No Natal, a nossa imaginação vai até Belém. Começamos muito novos/as a ver a imagem do presépio e a ouvir como Maria e José caminharam até encontrar um lugar para o menino nascer. Eram refugiados. Circulam muitas imagens alusivas a este acontecimento caso ocorresse nos dias de hoje. Banksy apresentou mesmo um magnífico trabalho a que chamou “A cicatriz de Belém”.

O que se passa na Cisjordânia e na Faixa de Gaza não pode ser indiferente ao Mundo. Um povo, o povo palestiniano é expulso do seu país, sujeito a terríveis humilhações diárias e a uma repressão constante. Israel, potência ocupante, não respeita nenhuma das resoluções das Nações Unidas e como se comprova pelas últimas tomadas de posição e ataques não quer respeitar, pelo menos enquanto Netanyahu governar. Os seus planos passam por estender os “colonatos” e obrigar os palestinianos a recuar. Os seus planos passam por tomar conta de Jerusalém, que deveria ser a cidade sagrada para as três religiões. Infelizmente Portugal abriu as portas ao primeiro-ministro israelita para que tivesse um “encontro bilateral” com o secretário dos Estados Unidos da América. Esteve mal o Governo, não havia necessidade de acolhermos um encontro em que só se falou de guerra.

Mas a época de Natal traz uma boa notícia: o Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação aos crimes de Israel, considerados crimes de guerra, nos territórios da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Um processo que levou 5 anos a ser analisado. Será desta que alguma coisa muda? Israel não reconhece o Tribunal Penal Internacional, como seria de esperar. Mas a comunidade internacional – institucional e os cidadãos e cidadãs não devem desistir, não podem deixar os palestinianos sozinhos nesta luta desigual.

Se fosse hoje, Maria e José não teriam chegado a Belém, os “chekpoint” e o muro construído por Israel não os deixavam passar. Que, no mínimo, pensemos nisso, neste Natal de 2019.

Boas Festas

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

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