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A educação para a cidadania “visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo, tendo como referência os valores dos direitos humanos”. Esta é a descrição que podemos consultar no site da Direcção Geral de Educação e com a qual estou absolutamente de acordo.

Pressupomos todos, e confiamos, que a Escola irá contribuir para preparar os nossos filhos, os nossos jovens, para serem estes adultos responsáveis, solitários e com espírito democrático, que por ser também pluralista deve garantir a que tenham conhecimento e valorizem o seu território. Por isso mesmo, um dos temas muito actuais e fundamentais a abordar é a sustentabilidade ambiental. Foi então desenvolvido um ‘Referencial de Educação ambiental para a Sustentabilidade’ para a educação pré-escolar, o ensino básico e o secundário.

Foi isto mesmo que na passada semana, fui consultar, a propósito do contacto de um cidadão a dar nota da sua preocupação pelo facto de o PAN ter ido dar uma “aula” de educação para a cidadania a escola básica do país sobre “os efeitos nefastos da agropecuária no ambiente”, situação esta que estava publicitada na respectiva página de Facebook. Conhecendo bem as posições do PAN sobre o tema da pecuária e da agricultura, o meu receio, confirmado como poderão constatar pelo que escrevo a seguir, foi de que me parecia que se tinha tratado mais uma ação de doutrinação das crianças do que promoção de debate de ideias sobre o tema.

Como nesse mesmo dia o Ministro da Educação iria ao Parlamento para uma audição regimental resolvi questioná-lo sobre o assunto. Perguntei então se tinha conhecimento do facto, bem como se este tema, abordado desta forma, tinha enquadramento nos conteúdos programáticos da disciplina e, mais ainda, se tinha sido articulado com a disciplina de Ciências da Natureza ou Biologia.

A resposta (dada pelo Secretário de Estado) foi que as escolas são perfeitamente livres de convidar quem queiram e que é normal os partidos políticos, como outras organizações, participarem em acções das escolas. Quanto aos referenciais da disciplina, informou que tinham sido elaborados com consulta a vários especialistas e entidades.

Resolvi então ir consultar os ditos referenciais desta disciplina e respectivos conteúdos programáticos. Confesso que fiquei atónita e deveras preocupada com os valores que estamos hoje a transmitir às nossas crianças e jovens, que serão os homens e mulheres de amanhã.

Num Portugal em que dois terços do território é rural, em que cada vez mais o interior é despovoado e o peso da população no litoral qualquer dia levará o país a partir-se ao meio e cair no mar; neste Portugal em que a agricultura e a floresta são a base da ocupação deste território do interior de que tantos falam mas ao qual tão poucos ligam, os ditos referenciais de Educação Ambiental para a Sustentabilidade foram elaborados sem um único contributo do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural mas que pretendem promover a participação dos alunos em “ações que promovam boas práticas de agricultura sustentável” através da criação de uma horta horizontal ou vertical, dando como exemplos a permacultura, e alerta para as ameaças à degradação dos solos dando como exemplos a desflorestação, a má utilização de agroquímicos, as práticas agrícolas intensivas e as monoculturas.

Mas que Portugal queremos nós no futuro? Quando a enorme maioria das crianças vive alheada do mundo rural, ‘encaixotada’ em apartamentos, com varandas se tiverem sorte (onde podem experimentar as tais hortas verticais), sem saber de onde vêm os alimentos que todos os dias lhes colocam na mesa, o Estado, a Escola, ao invés de promover o conhecimento e a verdadeira valorização do território, com visitas e campos de férias para o contacto real com a natureza e quem dela cuida para que no futuro estas crianças e jovens sejam adultos verdadeiramente responsáveis e com espírito crítico, doutrina os nossos jovens numa ideologia urbana, num mundo virtual, contrário aos valores da sociedade que defendo e desejo para a minha região e para o meu país.

Pais, avós, educadores, são estes os adultos que queremos amanhã?

 


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Foi deputada à Assembleia da República pelo CDS-PP pelo círculo eleitoral de Santarém, cidade onde reside. Integra a Comissão de Agricultura e Mar, da qual é coordenadora, a Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação e é ainda suplente na Comissão de Saúde.
Engenheira Agrónoma de profissão, iniciou a sua carreira profissional na Agroges - Sociedade de Estudos e Projectos, foi Secretária Geral da Associação dos Agricultores do Ribatejo, docente convidada na Escola Superior Agrária de Santarém nas áreas de economia agrícola e adjunta do Gabinete de Assunção Cristas quando era Ministra da Agricultura e Mar.
A vida política surgiu naturalmente pelo seu percurso profissional nos domínios da política agrícola nacional e comunitária aliado ao valor que o CDS sempre deu à agricultura e à importância deste sector da economia na nossa região.

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