Abril é o mês da prevenção dos maus tratos infantis. Pelo país e pelo mundo vão-se desenvolvendo iniciativas para lembrar a necessidade de protegermos as nossas crianças. Uma das estratégias para prevenirmos os maus tratos é a promoção de políticas sociais integradoras, amigas das crianças, que facilitem a vida familiar e os cuidados entre pais/ mães e crianças.

Estas políticas necessariamente terão de ser transversais a todas as áreas da nossa sociedade, desde a saúde, à educação, ao mercado de trabalho e à justiça. Toda a comunidade deve estar predisposta a este feito: proteger as suas crianças.

Posto isto, é arregaçar mangas e promover partos mais humanizados, com menos interferência/ instrumentalização. É promover o aleitamento materno, não só pelos benefícios em termos de saúde, mas pela vinculação que se estabelece entre mãe e filho/a.

Há estudos que comprovam que há um risco menor de mau trato a crianças amamentadas. É termos políticas laborais e de incentivo à parentalidade, criando horários de trabalho compatíveis com a vida familiar, de modo a diminuir os níveis de stress e promover momentos de qualidade em família. Licenças parentais mais alargadas, licenças de amamentação efectivamente concretizadas.

É conseguirmos ter medidas educativas de integração de alunos com maiores dificuldades, de haver respostas adequadas a alunos com características especiais, haver mediação escolar e ações efetivas de proteção dos direitos das crianças.

É não obrigarmos crianças e estar com agressores, apesar de esses agressores serem os seus progenitores. Por si só, isso não deveria ser condição bastante para estes contactos. É olharmos pelo nosso vizinho, pela criança da outra rua, e pela criança da outra freguesia independentemente da cor, raça ou religião.

É criarmos programas nacionais de apoio à parentalidade, ajudando os pais que sentem dificuldades no desempenho do seu papel parental. Não é fácil ser-se pai/mãe. Desengane-se quem o acha e só quem não passou por crises de birras, tarefas acumuladas por fazer, correrias de manhã à noite para conseguir deixá-los na escola e chegar a horas ao trabalho, noites em claro a tentar compreender porque chora, preocupações porque tem febre ou está constipado, pode achar que é tarefa fácil.

Mas a parentalidade tem muitas coisas positivas. O preenchimento de qualquer vida, a compensação de todos os desatinos. Uma bênção para quem o quer verdadeiramente.

E as crianças, bom… são os homens e mulheres de amanhã. São quem vai conduzir o mundo num futuro muito próximo. Por isso proteger as crianças é muito mais do que neste mês colocar um laço azul. É sempre bom lembrar para não esquecermos, mas temos de nos lembrar também nos outros onze meses do ano.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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