Uma das exposições que mais gostei de ver na minha juventude, em Ravenna, foi a de Emílio Greco, escultor italiano do século passado que marcou o horizonte artístico, seja do desenho seja da escultura naquela altura.

Nascido na Sicília em 1913, foi professor de escultura em Roma, Mónaco e Salzburg. As suas obras estão em toda a Europa, Japão e América, ganhando inúmeros concursos a nível internacional.

Tem um desenho único e simples, à primeira vista, mas muito intenso.

Este homem é uma referência para mim, porque quando era estudante gostava imenso de desenhar e também trabalhar o barro, e esta exposição fez-me decidir a dedicar-me só ao desenho e a pintura,.. e explico porquê.

A escultura é um desenho a 360 graus, a obra deve ser vista de todos os lados, a preparação duma estatua ou um simples retrato é muito complexa e requer tempo e intenso trabalho, sem contar com as dimensões do atelier, e visto ser eu um jovem (na altura) rápido a desenhar e a passar de repente a outros quadros, entendi que a escultura não dava para mim.

Para ser escultor deve-se “moldar na mente”, a obra de imagem bidimensional, que podemos ter num sonho ou num “vaipe artístico”  mas depois deve ser revista, estudada para as três dimensões. E aquilo que podia ser bonito frontalmente ,provavelmente de perfil não tem jeito nenhum, e assim toca a modificar, suar, delinear  novamente.

A mão corre no barro (pedra, madeira…) “sentindo” os volumes a expandir-se, a concretizar-se a obra que está a nascer nas mãos do artista, que se debruça através de outros desenhos para chegar à meta, mas não é hoje, talvez nem amanhã. Às vezes, acontece que vai apagar tudo e recomeça, deita a pedra de lado e apanha uma nova, quando almoça pensa em como resolver aquele queixo ou a mão que segura algo. À noite acorda a pensar como pode transmitir, através duma textura, o movimento ou a torsão. É sempre inseguro, sempre à procura de melhorar, deve chegar a realizar o que na sua mente existe mas ainda não é criado.

Faz mais desenhos, mais pormenores são apagados e concebidos até …até..até ter a certeza que consegui moldar, duma matéria sem forma , o seu sonho. Sim o seu sonho realizado é agora palpável, visível a todos.

Foi isto que Emílio Greco me transmitiu do que é a escultura, criar e amar a matéria para ter um TEU resultado, para criar uma TUA obra.

E isto é para mim escultura, mãos que criam sonhos palpáveis através dum trabalho árduo e pessoal.

Se outros gostam de troncos , correntes no chão ou berlindes espalhados numa sala…nada tenho a dizer…os gostos não se discutem e respeito-os, mas para mim a escultura é dedicação manual, intensa, séria, não deve tentar  só impressionar , mas a obra deve ser amada.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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