Sem acordo à vista, a greve convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas prosseguirá “por tempo indeterminado”, reivindicando o reconhecimento da categoria profissional específica destes trabalhadores e aumentos salariais.
Começaram a sentir-se na terça-feira, 16, os efeitos desta greve, que começou às 00:00 de segunda-feira. Houve uma corrida aos postos de abastecimento de combustíveis em todo o país – e a região do Médio Tejo não foi excepção.
Depois de uma tarde com registos de grandes filas para abastecer em postos de Abrantes, Sardoal, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento, Tomar, Torres Novas e Ourém, a situação complicou-se depois das 17h00 de terça-feira, com vários postos a fecharem ao público, sem mais combustível para vender.


Em Tomar já não havia combustível na bomba da Repsol ao início da tarde e a Alves Bandeira manteve uma longa fila, com dezenas de carros a ocuparem uma via da estrada, até à rotunda anterior. No Intermaché de Alferrarede, Abrantes, o abastecimento esteve limitado a 30€ por pessoa. Na BP de Ourém ainda era possível abastecer com uma espera inferior a 30 minutos às 17h00, mas o combustível estava já perto do fim. Na Galp do Sardoal não resta um único litro de gasóleo, nem sequer o agrícola.

Segundo informação atualizada às 11h00 de quarta-feira, 17, os seguintes postos NÃO têm combustível (o gasóleo esgotou em todos estes postos, nalguns não há também gasolina)*:
Alcanena | Cepsa; Intermarché; Intermaché (Minde); Galp (Minde)
Abrantes | Cepsa; Galp; BP; Repsol (Tramagal); Intermarché (Tramagal), Auto-Pirâmide (Rossio)
Entroncamento | Prio; Leclerc
Ourém | Alves Bandeira; BP; Repsol; Prio; Galp (Ourém, Fátima e Caxarias)
Sardoal | Galp
Sertã | Galp; BP; Repsol; BP (Cernache do Bonjardim)
Tomar | Repsol; Galp; Cepsa; Vasco Alves;
Torres Novas | Galp; Cepsa; Repsol; Pingo Doce; Intermaché; Prio (Riachos); Petroibérica (Riachos)
*lista corrigida, na Repsol de Vila Nova da Barquinha e de Montalvo (Constância) ainda havia combustível às 22h de terça-feira;
Os leitores podem consultar aqui uma lista atualizada de postos sem combustível, com a ressalva de que não é informação confirmada.

Sem hipótese de reabastecimento dos postos de combustível, multiplica-se o número de bombas com os depósitos vazios, por todo o país. Também os aeroportos de Lisboa e Faro ficaram sem capacidade de abastecer mais aviões, havendo já cancelamentos de voos confirmados.
A greve convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi decretada “por tempo indeterminado” para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica destes trabalhadores e aumentos salariais. Segundo o dirigente Pedro Pardal Henriques, estão a decorrer concentrações em Aveiras, no Barreiro, em Sines e em Matosinhos, junto à Petrogal, e a greve prossegue com uma adesão de 100%: “Até ao momento não saiu um único camião, a não ser aquilo que estava previsto para abastecer os hospitais.”
O ministro da Economia, Siza Vieira, disse na terça-feira que este é “um conflito entre entidades privadas, as empresas de transportes, e um sindicato, a que o Governo é alheio”, mas lançou um “apelo a que o diálogo se possa retomar” e, sobretudo, que os serviços mínimos possam ser respeitados.
“Os portugueses são alheios a este conflito laboral, respeitam os direitos dos trabalhadores, mas obviamente não podem ser prejudicados em razão do incumprimento de serviços mínimos legalmente decretados”, acrescentou o governante.
*C/LUSA e contributos de Mário Rui Fonseca, Sónia Leitão, Cláudia Gameiro e José Belém
