Celina e João Espanhol | Foto: Adelino Correia-Pires

Despediu-se de mim há dois ou três dias. Tinha vindo entregar a chave à Senhoria. Ela, o João, a Beatriz e um casal de amigos. Beijou-me, segredou-me uma vez mais aquilo que das últimas vezes me repetia sempre e, tristemente, sorriu.

Com uma missão tão comprida e já cumprida, pedia que o coração não parasse antes do tempo. Sabia que o seu tempo chegaria, mas não poderia ser para já. Desamparada a loja, não poderia desamparar tudo e todos de uma vez. Sobretudo o “seu João”. Tinha ainda tanto para o mimar…

Afinal, o tempo não lhe deu tempo. E depois do adeus, o coração parou e a Celina partiu.

Até sempre, vizinha. E obrigado pela confiança.

Adelino Pires nasceu em Portalegre, em 1956, num dia de solstício de verão. Cresceu no Tramagal e viveu numa mão cheia de lugares. Estudou, inspirou, transpirou, e fez acontecer meia dúzia de coisas ao longo do tempo. Alfarrabista no centro histórico de Torres Novas, gosta do que faz e faz o que gosta. Mais monge que missionário, cronista nalguns jornais, publicou um livro em 2015 (“Crónicas Com Preguiça”). É nos seus escritos vadios que, no dia a dia, vai olhando o que sente.

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