Enfermeiros dizem que ULS Médio Tejo “resolveu alguns problemas” mas que outros persistem.. Foto arquivo: mediotejo.net

Helena Jorge, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), disse em Abrantes, em frente ao hospital, que a  greve anunciada para novembro assenta em “três grandes temas”, tendo indicado “a não renovação dos contratos dos enfermeiros que já estão integrados” no CHMT, a questão da “regularização dos colegas que não tiveram avaliação entre 2004 e 2014, o que penalizou 123 enfermeiros e inverteu as posições com os mais novos em termos remuneratórios”, e a “dos enfermeiros especialistas, que tiraram uma especialidade, foram a concurso público e mudaram de categoria, sem ganhar nada”.  

Em conferência de imprensa, onde o SEP alertou para o “agravamento das condições de trabalho” na Urgência Médico Cirúrgica (UMC) do CHMT e afirmou que “a exaustão dos enfermeiros está a atingir um ponto preocupante”, a dirigente sindical reclamou pela “renovação dos contratos dos enfermeiros que estão a ser afastados” e que ali prestavam serviço em regime de contrato de substituição.

“A afluência de doentes aumenta por dificuldades de funcionamento de outros serviços de urgência e, ainda assim, a administração do Centro Hospitalar decidiu não renovar os contratos aos enfermeiros com vínculo precário”, criticou Helena Jorge, tendo feito notar o “elevado volume de horas extraordinárias” a que os enfermeiros estão sujeitos, os seus reflexos nas “condições de segurança na prestação de cuidados de enfermagem” e alertado para a “rutura iminente” da urgência de Abrantes.

Enfermeiros do Centro Hospitalar Médio Tejo marcam greve para os dias 1 e 2 de novembro. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | HELENA JORGE, SINDICATO DOS ENFERMEIROS PORTUGUESES:

Pedro Caldeira, também do SEP, enfermeiro há 10 anos no serviço de urgências de Abrantes, disse, por sua vez, que a não renovação dos contratos daqueles profissionais, que estimou em “cerca de seis”, está a causar “revolta e tristeza”, tendo indicado que os mesmos “já estão integrados na equipa, desempenham funções na urgência, e fazem falta aos serviços” de um CHMT que tem registado um “acréscimo de trabalho que não se reflete no reforço de meios” humanos.

“Toda a equipa está triste e revoltada com a não renovação dos contratos porque, por um lado são pessoas com família e precisam de trabalho e, por outro lado, esse trabalho que era realizado por eles vai ter de continuar a ser feito e terá de ser dividido pela restante equipa e à custa de mais turnos e mais horas extraordinárias, gerando mais sobrecarga”, notou.

Enfermeiros do Centro Hospitalar Médio Tejo marcam greve para os dias 1 e 2 de novembro. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | PEDRO CALDEIRA, SEP, E ENFERMEIRO EM ABRANTES (CHMT):

Segundo frisou Helena Jorge, com esta situação, “estão criadas as condições para um desgaste rápido da equipa da Urgência Geral de Abrantes e de outras equipas onde os colegas viram os seus contratos não serem renovados pelo CHMT”, instituição que abrange os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas, todos no distrito de Santarém.

“A deterioração das condições de trabalho é uma das principais razões que têm levado os enfermeiros a sair do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, ainda assim, a administração nada faz para reter estes colegas, atirando os enfermeiros que permanecem para uma ainda maior desregulação dos horários de trabalho e mais trabalho extraordinário”, reiterou.

Helena Jorge disse ainda ter solicitado uma reunião ao Conselho de Administração do CHMT, a fim de se encontrarem soluções para as questões enunciadas, tendo adiantado que o pré-aviso de greve “pode ser retirado a todo o instante”, desde que sejam asseguradas soluções para os problemas.

“Caso estes enfermeiros sejam contratados novamente e não se despeça mais nenhum enfermeiro nesta casa e se resolva o problema dos colegas mais velhos [no desbloqueamento da avaliação para progressão nas carreiras] nós ponderamos retirar o pré-aviso de greve”, afirmou.

A Lusa tentou contactar a administração do CHMT para uma reação às reivindicação dos enfermeiros e a este anúncio de greve mas sem sucesso.

C/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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