Victor Manuel de Matos Lobo nasceu em Coimbra em 18 fevereiro de 1940. Foi professor catedrático da Universidade de Coimbra, trabalhando no domínio das propriedades termodinâmicas e de transporte das soluções de eletrólitos, e no domínio da corrosão. Créditos: mediotejo.net

Com mais de 150 artigos científicos publicados em revistas internacionais de referência, o cientista da Universidade de Coimbra (UC) tem sido membro de diversas sociedades científicas e investigador / professor convidado em diversas universidades, entre as quais a Universidade de Canberra (Austrália), Universidade de East Anglia (Reino Unido) e Universidade de Göttingen (Alemanha). Dos vários livros publicados, destaca-se «Handbook of Electrolyte Solutions», uma obra com 2.500 páginas, muito divulgada no mundo inteiro, publicada pela editora internacional Elsevier.

Quem é o cientista Victor Lobo?

Nasci em Coimbra em 1940, mas as minhas raízes estão no concelho de Mortágua. Entrei para a universidade em 1958/59. No final do primeiro ano fui convidado, porque tive notas muito altas, para ficar, o que então se chamava ‘tirocinante’, uma espécie de assistente. Ajudava nas aulas laboratoriais e trabalhava em investigação à medida que ia progredindo no curso. Quando terminei fui contratado como segundo assistente da Universidade de Coimbra. Fui em comissão de serviço com o Sr. Professor Veiga Simão, para a Universidade de Moçambique que se iniciou precisamente nesse ano. Estive em Maputo, então chamado Lourenço Marques, de 1963 a 1966. Nessa altura fui para Cambridge para fazer o doutoramento. Regressei depois a Lourenço Marques e finalmente em 1972 regressei a Coimbra, e tenho estado como docente da Universidade de Coimbra, onde subi a professor catedrático.

Portanto, a sua vida foi dedicada à investigação e à docência?

Sim. Mas permita-me uma pequena observação: todos os docentes universitários têm de fazer investigação porque senão não são docentes universitários. Frequentemente, mesmo na comunicação social, aparece ‘investigação e docência’, aliás, até uma vez tive de chamar a atenção, numas provas de agregação, a uma candidata que dizia ‘docente e investigadora’. Não se deve dizer porque docente implica necessariamente fazer investigação.

Licenciou-se em Coimbra em Física e Química. Foi a sua primeira opção?

Não. Estava em Engenharia Química mas quando me contrataram, eventualmente para seguir a carreira universitária, teria de mudar de Engenharia Química para Ciências Físico-Químicas na medida em que, na altura, as engenharias, todas elas, ainda não eram licenciaturas. Foi mais tarde com o ministro Leite Pinto que as engenharias passaram a ser também uma licenciatura. Tirando a Engenharia Química, não poderia seguir a carreira académica, não podia sequer fazer um doutoramento porque não era licenciado. Portanto, mudei de Engenharia Química para Ciências Físico-Químicas para poder ter uma licenciatura.

E por que razão escolheu Engenharia Química, queria ser engenheiro?

Sim. Na altura queria ser um engenheiro de fábrica e fazer química numa fábrica.

Ou seja, na sua infância já pensava em fazer descobertas? Já desenvolvia a vontade de ser cientista?

Sim. Desde o meu primeiro ano do liceu, com 10 ou 11 anos, que tinha, num barracão da casa onde vivia, um pequeno laboratório químico e já na altura fazia experiências de química, que era possível fazer, com o material que tinha e com a idade que tinha.

O que lhe despertava interesse?

A química realmente sempre me fascinou. Outros terão outros interesses, em outros assuntos.

Tinha químicos na família?

Não. O meu pai era professor de instrução primária – como se dizia na altura – e a minha mãe era doméstica. Mas não havia ninguém que tivesse seguido química.

Victor Lobo, o atual presidente da Academia Tubuciana de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Dedicou grande parte da sua vida ao estudo das propriedades termodinâmicas e de transporte das soluções de eletrólitos, e no domínio da corrosão. Quer explicar?

Propriedades termodinâmicas são propriedades da química, em particular da eletroquímica, com um relacionamento muito próximo da área que nós chamamos termodinâmica. É evidente que toda a química, aliás, toda a ciência é dominada por essa área científica chamada termodinâmica. O nome não é lá muito apropriado mas acontece com os vocábulos em todas as áreas. Propriedades de transporte são aquelas que, dirigidas por conceitos termodinâmicos – há até uma área chamada termodinâmica dos processos irreversíveis que se prende com essa área – que estão relacionados com propriedades dos movimentos dos constituintes das substâncias. Tive muito cuidado em não usar a palavra átomos ou moléculas porquanto, sendo eu um termodinâmico devo usar vocábulos que se prendem com as propriedades fenomenológicas e não basear-me em teorias, e átomos, moléculas, etc que são vocábulos que resultam da chamada teoria atómica da matéria, que é muito boa e uso extensivamente, como qualquer químico utiliza. Agora como termodinâmico, em situações mais formais, terei a tendência de evitar palavras como átomo, molécula, etc que não se baseiam em conceitos fenomenológicos, baseiam-se sim em teorias sobre a constituição da matéria. Muitíssimo úteis! Mas são teorias.

Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória até atingir sua posição académica na universidade, a sua pesquisa científica?

Como já referi, logo no segundo ano da universidade, e por indicação do professor a quem estava ligado, o Sr. Professor Doutor Fernando Pinto Coelho, diretor, dentro do departamento de química, da área da radioquímica, iniciei-me na investigação científica e toda a minha vida estive ligado à investigação científica. E continuo a escrever artigos, a orientar os meus colaboradores, continuo a ter o meu grupo de investigação, etc.

Era um rapaz do campo?

Sim, era um rapaz do campo. Até ir para o liceu vivi numa aldeia que, nessa altura, não tinha sequer eletricidade. Uma aldeia do concelho de Mortágua. Quando frequentava o quinto ano – hoje 9º ano – no Liceu D. João III – agora José Falcão – por ter sido o melhor aluno do meu liceu, tive uma bolsa de estudo para ir para os Estados Unidos, não ainda para uma universidade mas para o último ano do sistema escolar dos Estados Unidos, para o estado de Oregon, para a cidade de Portland, onde estive um ano. Regressei e fiz o sétimo ano, equivalente ao 12º ano.

Como foi ver-se a estudar nos Estados Unidos, a fazer o doutoramento em Inglaterra, a dar aulas em Moçambique onde também fez investigação, ou seja a tornar-se num homem do mundo? Foi importante essa experiência?

Muito importante! Não tanto do ponto de vista científico mas fundamentalmente sob ponto de vista humano. Era um país completamente diferente do que estava habituado. Isto para um miúdo que vem de uma aldeia da Beira Alta onde nem eletricidade havia, ir para os Estados Unidos é uma diferença bastante considerável. Aos 16 anos fui viver com uma família sueca e com eles tornei-me profundamente social democrata, e não tenho até hoje um posicionamento à direita. Defendo, por exemplo, um sistema de saúde público.

Num país pobre, como era Portugal no Estado Novo, ir estudar para o estrangeiro não era para qualquer família. A si valeram-lhe as boas notas?

Sim. O chamado primeiro e segundo ano do liceu, seria agora um quinto e sexto ano de escolaridade obrigatória, fiz no chamado ensino doméstico, isto é, foi o meu pai, que era professor de instrução primária, que me preparou. Fui a Coimbra fazer o exame e tive uma nota, para a altura muito alta, 17 valores. Hoje é uma nota mais normal mas na época era excecional. Depois fui para Coimbra fazer o terceiro ano do liceu, fiquei em casa de uma tia minha, ou seja, economicamente em boas condições. No meu quinto ano fui para os Estados Unidos.

Quando regressei tive uma bolsa de estudo, ainda no liceu, e depois fui para a universidade e tive sempre bolsa de estudo. E como ‘tirocinante’, tive também um bom subsídio. Aliás com a bolsa de estudo e o subsídio de ‘tirocinante’ já tinha um rendimento superior ao de um professor de instrução primária com quarenta e tal anos.

Se não fosse cientista que outra profissão poderia ter abraçado?

Teria ido como engenheiro para uma fábrica. Era o normal na altura e muitos colegas meus foram. Tenho hoje grandes amizades, de antigos colegas, que singraram na área química, dentro das fábricas, e chegaram a posições de relevo.

No campo científico trabalhou na Alemanha, em França, e ainda em Nápoles (Itália), em Camberra (Austrália) e em Moscovo (Rússia). Os métodos de trabalho são diferentes?

Algumas dessas estadias foram longas e outras curtas. Na Inglaterra foram anos, em Moçambique também foram anos, na Alemanha foram vários meses, mas em França, na Itália, em Moscovo foram algumas semanas. Os métodos não são diferentes dos nossos. Estão ligados à natureza do trabalho, que também vai variando consoante vamos avançando. Em Cambridge, em Moscovo, na Inglaterra, na Austrália ou nos Estados Unidos são os mesmos, nesse capítulo a ciência é universal.

No campo científico trabalhou na Alemanha, em França, e ainda em Nápoles (Itália), em Canberra (Austrália) e em Moscovo (Rússia). Créditos: mediotejo.net

Como caracteriza o nível científico em Portugal?

Hoje em dia o nível cientifico em Portugal está razoavelmente bem. Podíamos citar que há este problema aqui, este problema acolá… certamente que sim, nunca nada está totalmente bem. Diria que para os recursos económicos deste país já não estamos muito mal. Suponho que ainda estamos abaixo, partindo do Produto Interno Bruto, da percentagem que seria desejável gastar-se em ciência, isto é, ainda não atingimos o que é considerado razoável relativamente ao PIB. Mas hoje fazemos nós os doutoramentos, já ninguém tem necessidade de ir para fora de Portugal para fazer um doutoramento praticamente em qualquer área: medicina, ciências, na área das humanidades, etc. Na altura não! Para se fazer um doutoramento na área das ciências era praticamente obrigatório ir ao estrangeiro. Não havia, na altura em Portugal, possibilidade prática para fazer um doutoramento na área das ciências. Foi a minha geração, que se doutorou no estrangeiro, que criou condições para que em Portugal se pudesse fazer investigação a nível internacional exatamente igual à de qualquer outro sítio e consequentemente o doutoramento.

É um otimista?

Procuro analisar as coisas independentemente de qualquer atitude otimista ou pessimista. Sou uma pessoa que analisa as coisas no seu total realismo. Procuro pelo menos fazê-lo.

Quais as características essenciais que deve ter um investigador/cientista?

Naturalmente vontade de fazer. Também em medicina ou nas humanidades, é verdade para qualquer área de investigação. Depois tem de ter uma boa bagagem geral de conhecimento, salvo raras exceções é preciso ter uma bagagem cultural muito boa.

E por certo até criatividade e quiçá algum pensamento crítico

Diria que sim, sem isso não vamos a lado nenhum.

E o que procura um cientista: a oportunidade (vários fatores combinados e uma hora de sorte para a descoberta) ou a aprendizagem?

O cientista procura fazer ciência nova. A descoberta é que lhe dá prazer. Também depende onde está a trabalhar. Estou a pensar em pessoas a fazer investigação nas universidades onde, normalmente, têm toda a liberdade de investigar o que desejarem. Uma situação diferente são investigadores em instituições, normalmente privadas, sendo contratados para investigar num dado domínio. Portanto, em instituições normalmente ligadas aos grandes meios industriais é evidente que é contratado para fazer investigação que interesse àquela instituição. Frequentemente também dão liberdade. Tem havido numerosos exemplos de investigadores em instituições privadas mas que depois, por qualquer motivo, se interessaram por um assunto que não era do interesse direto daquela empresa mas acabaram por fazer grandes progressos e a instituição até ficou muito satisfeita. Às vezes a investigação caminha para um lado mas descobre-se qualquer coisa e vai-se por um caminho diferente.

Uma das características essenciais é a paciência...

É verdade! Uma pessoa que trabalhe em investigação tem de ter a paciência para ter sucessivos falhanços. Eu quando estava a fazer a investigação em Cambridge, estava a desenvolver uma determinada aparelhagem e aquilo foi muito difícil. Inicialmente, quase sempre falhava. Chegava a casa um bocadinho triste e a minha mulher dizia logo: pois é, a célula não funcionou. No dia seguinte voltava a tentar. Basta ler as memórias de Madame Curie, e as dificuldades que teve até vencer, sendo ela o único cientista que recebeu o Prémio Nobel duas vezes na mesma área. Há cientistas como Linus Pauling que receberam duas vezes o Prémio Nobel mas em áreas diferentes. Portanto, é preciso ser paciente e persistente até encontrar a solução apropriada, e às vezes demora muito tempo.

Então aquela ideia, que às vezes aparece nos filmes, que um cientista está sozinho num laboratório e de repente tem uma ideia brilhante, não é bem assim pois não?

Não! Embora possa acontecer! Tive um azar que acabou por ser uma das contribuições fundamentais para o meu trabalho. Uma coisa que se colou e que não devia ter colado e acabou por me dar uma ideia que resolveu um sério problema técnico que tinha. Mas por norma o sucesso depende de um trabalho contínuo e de equipa.

Na sua experiência, qual deve ser a maior qualidade de um investigador e qual a principal dificuldade em Portugal ?

De qualidades acabamos de falar: persistência, desejo e naturalmente capacidade intelectual para resolver os assuntos e, como disse, e acho bastante importante, uma significativa bagagem de conhecimentos, geral. Quando se faz investigação é preciso olhar para todos os lados, não se pode ter a visão focada numa só área. Dificuldade…é frequente as pessoas queixarem-se com falta de meios, falta de recursos económicos, por vezes acontece. Qualquer investigador, em qualquer país do mundo, não só em Portugal, gostaria de ter recursos financeiros para comprar este ou aquele equipamento que custa muitos milhares e, às vezes, milhões de euros. Isso acontece em qualquer área científica. Até se diz, e ouvi muitas vezes em Inglaterra, que muitos cientistas ingleses iam para os Estados Unidos, não era tanto pelo salário mais elevado, mas fundamentalmente porque nos Estados Unidos tinham recursos económicos para aparelhagem que não tinham no Reino Unido.

Desde abril de 2022 que o professor catedrático de Coimbra assumiu a presidência da Academia Tubuciana de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Qual a sua mais relevante descoberta?

Ganhei a medalha de ouro na Suíça por ter desenvolvido uma aparelhagem, uma célula como nós dizemos, para medir coeficientes de difusão isotérmica diferencial. Portanto, seria, de certa maneira, a minha maior contribuição. Também uma obra que escrevi, de 2500 páginas, que andei 30 anos a prepará-la e que tem tido repercussão universal, chamada “Handbook of Electrolyte Solutions” (Manual de Soluções de Eletrólitos). Um manual utilizado em universidades pelo mundo inteiro.

Recebeu prémios em diversos países. As investigações que realizou que recompensas lhe trouxeram, nomeadamente ao ver o seu trabalho reconhecido?

Referiu a Rússia. Também tenho uma medalha dada pela Academia das Ciências Russa. As recompensas podem ser de várias formas. Por exemplo fui convidado e eleito por unanimidade membro da Academia das Ciências de Lisboa. Considero que foi uma recompensa do meu trabalho. Depois ser convidado para fazer sessões plenárias pelo mundo fora, desde a Malásia passando pela Austrália e acabando nos Estados Unidos e em vários países europeus, também é uma recompensa. O reconhecimento dos meus pares pelo meu trabalho. Mas se não tivesse recebido prémios sentia-me igualmente motivado. Nunca trabalhei para qualquer prémio ou sequer subida na carreira académica. Sempre tive gosto de trabalhar na ciência e tive a sorte de ter trabalhado sempre naquilo que gosto.

Na sua visão, quais foram os fatores mais importantes que contribuíram para a realização dos trabalhos premiados?

Talvez a minha vontade de trabalhar cientificamente.

Nunca desistiu?

Claro que em ciências às vezes chegamos à conclusão que o caminho não é por ali. Mas usar a palavra desistência no sentido que normalmente é utilizada, não.

A natureza tem as respostas todas?

É uma pergunta que levaria bastante tempo a escalpelizar. Não diria que é a natureza que tem as respostas todas. Não gosto muito de frases genéricas, muito usadas infelizmente, a meu ver, pelos políticos. A natureza é a natureza. Os seres humanos procuram respostas para certas coisas, arranjar paradigmas gerais que justifiquem teoricamente esse tipo de atuação da natureza, e nesse capítulo será um continuo progresso… espero eu que sim. É evidente que da mesma forma que caiu o Império Romano, pode cair tudo e nós regressemos a uma vida altamente primitiva, tudo pode acontecer. Esta questão de pensarmos que o progresso é sempre da maneira que tem acontecido nos últimos séculos, pode não ser.

Por falar em políticos, foi deputado municipal em Coimbra e Mortágua. Interessa-se por política?

Dizer-se que tenho interesse, enfim… insistiram comigo e entendi que deveria dar uma colaboração.

E como olha hoje para o mundo, para a política internacional e nacional?

Todos estamos preocupados com uma guerra que está a acontecer na Europa. Ninguém sabe como isto vai acabar e certamente que estou preocupado, não sou exceção relativamente à generalidade das pessoas. Mas há coisas que me preocupam muito, como a dívida externa portuguesa. Pode haver uma convulsão internacional qualquer, ou como está a acontecer no Sri Lanka e de repente fiquemos com forte escassez de comida. Se houver um problema sério, ninguém nos vende comida porque não podemos pagar. Diria que a generalidade dos portugueses não está sensível a esse problema, e era bom que estivesse.

Acha que os políticos deveriam trabalhar mais com os cientistas e com a ciência?

Sou membro da Academia das Ciências e realmente pugnamos para que haja uma maior colaboração entre o poder político e a Academia das Ciências representando nesse capitulo a ciência em geral.

Tomou posse como presidente da Academia Tubuciana de Abrantes a 23 de abril deste ano. Como chegou até à Academia Tubuciana?

Vim a Abrantes fazer uma palestra sobre os métodos científicos que têm sido utilizados pelo estudo do sudário de Turim, que teve uma enorme assistência, parece que das maiores que a Academia teve nos últimos tempos. Não sei se por isso, o senhor secretário perpétuo [Paulo Falcão Tavares] teve a amabilidade de me convidar para presidente da Academia. E aceitei com muito gosto.

O que é que gostaria de ter feito e ainda não fez?

Muita coisa! Na área das energias renováveis ter dado uma contribuição significativa para isso… muitas coisas. Seria difícil elencar todas as coisas que gostaria de ter feito e efetivamente não se proporcionou.

Paulo Falcão Tavares, secretário perpétuo da Academia Tubuciana de Abrantes, António Castelo Branco o presidente cessante e Victor Lobo, o atual presidente da Academia Tubuciana. Créditos: mediotejo.net

Doutorado pela Universidade de Cambridge, Victor Lobo desenvolveu uma célula de difusão isotérmica com aplicação prática precisamente nas novas baterias para automóveis elétricos (bem como nos estudos de corrosão e tratamento de águas residuais), que lhe valeu a medalha de ouro na XV Exposição Internacional de Invenções e Novas Técnicas, em Genebra, Suíça, em 1987. Professor jubilado do Departamento de Química da Universidade de Coimbra (UC), Membro da Academia das Ciências, Victor Lobo continua a desenvolver investigação e desde a década de 1980 que colabora com a Academia de Ciências Russa, que em 2011 lhe atribuiu a Medalha Professor Nicolai M. Emanuel, instituição com a qual iniciou cooperação “quando a então Academia de Ciências da União Soviética o contactou para resolver um problema de difusão de polímeros”. Entre as várias colaborações que manteve ao longo da sua carreira está um trabalho na área de supercondensadores que permitem uma acumulação rápida de energia para os automóveis, desenvolvido com investigadores alemães. Com mais de 510 publicações e comunicações cientificas , incluindo em revistas internacionais de referência, o cientista da UC tem sido membro de diversas sociedades científicas e investigador/professor convidado em várias universidades, entre as quais as de Camberra (Austrália), East Anglia (Reino Unido) e Göttingen (Alemanha). Dos vários livros publicados, destaca-se “Handbook of Electrolyte Solutions”, obra com cerca de 2500 páginas, muito divulgada no mundo inteiro, publicada pela editora internacional Elsevier. O catedrático tem também sido voz ativa na defesa da melhoria do ensino em Portugal, nomeadamente junto de grupos de deputados, na Assembleia da República, e no Conselho Nacional da Educação, do qual foi membro. É atualmente o presidente da Academia Tubuciana de Abrantes.

CURRICULO:

Victor Manuel de Matos Lobo nasceu em Coimbra em 18 fevereiro de 1940. É Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, trabalhando no domínio das propriedades termodinâmicas e de transporte das soluções de eletrólitos, e no domínio da corrosão metálica. No campo científico trabalhou na Alemanha, em França, e ainda em Nápoles (Itália), em Camberra (Austrália) e em Moscovo (Rússia). Enquanto aluno do liceu, teve uma bolsa de estudo para frequentar durante um ano uma escola norte-americana em Oregon (Estados Unidos), tendo aí concluído o ensino secundário com elevada classificação. Formou-se em Coimbra, em 1963 (foi o melhor aluno do seu curso), e foi convidado para assistente da Universidade. Esteve três anos em Moçambique para aí colaborar na abertura da respetiva Universidade. Foi, em 1966, para a Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde se doutorou, tendo desenvolvido um novo aparelho que mais tarde ganhou a Medalha de Ouro no Salão Internacional de Invenções e Técnicas Novas de Genebra, Suíça (invenção de uma célula de difusão isotérmica). É membro da Academia de Ciências, eleito por unanimidade. Foi o primeiro português a ser membro titular da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), na área da eletroquímica. Pertence à Comissão Redatorial de algumas revistas científicas, é (ou foi) presidente da Sociedade Portuguesa de Eletroquímica, membro do Conselho Nacional de Educação, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Química, vice-presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Eletroquímica, presidente da Assembleia Geral da Intercultura, presidente de uma Comissão Nacional sobre Corrosão, presidente do Departamento de Química, chefe da delegação portuguesa a reuniões internacionais de comissões internacionais de normalização (ISO e CEN), etc. Tem quase 10 mil páginas publicadas em manuais de Química, mais de 510 comunicações e publicações científicas publicadas ou apresentadas em congressos internacionais. E diversos artigos de opinião (sobre ensino e outros assuntos) publicados na imprensa diária. Foi deputado municipal de Coimbra e de Mortágua e tem sido convidado para diversas atividades de cariz cívico e político.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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