Nas últimas duas semanas decorreu na cidade marroquina de Marraquexe a 22.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22).
Este encontro é histórico pois marca o arranque formal do Acordo de Paris, sobre Alterações Climáticas ao ser ratificado por 97 dos seus 197 signatários.
Foi garantida a ratificação por mais de 55 países correspondendo a mais de 55% das emissões de GEE-Gases de Efeito de Estufa, condição necessária à entrada em vigor do Acordo assinado em Paris em Dezembro do ano passado.
Nesta reunião estiveram em debate questões primordiais para a concretização da vontade política já ratificada como seja o timing para a apresentação de estratégias nacionais os mecanismos de ajuda técnica e financeira aos países em desenvolvimento e definição de políticas para um novo paradigma energético, novas práticas que promovam a eficiência na utilização dos recursos naturais entre outras.
Para Portugal a questão das alterações climáticas é um assunto que tem de ser agarrado com muita seriedade e rapidamente.
A revista Science publicou recentemente um estudo de Joel Guiot e Wolfgang Cramer, do Centro Nacional de Investigação Científica francês, que, tal como outros estudos já vinham alertando, prevê que a manter-se o atual ciclo de aquecimento global a Península Ibérica pode transformar-se num deserto até ao final deste século.

O Professor Doutor Filipe Duarte Santos tem coordenado em Portugal o projeto ClimAdaPT.Local o qual representa uma resposta concreta aos desafios e responsabilidades que as alterações climáticas representam para o nosso território assente em parceria com 26 municípios.
No seu site oficial (climadapt-local.pt) o projeto apresenta como “objetivo iniciar em Portugal um processo contínuo de elaboração de Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC) e a sua integração nas ferramentas de planeamento municipal. Pretende-se alcançar este objetivo pela capacitação do corpo técnico municipal, pela consciencialização dos atores locais e pelo desenvolvimento de ferramentas e produtos que facilitem a elaboração e implementação das EMAAC nos municípios participantes no projeto e, no futuro, nos demais municípios portugueses.”
Na nossa região temos os município de Tomar e Coruche como parceiros desta iniciativa o que se justifica pelas suas vulnerabilidades específicos do ponto de vista climático.
Este projeto mereceu atenção internacional no âmbito desta Cimeira e representa a nossa capacidade de traduzir na prática a expressão “pensar global, agir local” e também a capacidade de nos comprometermos com as gerações do futuro numa atitude de responsabilidade inter-geracional.
Sobre essa enorme responsabilidade que temos para com o futuro recordo a citação de Viriato Soromenho-Marques em crónica publicada na edição do Diário de Notícias do dia do arranque da Cimeira de Paris no ano passado “ os principais interessados no sucesso da Cimeira não estão na sala. São os nossos filhos e os nossos netos. São eles que viverão num mundo em permanente alerta para catástrofes naturais, das secas e ondas de calor, às enxurradas diluvianas. São eles que farão parte das vagas de refugiados climáticos abandonando as grandes cidades costeiras. A dívida ambiental não sofrerá redução ou perdão. Será paga até ao fim por todos aqueles que ainda não nasceram”.
