“Que este encontro nos recorde que preservar, investigar e partilhar esta herança é continuar a caminhar na senda daqueles que, séculos antes de nós, ergueram os alicerces de um continente e de um país que perduram.” Foi com esta mensagem que a vereadora Paula Gomes da Silva, responsável pelos pelouros do Turismo e Cultura, declarou na sessão de encerramento do II Colóquio “Templários e Ordem de Cristo”, que decorreu no sábado em Vila Nova da Barquinha, o compromisso do município em continuar a aprofundar e difundir o legado templário que marca a identidade do território.
O encontro, promovido pela autarquia com o apoio da Comissão Científica da Federação Europeia da Rota dos Templários (TREF), reuniu investigadores, historiadores e especialistas ao longo de um dia de debates e comunicações dedicados à presença templária e à Ordem de Cristo em Portugal, com destaque para o Castelo de Almourol — monumento nacional e ícone maior da narrativa templária no concelho.
No encerramento, a vereadora sublinhou que este colóquio não se limitou a revisitar factos históricos, mas permitiu “viver a história, e ao vivê-la, reviver a memória que sustenta quem somos enquanto comunidade, enquanto país e enquanto continente”. Na sua intervenção, recordou que a Ordem do Templo e de Cristo foi composta por “uma irmandade singular de homens que, vindos de horizontes diversos, se abriam a algo maior do que a soma das partes”, construindo não apenas edifícios defensivos, mas também “um espírito de fraternidade, de disciplina, de ordem e de serviço”.
A autarca destacou ainda que essa força simbólica permanece no território, ecoando através dos séculos. “É esta força agregadora que continua a ecoar através dos séculos e que sentimos hoje ao visitar cada pedra dessas construções que sobreviveram ao tempo”, afirmou, reforçando a importância das marcas templárias na paisagem europeia e portuguesa.
Para Paula Gomes da Silva, esse património é também expressão da persistência e identidade dos povos europeus, lembrando que Portugal integra “um vasto continente cultural forrado de castelos, conventos e catedrais”, onde cada torre e cada muralha transporta “não só a marca da engenharia militar e espiritual dos Templários, mas também o reflexo da nossa própria identidade”.

Nesse mapa simbólico, o Castelo de Almourol ocupa um lugar central. A vereadora descreveu-o como “um dos mais belos símbolos da arquitetura templária em Portugal” e “um dos marcos mais eloquentes da nossa história militar e espiritual”. A sua “presença altiva” recorda o período em que valores como prudência, defesa e superação eram postos à prova “perante a ameaça moura que moldou, com confronto e Encontro, a nossa identidade peninsular”. Almourol surge, assim, como “uma sentinela de pedra, guardiã de uma fronteira física e simbólica”.
No seu discurso, a vereadora reforçou também que estudar este legado é, inevitavelmente, uma forma de auto-conhecimento coletivo: “Hoje, ao olharmos para Almourol e para todo o legado templário, percebemos que não estudamos apenas o passado — estudamo-nos a nós próprios.”
O colóquio, que abriu às 09:45, contou com três painéis temáticos. Entre as comunicações apresentadas estiveram estudos sobre as milícias concelhias ao serviço do Templo, a territorialização templária na margem direita do Médio Tejo, estelas funerárias templárias, investigações sobre as origens da ordem e trabalhos sobre comendas e património associado à Ordem de Cristo e à Ordem de Santiago.
A realização do encontro enquadra-se na estratégia municipal de valorização patrimonial e científica. Dias antes do evento, o presidente da Câmara, Manuel Mourato, tinha sublinhado que o concelho pretende reforçar o seu papel como território de referência na história templária em Portugal, destacando Almourol como “símbolo maior” dessa herança.
“Tudo o que fazemos em torno desta temática reforça o valor histórico e turístico do concelho”, afirmou então, lembrando que o castelo atrai visitantes de todo o mundo, “alguns até atrás do famoso tesouro templário, que, para mim, é o próprio castelo”.
Na sessão de abertura, Manuel Mourato deu as boas vindas aos convidados, investigadores, historiadores e estudiosos presentes no colóquio. “É para nós uma honra receber-vos num território que é, reconhecidamente, uma das grandes referências da história templária em Portugal. Aqui, a herança da Ordem do Templo continua viva, marcada na memória coletiva e no nosso património cultural. Orgulhamo-nos de ser Município fundador da Rota dos Templários em Portugal, uma estrutura que continua a crescer, a consolidar-se e a afirmar-se nacional e internacionalmente. Nesse sentido, permitam-me também destacar o Encontro da Rota dos Templários, que terá lugar em Tomar nos próximos dias 26 e 27, e que reflete bem a vitalidade desta rede e o compromisso dos seus membros”, afirmou o autarca, tendo destacado o ex-libris templário no concelho da Barquinha.
“No nosso território temos um dos ícones templários do país: o Castelo de Almourol. Monumento de uma beleza ímpar, é ao mesmo tempo símbolo da nossa identidade e um ponto de ligação direta à história europeia da Ordem do Templo”, destacou, tendo deixado um especial agradecimento à Comissão Científica da Federação Europeia da Rota dos Templários (TREF) pela presença e envolvimento.
“É para Vila Nova da Barquinha um privilégio acolher investigadores tão ilustres, que dedicam a sua vida ao estudo, preservação e divulgação desta temática. Agradeço também a todos os que participaram na primeira edição deste encontro e que deram origem ao livro de Atas que hoje aqui apresentamos. Este é um contributo inestimável para a compreensão e valorização do legado templário. Desejo a todos um excelente trabalho, que estas jornadas sejam inspiradoras, produtivas e enriquecedoras, e que continuemos juntos a afirmar, estudar e promover este património único que nos une”, declarou.
No encerramento do colóquio, a vereadora Paula Silva deixou uma palavra final de reconhecimento aos participantes e organizadores: “Muito obrigado, por esta iniciativa, em Vila Nova da Barquinha, por este painel e por nos manterem toda esta memória presente no que realmente somos. Até para o ano”, concluiu.
