Chegados ao fim desta legislatura, é tempo de fazer um balanço do meu mandato enquanto deputada eleita pelo círculo de Santarém e, em particular neste jornal online, no que à região do Médio Tejo diz respeito. Os deputados, uma vez eleitos, representam todo o país, mas obviamente sinto uma responsabilidade acrescida para com o meu distrito. Tenho para mim que os principais temas que marcaram a região do Médio Tejo nesta legislatura foram o ambiente e as alterações climáticas, a saúde, a educação, os incêndios e as infraestruturas e mobilidade, áreas onde procurei envolver-me com particular interesse.
Na área da saúde, a acrescentar aos problemas comuns a todo o país, resultantes do recorrente subfinanciamento e das cativações, que retiram autonomia de gestão; da falta de recursos humanos, muito agravada pela implementação impreparada das 35 horas; da falta de médicos de família, e de melhoria das infraestruturas, acrescem as dificuldades resultantes de um modelo hospitalar de três unidades distantes entre si, com valências repartidas que resultam obviamente em ineficiências e não servem da melhor forma os utentes.
Em matéria de ambiente, em particular no que respeita à poluição, logo em 2016 propus que a Comissão Parlamentar de Ambiente fizesse uma visita à região, para chamar à atenção para a necessidade urgente de resolver os problemas ambientais do rio Tejo, tema que não deixou de ter um acompanhamento constante. Também a poluição da ribeira da Boa Água e no rio Nabão tiveram uma atenção permanente, de denúncia e pressão ao Governo para reforçar a fiscalização e alterar as regras, o que foi conseguido, embora não com total sucesso, nomeadamente com a alteração do regime de emissão de licenças de descarga e com a instalação de mecanismos de monitorização contínua.
Ainda no que respeita ao ambiente, as alterações climáticas terão seguramente impacto não só na qualidade, mas na quantidade de água disponível para o futuro, e a bacia hidrográfica do Tejo tem, do lado de Portugal, uma manifesta falta de capacidade de regularização de caudais porque não construímos em tempo uma reserva de água digna desse nome à entrada do Tejo em Portugal. Por isso mesmo tenho defendido a revisão do projeto da barragem de Alvito, numa lógica de uso múltiplo, e o estudo de viabilidade do Projecto Tejo. Só apostando na acumulação dos caudais de inverno para utilização na época seca, seja na agricultura, na indústria ou no abastecimento à população (sempre prioritário) poderemos garantir a sustentabilidade do nosso território e a mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
Os incêndios de 2017 devastaram a grande parte do território do concelho de Mação, e desde logo propus o alargamento das medidas de apoio às vítimas dos incêndios a outros concelhos que tivessem sido afectados de forma significativa, seja na vida ou os rendimentos das pessoas, seja nas atividades económicas, nos recursos naturais ou nos equipamentos municipais. Infelizmente sabemos como o Governo discriminou negativamente o concelho de Mação…
A este propósito, importa deixar clara a importância de incentivar a gestão florestal ao invés de penalizar os proprietários, na sua grande maioria de muito pequena dimensão. Por isso mesmo me bati pela criação de um benefício fiscal a quem reinveste na sua floresta e por uma dedução à colecta de IRS das despesas com os trabalhos florestais, que se aplicaria directamente aos pequenos proprietários, que só têm contabilidade simplificada, medidas estas que foram rejeitadas pelo PS, BE e PCP.
Também em matéria de mobilidade, seja pela construção da terceira travessia do Tejo, que considero deveria ser na Chamusca, necessária para a melhoria dos acessos de importantes indústrias do norte ao sul do distrito e para os acessos ao EcoParque do Relvão, seja pelo aliviar dos custos da interioridade para as pessoas, que muitos passam pelos transportes, foi um tema que acompanhei e no qual lamentavelmente o Governo mais uma vez discriminou o interior que tanto diz querer valorizar, distribuindo milhões para os passes de Lisboa e Porto (onde estão a maioria dos votos).
Por fim, numa palavra também para a educação, onde os anúncios de protocolos de obras se sucedem sem que seja lançada a 1ª pedra, e onde se propagou um enorme ataque ideológico que prejudicou centenas de famílias, nomeadamente com o cancelamento de várias turmas com contratos de associação nos colégios de Fátima, onde não há escola pública e onde crianças que vivem a 3 km de uma escola são obrigadas a percorrer de autocarro 40 km só porque têm de ir para uma escola pública.
A terminar, e na incerteza de ser eleita em outubro, não poderia deixar de relevar o papel do mediotejo.net na imprensa regional, na identificação e cobertura dos problemas mas também de propostas e soluções, e dizer que foi para mim uma honra representar a região que não é a minha de origem mas que escolhi para viver já há mais de duas décadas, o que sempre fiz com enorme sentido de responsabilidade. Um bem hajam.
