o verão provavelmente poderá iniciar a sua produção, já estão a recrutar pessoas, e felizmente do concelho, e isso é bom sinal. No outro projeto do Alto da Caldeirinha espera-se que até final do ano as obras estejam concluídas, e estão também a decorrer com a normalidade possível. Não há razões para pensar que as coisas não vão acontecer da forma prevista.

Um outro projeto na zona do Alto do Casal/Rosmaninhal não está posto de parte, mas ainda não avançou. Os empresários estão a fazer algum compasso de espera. Nós aguardamos o desenvolvimento dessa iniciativa empresarial. Já aqui em frente à zona industrial das Lamas, num terreno junto à Escola Fixa de Trânsito, deverá também ser instalada uma fábrica neste setor.

Foto: mediotejo.net

Este ano a organização da Feira contará ainda com um espaço de sensibilização para o futuro da floresta e da paisagem no concelho, com um ponto de esclarecimentos e divulgação sobre os projetos das AIGP. Mação continua disposto e empenhado em fazer tudo o que pode para mudar o paradigma e sensibilizar os proprietários e comunidade em geral?

O Município está muito empenhado em que as coisas aconteçam e em mudar este paradigma. Mas uma coisa que não pode, nem vai fazer, pelo menos enquanto eu for presidente de Câmara, é obrigar as pessoas a aderirem. Tenho dito muitas vezes que a propriedade é dos seus proprietários e estes projetos só avançam por diante se as pessoas entenderem que vale a pena. A nós compete de tudo fazer para que possam valer a pena… que façamos bem as coisas, consigamos desenhar projetos coerentes com o território, devemos e temos de convencer as pessoas. Mas a palavra final é das mesmas. Por muito boa vontade que o município tenha, e tem, e o extraordinário trabalho que o Engenheiro António Louro tem feito e continua a fazer um pouco por todo o concelho, no sentido de cativar as pessoas para este projeto, as pessoas têm que entender e perceber que, no fim do dia, isto é uma mais-valia para o concelho enquanto todo, mas é muito importante para as suas terras, para as suas freguesias e para as suas propriedades.

Nada disto pode ser feito nas costas das pessoas, muito pelo contrário. Tem de haver um grande envolvimento das mesmas e um grande convencimento de que, efetivamente, vale a pena aderir sob pena de as coisas poderem continuar a correr mal, conforme têm corrido nos últimos anos com os grandes incêndios.

Este projeto não é contra ninguém; é a favor das pessoas, dos proprietários, e no fim é a favor de todo o nosso concelho. Espero que as pessoas assim entendam esta mensagem. Se acharem que está tudo bem, que não é preciso fazer nada e que o que é seu é seu… vamos continuar a fazer as coisas como sempre fizemos, na esperança que o azar não nos bata à porta. Aí, a Câmara Municipal de Mação fará como muitas outras, deixando a propriedade privada para os privados e não se metendo nisso.

A oportunidade está aí, agora as pessoas do concelho de Mação, nomeadamente os proprietários florestais, terão de decidir. Vamos aproveitá-la ou não vamos aproveitá-la.

E qual foi a recetividade dos proprietários, quando realizaram o ciclo de sessões de esclarecimento pelas freguesias do concelho?

A recetividade foi muito boa. Nem tudo foi perfeito. Provavelmente nem todas as AIGP avançarão do mesmo modo, nuns sítios será mais fácil que outros. Mas diria que em 90% dos sítios há muito boas probabilidades de haver uma adesão muito significativa. Num ou outro local provavelmente as coisas não serão assim, mas uma coisa é certa. Não podemos prejudicar o resto do concelho porque, eventualmente, numa ou outra freguesia as pessoas entendam, por motivos que só a elas diz respeito, que não vale a pena aderir. E depois cada um assumirá as suas responsabilidades.

Foto: Paulo Jorge de Sousa

Falando em futuro… que projetos estão no horizonte para o concelho e que desafios/preocupações tem o concelho e a autarquia que enfrentar, ou tentar enfrentar?

Temos a decorrer alguns projetos, como a requalificação e ampliação da Escola Básica e Secundária (2/3 + S) de Mação e o Pavilhão municipal. Vai iniciar-se após a Feira Mostra a reabilitação do piso 0 do nosso Museu, e queremos avançar com o Núcleo museológico de Envendos ligado ao setor dos presuntos e é uma grande aposta do município. A Casa do Cidadão de Cardigos deverá ser inaugurada durante o verão, estamos em processo de aquisição do material de escritório e equipamentos. Também a requalificação da Barca d’Amieira e da sede de freguesia de Cardigos, reabilitação urbana em Mação e temos um projeto muito ambicioso que vamos ter de encontrar forma de financiamento. Temos ainda a ambição de construir o Arquivo Municipal. Temos muitas ideias, umas mais consolidadas e mais avançadas que outras para desenvolver. Vamos tentar fazer tudo, de acordo com as nossas possibilidades. Vamos ver o que conseguimos concretizar.

Quanto às preocupações e desafios, não posso deixar de referir esta eventual ou quase certa crise que se aproxima, ter atenção aos mais vulneráveis, aos que necessitam do nosso apoio, às nossas IPSS, aos nossos idosos. E continuar com a política de proximidade para com eles. E também no âmbito da descentralização, um processo que eu sempre critiquei de alguma forma, razão pela qual nunca quisemos assumir as competências… Muitas vezes isolado e criticado por estar «na retranca», o que é certo é que os municípios discutem neste momento todas estas questões como se nunca tivessem pensado sobre o assunto, e é uma coisa que me faz um bocadinho de impressão. Vamos também aí estar atentos e tentar defender os interesses do Município de Mação, para não sermos prejudicados. Porque se as coisas continuarem como estão, certamente sairíamos prejudicados.

Fala no âmbito da Saúde?

Da saúde, da educação e da ação social. No fundo o que percebemos é uma realidade mais ou menos visível, o processo estava coxo, feito com pouca ponderação, com contas altamente deficitárias do que seria os reais custos que os municípios iam ter, baseadas em estimativas e custos de 2018 e 2019, não contemplavam tdas as situações a nível de pessoal e de instalações, nomeadamente na área da saúde. Havia aqui enormes fragilidades que agora estão a ser postas a nu, e algumas incoerências. Também na ação social não há total equidade entre os municípios, até na transferência de algumas verbas para os recursos humanos. Acho que houve alguma ligeireza na forma como tudo isto foi feito. A intenção é boa, ninguém é contra. Mas em bom rigor, os municípios são pouco mais do que meros instrumentais, no sentido de passarem para nós os encargos de pagamentos, com dinheiro que não é suficiente, e depois com poder de decisão praticamente nulo e nós sermos meros notários, porque só passamos o cheque das transferências que recebemos do Estado e pôr mais algum dinheiro em cima.

Para fechar esta entrevista, aliviando do tema anterior… De todo o cartaz musical da Feira Mostra de 2022 qual(is) o(s) artista(s) com que mais se identifica e qual o espetáculo que as pessoas não podem mesmo perder?

Bom, eu acho que as pessoas não podem perder nenhum (risos). Mas diria que me identifico mais com estilos diferentes, mas também já não caminho para novo, e talvez selecione Luís Represas e Xutos & Pontapés.

Mas convido todas as pessoas a poderem vir visitar a Feira Mostra. Acho que o cartaz é suficientemente diversificado para alguém, nalgum dos dias, ter vontade de vir a Mação.

E este ano os avós podem vir também com os netos ouvir o Avô Cantigas e recordar velhos tempos.

Fica o convite para todos visitarem Mação agora por estes dias, e nos restantes também.

Foto: mediotejo.net

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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