Rodrigo Alcobia com o seu professor, Luiz Mota (à esqª)

A ideia partiu de Luiz Mota, praticante de trail e professor na vila. Durante as aulas vai falando aos alunos das provas em que participa e dos muitos quilómetros que corre pelo país e estrangeiro. Percebendo o entusiasmo de Rodrigo, seu aluno, pensou como é que poderia proporcionar-lhe uma experiência inesquecível no mundo do atletismo.

Numa reunião de Conselho de Turma, Luiz Mota lançou o desafio de levar o Rodrigo a participar no Trail do Zêzere. Andou a pesquisar como poderia concretizar este sonho até que descobriu em Leiria o grupo Pédatleta do NEL – Núcleo de Espeleologia, “gente de um coração enorme”, conforme referia o atleta.

E assim, no dia 13, o Rodrigo será transportado numa Joelette para percorrer 14 km por trilhos e vales do concelho, percurso correspondente à caminhada. O veículo não é nem mais nem menos do que uma cadeira todo-o-terreno, apenas com uma roda, que permite a prática de pedestrianismo e o acesso a áreas montanhosas ou com pisos irregulares, a todas as pessoas com mobilidade reduzida.

De Leiria vêm seis pessoas daquele grupo que vão puxar e empurrar o veículo, levando o Rodrigo por locais onde nunca imaginou passar.

Luiz Mota, professor e atleta de trail

“Ele é uma força da natureza e um exemplo para todos os alunos e para toda a comunidade escolar. É um orgulho tê-lo como aluno”, exalta Luiz Mota, destacando o caráter inclusivo da prova.

Como é de adivinhar, o pequeno Rodrigo está muito feliz porque aproxima-se um fim de semana em cheio para si. No sábado, dia 12, vai assistir ao concerto de António Zambujo, músico de quem é fã, e no domingo vai participar na aventura do Trail.

“Vamos proporcionar uma experiência fantástica ao Rodrigo Alcobia”, garante Luís Graça, diretor técnico da prova organizada pelo Clube de Atletismo de Ferreira do Zêzere.

Um fim de semana dedicado ao Trail

As inscrições para a 8ª edição do Trail do Zêzere terminam este domingo, dia 6. No dia da entrevista com o diretor técnica da prova, dia 4, a organização estava a chegar às 900 inscrições e a expectativa era conseguir mais 200. É um número um pouco abaixo da edição anterior, mas essa quebra justifica-se, segundo Luís Graça, pela conjuntura atual de crise, pelo que “acima dos mil atletas já é muito bom”.

O responsável realça aquele que é “um dos maiores, senão mesmo o maior evento desportivo no distrito de Santarém”, sempre com uma componente solidária e inclusiva.

Luís Graça, Diretor Técnico da prova

Este ano, vai ser repetida a experiência iniciada o ano passado que consistiu em repartir o evento por dois dias, 12 e 13 de novembro. Sábado, dia 12, decorrerá o Grande Trail do Zêzere (K50 km), o Pequeno Trail do Zêzere (K20 km) e a Caminhada do Zêzere (K14 km). No domingo, dia 13, é a vez do Trail do Zêzere (K 35 km), Mini Trail do Zêzere (K14 km) e outra Caminhada (K 14 km).

“Os percursos são do melhor que conseguimos na nossa região”, destaca Luís Graça, explicando que têm redescoberto e reaberto caminhos antigos e chegam a aproveitar alguns caminhos percorridos pelos javalis. Os participantes vão ter oportunidade de passar por “lugares magníficos, ribeiras, cascatas e paisagens sobre a albufeira de Castelo do Bode”.

O diretor técnico reconhece e agradece o “apoio fundamental do Município”, sem o qual dificilmente se conseguiria pôr de pé a prova, mas refere também o apoio de empresas, Juntas de Freguesia, agrupamento de escolas, bombeiros, escuteiros, voluntários, entre outros.

Devido ao facto de o pavilhão municipal estar ocupado no sábado com um jogo de futsal, o centro da prova foi deslocado para o outro lado da estrada, o pavilhão do centro escolar.

Para Luís Graça o objetivo é fazer com que os participantes fiquem com vontade de voltar e dá como exemplo pessoas que, depois de participarem na prova, passaram a gozar as suas férias em Ferreira do Zêzere.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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