O médico responsável pela Unidade de Saúde Pública do Médio Tejo, José Cunha, confirmou que a situação está ultrapassada e disse não ter havido “razão para alarme”, reforçando que a identificação da presença da bactéria ‘legionella’ ocorreu pela realização de análises de rotina realizadas em estabelecimentos.
“Não há razão para este alarme que se vem verificando porque só quando há um caso de um ser humano infetado, com doença, é que se deve considerar um alarme. Neste caso não é. A legionella foi detetada na canalização, mas não constitui risco desde que as formas de transmissão não sejam ativadas”, indicou.
Quando a bactéria legionella está presente, a infeção dá-se através da respiração de aerossóis contaminados com a bactéria, ou seja, através da inalação da bactéria legionella presente em aerossóis formados por partículas finas de água.
Para a prevenção da infeção, José Cunha sustenta a necessidade de ter em conta as formas de transmissão, sendo necessário suspender a utilização dos equipamentos infetados, como sucedeu no pavilhão da escola Dr. Ruy D’Andrade. “No caso dos chuveiros e dos repuxos, que são as principais formas de aerossóis mais frequentes, a partir do momento em que essas formas não estejam ativas, não há risco de transmissão”.
ÁUDIO | José Cunha, Coordenador da Unidade de Saúde Pública do ACES Médio Tejo
Após a deteção da bactéria o Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento emitiu um comunicado, no âmbito do Plano de Controlo e Prevenção da Legionella, a informar da proibição da utilização da zona de duches nos balneários. Os alunos puderam continuar a utilizar os balneários, tendo a utilização dos duches estado vedada até ao dia de segunda-feira, 11 de dezembro.

“Neste momento temos a repetição das análises que foram feitas para verificar o estado da situação e está tudo negativo, está tudo bem (…), a partir de agora já estão disponíveis para a utilização. Desde que não existam vestígios de legionella na tubagem não há qualquer risco de transmissão”, reiterou.
O tema foi levado à última reunião do executivo da Câmara Municipal do Entroncamento pelo PSD, tendo o vereador Rui Madeira considerado que os responsáveis pelo Agrupamento Escolar atuaram “rápida e corretamente” para resolver a situação.
“Tanto quanto sabemos, assim que receberam a informação desta ocorrência, atuaram de acordo com o recomendado para estas situações, ou seja, acionaram rapidamente o plano de contingência (…). Simultaneamente, mantiveram o contacto com os responsáveis e com as autoridades de saúde pública locais, estabelecendo um canal de comunicação adequado para o efeito”, destacou o vereaador.
ÁUDIO | Rui Madeira, vereador eleito pelo PSD na CME
O socialista Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, afirmou, por sua vez, que após o resultado das análises que comprovaram a presença de legionella no circuito de águas quentes dos balneários do pavilhão desportivo da escola, o processo de intervenção foi realizado em conjunto com as autoridades de saúde e com o Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento.
“Realçar que foram os nosso serviços (…) que quando receberam a informação do laboratório, de imediato foram postas em prática as medidas necessárias e, obviamente dando disso conta ao agrupamento. Realçar a participação empenhada, ativa e de acordo com aquilo que são as normas definidas, mas também realçar que os nossos serviços como sempre, tiveram um desempenho muito meritório”, referiu o autarca.

Jorge Faria explicou que os banhos foram suspensos e tomadas as devidas providências no que diz respeito à “lavagem e desinfeção dos acessórios dos chuveiros, procedeu-se ainda ao aumento de temperatura da caldeira do sistema de aquecimento de água e realizou-se nova análise”.
ÁUDIO | Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento
“Dizer também que este é um processo que é uma mera deteção. Não houve ninguém infetado, não houve nenhuma situação de perigo, foi uma deteção de um parâmetro anormal e por isso foi solicitada nova análise”, vincou o edil.
Questionado quanto à existência de infeções por legionella na região do Médio Tejo, o coordenador de Saúde Pública do ACES Médio Tejo, José Cunha, lembrou a presença da bactéria nos concelhos de Abrantes e Alcanena, embora não tenham constituído risco para a saúde pública.
“Há dois tipos de legionella, uma que constitui um risco e a outra que não constitui um risco, ainda assim, tem que se tomar sempre alguma medida porque como qualquer outro organismo, ou bactéria, é preciso que se garanta que, mesmo em pouca quantidade, seja sanada e eliminada da circulação. Nós não temos incidentes que constituam de facto risco, porque nas situações que são detetadas nós tomamos as devidas medidas para que elas deixem de ser uma situação com risco para a população”, concluiu o coordenador.
A doença do legionário, provocada pela bactéria ‘Legionella pneumophila’, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.
