Hugo Cristóvão, presidente da Câmara de Tomar. Foto: mediotejo.net

Em declarações ao mediotejo.net e numa entrevista de balanço de uma década e de antevisão dos desafios com que agora se depara, Hugo Cristóvão indicou um “trabalho de continuidade”, que iniciou ao lado da Anabela Freitas. Da intervenção de reabilitação da zona do Flecheiro, às intervenções realizadas no largo da Várzea Grande, o autarca recordou alguns dos “marcos” da última década e uma economia local mais dinâmica, fortemente alavancada pelos investimentos realizados no setor turístico tomarense.

Embora afirme que não se registará uma “grande diferença” no trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, Hugo Cristóvão sublinha que o programa passará por algumas afinações, assumindo o dossier da habitação como um dos prioritários para o executivo que agora lidera.

Perfil | Hugo Cristóvão

Hugo Cristóvão. Foto: mediotejo.net

Hugo Renato Ferreira Cristóvão, 45 anos, nasceu em Tomar, cidade que foi sempre, oficialmente, a sua morada, embora tenha morado noutras paragens, por motivos académicos e profissionais. Licenciado em Ensino e com formação complementar nas áreas das Ciências da Comunicação e de Administração e Políticas Públicas, suspendeu a sua atividade profissional para assumir o papel de vice-presidente a tempo inteiro, quando foi eleito pelo PS para a Câmara de Tomar, em 2013.

Vive em união de facto e com um filho, assume-se benfiquista e adepto do Sporting de Tomar, rejeitando fundamentalismos. Nos tempos livres gosta de se dedicar à leitura, ao cinema e música. É ainda um amante de viagens e de descobrir novos locais, pessoas e culturas. Desde que assumiu funções autárquicas a tempo inteiro aponta a redução de tempo livre, o que o levou a descobrir novos hobbies como a jardinagem e a produção hortícola, atividades que considera relaxantes.

O início da carreira docente, aos 21 anos, marcou também o seu envolvimento e participação política na comunidade, tendo desempenhado cargos partidários, participado em ações políticas de caráter regional e nacional, no âmbito da Juventude Socialista e do Partido Socialista.

Autarquicamente, integra as listas do Partido Socialista desde 2005, tendo sido candidato à Assembleia Municipal no mandato 2009-2013. Foi ainda deputado municipal e líder da bancada socialista e desde 2013 que exerce funções a tempo inteiro enquanto vereador, vice-presidente e agora presidente da Câmara Municipal de Tomar.

Como vê este momento e o que significa para si assumir a presidência da Câmara de Tomar?

É um trabalho em continuidade. Naturalmente que fiz parte da equipa da Anabela Freitas desde o primeiro momento, entrámos os dois em outubro de 2013 e, antes disso, tive várias participações ao longo dos anos, não só na autarquia, mas de nível mais abrangente ao nível político. Ao nível partidário, atualmente sou presidente do PS [concelhia de Tomar] mas já o tinha sido durante muitos anos, no tempo da oposição, e, por isso, todas essas questões e o trabalho muito próximo da comunidade foi-me dando também um conhecimento aliado à vontade de resolver as questões do nosso território e da nossa comunidade. Estando aqui em funções enquanto vereador e depois também com a vice-presidência, há uma década praticamente, naturalmente que sinto que era uma transição natural. Houve esta oportunidade por parte da Anabela Freitas de abraçar um novo projeto e a minha subida a número um, digamos, é um ato natural. Não vai haver uma grande diferença daquilo que temos feito. Como digo sempre, mesmo que muitas vezes não tenham essa consciência, os cidadãos votaram numa equipa, votaram num programa e essa equipa, agora com algumas alterações, continuará a trabalhar. O programa, ainda que também aqui ou ali com alguma afinação, mantém-se o mesmo programa base.

Qual a primeira medida que tomou na qualidade de presidente de Câmara e quais os dossiers a que quer dar prioridade?

Há um dossier que para nós é muito importante que é o da habitação e que eu já vinha trabalhando porque tinha também esse pelouro, mas temos projetos a serem desenvolvidos. Ainda recentemente assinámos o protocolo com o IHRU para a construção de 32 fogos, mas há muito trabalho a fazer para isso e temos, para além desses, outros projetos. A questão da habitação é, de facto, muito importante, para a nossa comunidade. Atualmente é um tema nacional, mas aqui em Tomar já vínhamos trabalhando nisso porque sentimos, há vários anos, que progressivamente se foi tornando um problema maior. Em alguns aspetos deve-se a questões de sucesso noutras áreas, nomeadamente a questão do Alojamento Local que retirou muitas casas do aluguer de longa duração e essas casas deixaram de estar disponíveis por via do sucesso que existe no setor do turismo. Depois, talvez porque ao longo de muitos anos também não houve construção, nomeadamente de edifícios novos. Os instrumentos de gestão do território eram muito complexos e não permitiam que houvesse grande investimento, para além de que, em 2009, houve uma crise imobiliária.

Portanto, tudo isso conjugado fez com que, no caso do concelho de Tomar, e como de certeza em outros, o mercado de venda e ou arrendamento de habitação esteja muito escasso, o que também faz com que os preços subam muito. Para além disso, temos ainda o Instituto Politécnico de Tomar [IPT] que acrescenta a necessidade dos alunos terem soluções. Sabemos que há alguns anos, nesta parte, há alunos que entram para o IPT mas depois, ou não chegam a efetuar a matrícula, ou algum tempo mais tarde desistem, alguns deles porque não conseguem arranjar habitação a preços que sejam razoáveis.

A questão da habitação a vários níveis é uma prioridade e aqui entenda-se que não estou a falar de habitação social, essa tivemos um grande esforço nos últimos anos e, portanto, deve continuar mas não é agora a prioridade. A prioridade é mesmo a habitação no geral e aquilo que em regra chamamos a habitação a custos controlados. Portanto, encontrar soluções, de colocar no mercado, por nossa ação direta ou por trabalho de parceria com entidades e privados, enfim, de várias formas, colocar no mercado soluções de habitação que não só sejam a preços mais razoáveis e que nomeadamente a classe média e os jovens casais possam pagar, mas também com isso ajudar a que haja concorrência e a equilibrar os preços que temos atualmente no mercado. Depois, naturalmente, estamos numa fase agora de preparação do orçamento para 2024 e também ele vai ajudar a compreender as prioridades e as várias áreas onde a nossa ação irá incidir. Mas, como digo, há uma base, um caminho que está a ser seguido e que não muda na sua totalidade, haverá aqui ou ali alguns ajustes e um ou outro foco de prioridade diferente, mas a grande base mantém-se no trabalho que vinha sendo feito.

Hugo Cristóvão durante a reunião da Câmara Municipal de Tomar, onde assumiu a presidência. Foto: mediotejo.net

Como referiu, este vai ser um trabalho de continuidade do trabalho que desenvolveu lado a lado com Anabela Freitas. Como é que qualifica o trabalho de uma década da anterior presidente e o que pode e vai mudar com a sua liderança?

Para já, gosto de sublinhar a questão do trabalho em equipa. Ninguém faz nada sozinho e portanto, a Anabela Freitas foi a líder, mas estivemos cá, a começar por mim que estou desde o início mas também outros, a trabalhar em equipa. Creio que o trabalho da Anabela enquanto líder e da equipa enquanto conjunto foi muito positivo. Naturalmente há sempre pontos de discordância, quer com a oposição… oposição que não temos tido realmente, pelo menos da parte do maior partido, temos assim uma coisa mais de bota a baixo, mas não no sentido de real oposição, pelo menos no sentido de apresentar alternativas, mas por parte da oposição de setores da comunidade, seja de uma forma mais geral, desta ou daquela questão em concreto, desta ou daquela obra, por exemplo, em que não se concorde tanto. Mas eu acho que é inegável e claro, também há situações que nós mesmos gostaríamos que se desenvolvessem mais depressa, por exemplo a execução de uma outra obra ou ação. Infelizmente há muitas dificuldades e nomeadamente no setor da construção da obra pública e da privada, mas no nosso caso da obra pública as coisas não têm sido fáceis e, nomeadamente da pandemia para cá, as empresas têm muita dificuldade em contratar pessoal. Para lá de que houve uma fase de grande acréscimo dos preços dos materiais, dificuldade em contratar pessoal e com isso as empresas também têm dificuldade em concorrer a muitos dos concursos. Nós até nem temos tido muitos exemplos de concursos ficarem desertos, mas sabemos que, enfim, há zonas do nosso território nacional que estão bem piores a esse nível, mas de facto, há essa dificuldade.

Depois, por vezes, também os processos burocráticos quando obrigam a pareceres ou trabalhos com outras entidades, nomeadamente o estado central, além de que também não podemos fazer tudo ao mesmo tempo, temos de definir prioridades. Mas dizia, acho que no contexto geral e no somatório geral, nós conseguimos aquilo que foram os grandes objetivos para esta década, desde logo mudar um bocado daquilo que era o dia a dia da cidade e do concelho. Mesmo nos meses tidos como mais fracos do ano, quem der uma volta por Tomar, nomeadamente aqui no centro histórico e também em zonas fora da cidade, vê movimento, pessoas a circular e isso, naturalmente, tem o seu reflexo na economia local. Houve muita aposta no setor turístico e isso é inegável. Foi uma das nossas apostas e há coisas que são mais visíveis, como o número da hotelaria, o número de camas que aumentou no concelho.

Há pouco falávamos nos alojamentos locais… eu não tenho os números de agora, mas só em alojamento local, já não digo nas unidades hoteleiras mais tradicionais e que são óbvios os investimentos, sendo o Vila Galé o último deles, uma questão muito importante porque trouxe uma marca que presta ao destino e à marca Tomar um grau de qualidade e de reconhecimento muito superior. Mas para além disso, só de alojamentos locais, dos últimos números que tenho e que não são os mais recentes, estamos na casa, se não estou em erro, dos 260 estabelecimentos devidamente legais. Isto representa para a economia local muitos milhares de pessoas que deixam cá depois o seu dinheiro na restante economia, na restauração, nos supermercados, nos cafés, nas lojas de comércio em geral, mas também noutros tipos de negócios, como sejam os guias turísticos, o aluguer de automóveis…

Eu costumo dar este exemplo com a questão dos guias turísticos… em 2013, quando iniciámos, eu e a Anabela Freitas, as nossas funções enquanto governantes locais, não havia uma pessoa no concelho de Tomar que trabalhasse a tempo inteiro como guia turístico. Hoje não tenho números rigorosos, mas há pelo menos uma dúzia. Isto é apenas um exemplo de atividades, de postos de trabalho conexos à questão do turismo. Mas para além disto, há a questão do setor tecnológico, com duas ou três empresas à cabeça que representam largas centenas de trabalhadores na área das novas tecnologias. A área da agricultura e, no fundo, do primeiro setor, também tem evoluído, temos jovens empresários a criar novos negócios. É óbvio que não é um setor que tenha um impacto muito grande na economia, mas é importante até para a qualidade dos produtos, por exemplo na restauração, e temos realmente novos negócios. Há terrenos que não eram há muito tempo cultivados e agora o são e, como digo, com áreas até diferentes daquela que era a agricultura mais tradicional, nalguns casos. Portanto, a vários níveis, temos uma economia que está muito mais dinâmica.

Claro que isto contrasta com uma visão mais negativa que em Tomar existe há já vários anos e que na verdade vem de há décadas, que é aquela ideia das grandes empresas que noutros tempos existiam, como as fábricas de papel e que obviamente é um tempo que não volta. E até convenhamos, às vezes quando se faz essa comparação, estamos a falar de postos de trabalho que não eram lá muito bem remunerados. Na verdade, na maior parte dos casos seriam salários mínimos, postos que não eram muito qualificados e, portanto, até esse nível, acho que a comparação é melhor para aquilo que temos hoje do que aquilo que existia nesses tempos.

Depois, acima de tudo e também numa perspetiva que também contribui para toda a economia, nós conseguimos colocar aquilo que nós dizíamos muitas vezes na oposição: colocar Tomar no mapa. Tomar é um concelho que estava um pouco esquecido e hoje acho que é inegável e vê-se pela quantidade de vezes que Tomar sai nas notícias nacionais ou internacionais, por várias razões, também a questão dos eventos como forma de promoção. É inegável que Tomar está com uma dinâmica ou como muitas vezes dizemos, Tomar está na moda.

E depois fizemos muitas coisas que eram óbvias de fazer há muitas décadas, como seja a questão do Flecheiro, que era talvez a mais evidente, onde tive, aliás, um cunho muito pessoal. Foi algo que dirigi politicamente, a questão do acampamento onde moravam 250 pessoas em barracas. Não se trata só do que isso significava em termos humanos e sociais, mas também para a questão urbanística, para a questão do aspeto e da principal entrada da cidade. Essa era talvez a questão mais óbvia, mas também a questão da Várzea Grande, a grande praça da cidade que era um baldio com lama no inverno e pó no verão e agora é a grande praça que toda a cidade gostaria de ter, a par de muitas obras. Portanto, é também essa a linha que queremos continuar a fazer. Em muitos aspetos, continuar a resolver coisas que eram óbvias, mas que estão por resolver.

Tem uma nova vereadora na sua equipa, o que nos pode dizer sobre ela e como irá fazer a redistribuição dos pelouros?

Antes de mais, a Rita Freitas, a nova vereadora, é uma pessoa que estava na nossa equipa, na lista que apresentámos aos tomarenses, equipa essa que quando é pensada, e na altura foi muito pensada por mim enquanto presidente do partido, é pensada numa lógica complementar. No fundo, comparando com uma equipa de futebol, cada um tem a sua responsabilidade na equipa, seja por exemplo em termos de áreas de apetência, seja por exemplo até na questão do grupo de cidadãos a que mais está dirigido. A Rita era o elemento mais jovem da nossa equipa, pelo menos na primeira metade da lista, os chamados efetivos, portanto aqui também a representação dessa faixa etária da nossa comunidade, que está entre os 20 e os 35 anos, digamos assim. Foi muito esse o seu papel e é também essa experiência e essa visão da comunidade que trará para o seio da nossa equipa, nomeadamente a visão dos mais jovens, dos que estão a iniciar as suas carreiras, a iniciar famílias, enfim, essa visão da sociedade que é muitas vezes esquecida nas governações a nível geral e também nas governações locais.

A Rita Freitas é assistente social, estava a trabalhar numa empresa dessa área, na área da grande Lisboa, e agora vai abraçar aqui novas funções. Eu não vou alargar muito a questão dos pelouros porque há questões internas que ainda quero conversar e não quero que se saiba primeiro pela comunicação social do que internamente, nomeadamente aqui com os vereadores e com as chefias, mas há um que já referi que é óbvio, o pelouro da Juventude, a par com outros pelouros. Obviamente haverá uma redistribuição, a própria vereadora Filipa Fernandes será a vice-presidente, vai ter também alguns pelouros que transitam de mim para ela e o vereador Hélder Henriques também terá alguns pelouros novos, o que é algo normal.

Comigo e com a Anabela Freitas, desde que entrámos em 2013, mais ou menos de dois em dois anos, houve sempre uma redistribuição de pelouros, no início do mandato e a meio do mandato. Mesmo que a Anabela Freitas não tivesse saído, por esta altura ou até ao final do ano, haveria uma redistribuição de pelouros porque estamos precisamente a meio do mandato e temo-lo feito. Esta nova composição [ver AQUI] vai, naturalmente, ter em conta aquilo que são as competências e apetências de cada um.

Da esquerda para a direita, Rita Freitas, Hugo Cristóvão, Filipa Fernandes e Hélder Henriques. Foto: Hugo Cristóvão (via redes sociais)

Governar em maioria confere maior conforto pra a tomada de decisões? Vai privilegiar o diálogo com a oposição e, quiçá, aceitar sugestões e propostas dos eleitos da oposição?

É preciso lembrar, nós nunca governámos em maioria na Assembleia Municipal, naquilo que é o órgão deliberativo e onde muitas das questões fundamentais como são o orçamento, por exemplo, têm de ser votadas. Portanto, nós temos maioria na Câmara mas não na Assembleia Municipal e temos visto que, particularmente ao longo deste mandato, a grande generalidade das coisas fundamentais têm sido chumbadas, porque, como digo, pelo menos pela parte do maior partido da oposição, o PSD, e que governou muitos anos e em Tomar, é o partido que mais governou e tem ambições, naturalmente, de poder voltar à governação, mas não temos sentido uma real oposição. Há um votar contra tudo o que é importante, há um bota abaixo, há um falar sempre mal, dramatizar sempre as coisas e isso, particularmente nas Assembleias Municipais, tem-se notado. Nas reuniões de Câmara também um pouco e sei que isso naturalmente vai aumentar. Se, por um lado, é normal, por outro lado creio, e eu tenho muitos anos de oposição e de experiência de oposição, que haveria formas mais interessantes e profícuas para a comunidade de o fazer.

De qualquer forma, da minha parte e da parte da equipa que agora lidero, haverá sempre vontade de acolher opiniões, seja da oposição, seja de outros setores da comunidade, como as associações das áreas culturais e desportivas ou com os agrupamentos escolares e associações de pais e dos cidadãos em geral. Há vontade de acolher aquilo que, no fundo, possa encaixar-se minimamente na visão que temos, porque como dizia na reunião de Câmara, nós não governamos à vista. Há um conjunto de bases, de valores e projetos. Também não vamos andar a mudar tudo para satisfazer alguém ou evitar uma polémica, mas tudo o que seja possível de agregar, complementar e melhorar aquele que é o caminho que entendemos certo, estamos cá para trabalhar e para dialogar com quem quer que seja.

Foto: mediotejo.net

Quais é que são os grandes desafios que indica e perspetiva ter para os próximos tempos e que gostava de concluir ou fazer avançar até às eleições autárquicas de 2025?

Bem, dois anos em termos autárquicos é um período muito curto. Portanto, a questão da conclusão é relativa, mas há várias obras e muitas coisas para além da obra física. Mas em termos da obra física, há muitas questões que entendo pertinentes e que pelo menos possam estar a avançar mesmo que não estejam concluídas até porque, na verdade, há sempre coisas por fazer. Mas já referi a questão da habitação, portanto, espero que possamos ter não só alguns fogos concluídos, mas que muitos outros possam estar a avançar. Essa é, de facto, a grande questão.

Depois, ao nível de algumas outras obras posso referir, por exemplo, a questão das infraestruturas e acessibilidades de toda a zona a sul da cidade que é a zona de São Lourenço e de Carvalhos de Figueiredo, que é uma grande obra, muita complexa, mas ainda estamos a trabalhar na fase de projeto. É algo que é essencial e que é óbvio também há muitas décadas de ser resolvido. Portanto, lá está, a questão das infraestruturas de saneamento por exemplo ou das novas condutas de água e tudo mais que se aplica, o gás, a fibra ótica, mas também a comodidade, a segurança das pessoas que diariamente se deslocam ali junto àquela estrada nacional. É uma obra que vai ter de ser faseada, por causa do grande volume financeiro, mas espero pelo menos ter uma dessas fases lançada entretanto. Há a questão dos investimentos nas escolas, temos a EB 2/3 Gualdim Pais com o projeto feito e tudo estamos a fazer para que se possa iniciar ainda este ano letivo. Também vamos ver se não neste, no próximo ano letivo, a questão da reabilitação do Jardim Escola Raúl Lopes, com o acrescentar da valência de creche.

Obviamente ainda há muito a fazer na área do saneamento, em conjugação com a Tejo Ambiente. Há uma parte significativa do concelho que ainda não tem saneamento. Há sempre obras que são mais… digamos, que não são as grandes centralidades em termos de ação, mas que dizem muito aos cidadãos, como é exemplo a manutenção das estradas, melhoramento das vias e dos centros de algumas aldeias, a exemplo daquilo que estamos a fazer em Cem Soldos. Queremos muito tentar lançar projetos para outras aldeias que possam ter ali uma centralidade mais urbana e mais tratada.

Depois há muito a nível não tão físico, como manter a questão da promoção de Tomar, algo que contribui para trazer pessoas e para que a nossa economia local se vá fortalecendo. Tentar atrair outras empresas que possam chegar, continuar a mexer nos instrumentos de gestão do território para facilitar a vida aos produtores, seja na área da habitação seja na área empresarial e claro, manter a questão dos apoios sociais, continuar a melhorá-los e, se possível, também no relacionamento com as IPSS e a forma como também podemos eventualmente, apesar de não ser uma responsabilidade direta dos municípios, mas melhorar esses apoios porque eles são importantes para a comunidade. Ainda o apoio ao associativismo em geral e claro, a educação é também sempre uma área prioritária para nós, no fundo a área do orçamento onde o município mais verba coloca enquanto área só e esquecendo aqui a questão de uma outra obra que obviamente pode ser mais cara, mas que é feira uma vez. Na educação não, todos os anos é a área onde o município mais investe e continuará a ser uma prioridade para nós.

Como define a importância para o município e para o território do trabalho intermunicipal via CIM Médio Tejo?

É cada vez mais importante o trabalho em rede, que dá escala. É importantíssimo em várias áreas e podia falar na questão do turismo. Para nos projetarmos fora do território nacional somos muito pequeninos e, portanto, precisamos de escala e de promover as poucas marcas que queremos que sejam reconhecidas lá fora e a nossa região tem duas: Fátima é uma marca e os Templários são outra marca. Não há muitas mais no território nacional, são marcas que no sentido do marketing se consegue promover no exterior e trazer pessoas, fazendo com que isso seja bom para todo o território. Mas quando digo isto na área do turismo, podia dizer em qualquer área. As questões dos transportes são cada vez mais algo que tem de ser trabalhado numa forma supramunicipal, no âmbito da comunidade, das questões da saúde, da educação.

O trabalho em rede é muito importante no sentido que nos dá essa escala que referia, exemplos de boas práticas, a possibilidade de partilhar recursos sejam eles físicos ou a nível de solução de problemas, por exemplo em questões jurídicas, como é que aquele município ou outro resolveu esta questão e usar esse exemplo. Enfim, cada vez mais o trabalho no âmbito da CIM é importante e, por isso, nós no Médio Tejo temos também, a nível dos municípios, delegado muito na própria CIM para que seja esta, de uma forma mais abrangente e numa outra escala, a fazer esse trabalho com, e muitas vezes, em nome dos municípios.

Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Por fim, à família e aos tomarenses… o que lhes pode dizer sobre este novo ciclo da política autárquica que agora inicia?

À família, que já sabe o que é que a casa gasta, naturalmente que o tempo continuará a ser limitado, enfim, na ausência de férias, de fins de semana e às vezes nas horas tardias ao longo da semana, mas enfim… A família compreende, apesar de eu ter um filho pequeno e quero, o mais possível, continuar a estar muito presente no seu crescimento, na sua formação.

À comunidade dizer que sou apenas mais um, sou um tomarense não só de nascimento, mas também de convicção e acima de tudo, o que desejo para a minha terra é, com certeza, o que a larga maioria dos tomarenses deseja, que é podermos ter uma cidade e um concelho onde, acima de tudo, seja bom em termos de qualidade de vida. Onde possamos realmente gostar de viver, trabalhar e de estarmos uns com os outros, seja em questões culturais, patrimoniais ou desportivas. Que a qualidade de vida seja também um grande atrativo para nós tomarenses e para quem nos visita. Portanto, dizer que estou aqui em nome de todos, para trabalhar com todos, sendo certo que obviamente nunca conseguiremos agradar a todos, mas o que peço também é que saibamos focar-nos naquilo que realmente importa porque a espuma e o ruído dos dias, às vezes, distraem-nos, e particularmente estamos num período em que as redes sociais e a velocidade em que as coisas se passam no dia a dia distraem-nos muito daquilo que é o essencial. Da minha parte e com a equipa, gosto sempre de sublinhar a questão da equipa, vamos sempre tentar o máximo possível manter-nos sempre focados naquilo que seja o essencial e deixar a espuma dos dias para as redes sociais.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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