A Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, ocupa o primeiro lugar do ranking nacional do Ensino Profissional relativo a 2015/2016, ano letivo a que reportam os últimos dados divulgados na sexta-feira, 3 de fevereiro, pelo Ministério da Educação (ver tabelas). O diretor Alcino Hermínio acredita que o segredo do sucesso passa pelo número reduzido de alunos e pelo trabalho dos próprios e dos professores. No Médio Tejo, destaca-se também o Colégio de São Miguel, em Ourém, em primeiro lugar do ranking de sucesso nas escolas secundárias (e em 28º no ranking geral), e a Secundária de Mação, a segunda escola pública com melhores resultados nos exames de Português neste ciclo de ensino, a nível nacional.
Os resultados no Ensino Profissional da Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, contradizem claramente a conclusão retirada dos novos dados disponibilizados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, onde se defende que os alunos do ensino secundário inscritos em cursos profissionais têm mais sucesso nas escolas exclusivamente de Ensino Profissional.
Afinal, a Escola Dr. Manuel Fernandes, com ensino regular e profissional, ocupa o primeiro lugar do ranking nacional do Ensino Profissional relativo ao ano letivo de 2015/2016 – embora, dos 100 estabelecimentos com ensino profissional com melhor desempenho, 65 sejam escolas exclusivamente profissionais.
Este reconhecimento nacional “foi uma surpresa” para o diretor da Escola, Alcino Hermínio, e para a equipa de professores. “Apesar de termos consciência de que estávamos a fazer um bom trabalho no Ensino Profissional, tendo em atenção que muito poucos alunos desistem ou reprovam, não tínhamos a ideia que a nível nacional tivesse uma força tão grande”, disse ao mediotejo.net.

Assim, dos 589 estabelecimentos avaliados, a Escola Dr. Manuel Fernandes foi a que melhor desempenho mostrou. Em 2015/2016 teve uma taxa de conclusão em três anos de 95%, sendo que a média das escolas semelhantes foi de 58%. E esse é o motivo, mesmo com surpresa, de confirmação do trabalho realizado “porque é uma característica do nosso ensino profissional há vários anos. Temos muito poucas desistências e alunos muito motivados à custa de muito trabalho dos próprios e dos professores”, sustenta Alcino Hermínio.
Em 2015/2016 existiam cursos profissionais no ensino secundário em 687 escolas de Portugal Continental, das quais 224 eram escolas profissionais. Na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes frequentaram o ensino profissional 71 alunos.
“São poucos, e isso provavelmente é um dos segredos do sucesso”, refere o responsável, sublinhando que “esse é um dos problemas dos rankings: há escolas com muitos alunos e outras com poucos”. No entanto, em comparação com escolas “com o mesmo número de alunos no ensino profissional o resultado continua a ser bom”, considera.
Relativamente aos cursos propriamente ditos, o diretor explica que “as escolas vão alterando a sua oferta tendo em conta por um lado os cursos e as capacidades instaladas que têm, por outro a procura em termos de mercado”. Portanto, “fazer a gestão destas variáveis ainda passa pela articulação com as outras escolas de Abrantes e do Médio Tejo”.
No ano do estudo a Escola Dr. Manuel Fernandes abriu três cursos: “No 12º ano, Energias Renováveis e Técnico de Apoio à Infância; no 10º ano e 11º Artes do Espetáculo e Interpretação; e também Energias Renováveis”, indicou.
No presente ano letivo a Escola Dr. Manuel Fernandes oferece no 12º ano Artes do Espetáculo e Interpretação e Energias Renováveis, que está a fechar. “Durante uns anos vamos suspender este curso, tal como suspendemos o Apoio à Infância. Vamos abrindo e fechando cursos em função da procura”, explica Alcino Hermínio.
Já no 10º abriu Técnico de Soldadura e Artes do Espetáculo e Interpretação. “Agora apostámos na Soldadura porque percebemos que há muita procura no mercado e tínhamos capacidade instalada para colocar o curso a funcionar”. Para o diretor da Escola Dr. Manuel Fernandes um maior sucesso dos alunos na conclusão do secundário no Ensino Profissional deve-se também à existência de instalações e equipamentos adequados às necessidades das diferentes áreas.
Para concluir um curso profissional é necessário ainda a realização de um estágio. Na Secundária Manuel Fernandes trabalha-se de perto com as empresas. “Queremos apostar na ligação às empresas o mais cedo possível nos cursos profissionais. Não só no último ano, mas a partir do primeiro ano do curso”, ou seja, logo no 10º ano.
O diretor admite que o curso de Artes do Espetáculo e Interpretação é oferta da Manuel Fernandes “não porque haja procura de atores, mas por tratar-se de um nicho que a Comunidade Intermunicipal nos estudos que fez refere como sendo importante manter, para haver alguma diversidade na oferta”. A Escola Dr. Manuel Fernandes também aposta no ensino artístico especializado. “Tentamos diversificar: música, teatro, ciências…” e, sabe o mediotejo.net, haverá dança, integrando um projeto com quatro anos. “Há quatro anos aprovámos nos órgãos da Escola o desenvolvimento do ensino artístico especializado e o curso de dança ficou para mais tarde quando o curso de música já estivesse implantado e consolidado” confirmou Alcino Hermínio.
Apesar dos melhores resultados, o diretor da Escola Dr. Manuel Fernandes lamenta que o Ensino Profissional continue a ser visto como “um ensino de segunda, quer pelos alunos, quer pelos encarregados de educação”. Por isso, todos os anos “é muito difícil arranjar alunos para os cursos profissionais”, confessa. Na abordagem aos alunos do 9º ano “muito poucos optam pelo Ensino Profissional”. No entanto, “há cursos que em alguns anos têm uma grande procura. Este ano, por exemplo, Soldadura bateu todos os recordes”.
OURÉM, MAÇÃO E SARDOAL TAMBÉM EM DESTAQUE
No Médio Tejo, destaca-se também o Colégio de São Miguel, em Fátima (Ourém), em primeiro lugar do ranking de sucesso nas escolas secundárias (e em 28º no ranking geral), e a Escola Secundária de Mação, a segunda escola pública com melhores resultados nos exames de Português neste ciclo de ensino, a nível nacional.
O primeiro lugar obtido por este colégio diz respeito ao índice de sucesso nas escolas secundárias (públicas e privadas), avaliando os alunos que não chumbam no 10º e 11º ano e têm nota positiva nos dois exames do 12º ano. Obteve 63,9% de sucesso, quando a média de escolas semelhantes é de 44,1%, e conseguiu também uma subida substancial no ranking dos exames de secundário, passando do 39º lugar para o 28º, liderando assim escolas públicas e privadas, tanto ao nível do Médio Tejo como ao nível do seu distrito, Santarém.
A instituição tem 767 alunos e pertence à diocese de Leiria-Fátima, tendo aberto portas há 55 anos. Foi um dos colégios afetados pelo corte no financiamento em cerca de 50% das turmas de 7º e 10º ano, neste ano letivo. Após algumas polémicas em torno da atuação de anteriores diretores, tem atualmente uma nova direção, encabeçada pelo sociólogo Manuel Lourenço.
No ranking dos exames de História, o colégio de Fátima consegue também um resultado excelente, obtendo um 6º lugar nacional – o pódio foi conquistado pelo Colégio Moderno, de Lisboa.
Analisando apenas os exames de Português deste ciclo de ensino, surge em destaque a Escola Secundária de Mação, em 17º lugar a nível nacional (a segunda melhor escola pública do país, atrás da Escola Secundária de Castro de Aire). Este ranking é liderado pelo Colégio São João de Brito, em Lisboa.
A Escola Básica e Secundária Dra. Maria Judite Serrão Andrade, no Sardoal, obteve ainda um 8º lugar nacional nos resultados dos exames de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (o 1º lugar pertence ao Colégio Luso-Francês, no Porto).
*Com Cláudia Gameiro e Patrícia Fonseca
RANKING GERAL DAS ESCOLAS DO MÉDIO TEJO
| Escola Profissional | Concelho | Posição Nacional |
|---|---|---|
| ES Manuel Fernandes | Abrantes | 1 |
| ES Sta. Mª do Olival | Tomar | 64 |
| Instituto Vaz Serra | Sertã | 140 |
| B+S Pedro Ferreiro | F. Zêzere | 165 |
| EP Ourém | Ourém | 186 |
| EP Gustavo Eiffel | Entroncamento | 243 |
Fonte: Ministério da Educação (escolas com mais de 100 provas realizadas). Gráfico: mediotejo.net
| Escola Secundária | Concelho | Posição Nacional |
|---|---|---|
| Colégio São Miguel | Ourém | 28 |
| Centro de Estudos de Fátima | Ourém | 100 |
| ES Artur Gonçalves | Torres Novas | 119 |
| ES da Sertã | Sertã | 152 |
| ES do Entroncamento | Entroncamento | 157 |
| ES Maria Lamas | Torres Novas | 161 |
| EB+S de Ourém | Ourém | 194 |
| ES de Alcanena | Alcanena | 228 |
| ES Manuel Fernandes | Abrantes | 234 |
| ES Jácome Ratton | Tomar | 284 |
| ES Solano de Abreu | Abrantes | 348 |
Fonte: Ministério da Educação (escolas com mais de 100 provas realizadas). Gráfico: mediotejo.net

Fazendo fé no ranking publicado no Correio da Manhã, penso, salvo melhor opinião, que a noticia pubicada no mediotejo.net deve ser objeto de correção, atendendo a incorreções contantes na mesma.
Caro João Patrício, os rankings são criados atendendo a vários parâmetros e é por isso que, nalguns casos, há escolas que surgem com classificações diferentes, consoante os dados analisados. No mediotejo.net, por exemplo, optámos por seguir a listagem nacional do Ministério da Educação, que considera todas as escolas do país em que tenham sido realizadas mais de 100 provas (isso mesmo está explicado nos nossos gráficos). Não sei a que dados se refere mas teremos todo o gosto em esclarecer alguma dúvida.