Doces e Natal são as duas palavras que acompanham os pasteleiros e doceiros nestes dias bastante atarefados. Além do pastel de nata que acompanha o café, a lista de pedidos aumenta na semana que antecede a noite da consoada. Entre o bolo-rei, os fritos e o tronco de Natal, o difícil é escolher o protagonista ideal para compor a mesa.
Na pastelaria dos ‘Sabores do Ti Pereira’, em Abrantes, as encomendas chegam maioritariamente por telefone. Os fritos, como as azevias, os coscorões e as fatias douradas, são os doces mais solicitados por estes dias.
Mas lá dentro, onde existe um espaço próprio de confeção que serve de apoio para as diferentes pastelarias do grupo, podemos encontrar o bolo-rei, o bolo-rainha e o bolo-rei escangalhado, que estão prontos para serem embalados e seguir viagem com destino à casa dos clientes.


Porém, a doçaria tradicional também não é esquecida nesta época festiva. Quem o diz é Liliana Marques, responsável pelas pastelarias do grupo, dando o exemplo das tigeladas que continuam a ser encomendadas.
O travesseiro de noiva, uma torta de claras com muito doce de ovo à mistura, e o Tronco de Natal, composto por tortas recheadas de chocolate, são também opções escolhidas para a noite de consoada. Há também molotoff com caramelo ou doce de ovos, lampreia de ovos, bolo brigadeiro…
Mas não ficamos por aqui neste verdadeiro desfilar de pecados palatais. “Fazemos questão de inovar para quem não quer levar mais do mesmo”, explica-nos Liliana.
Além do ‘Bolo de Natal’, que marca presença todos anos e é decorado a rigor, este ano as ‘Velas de Natal’ são também uma opção: massa de pão-de-ló com recheio de doce de ovo, com merengue na cobertura a finalizar. “Tentamos primar pela diferença”, reforça a responsável.
O bolo-rei tradicional é o produto mais procurado pelo público, mas o seu ‘concorrente’ bolo-rei escangalhado começa a ser igualmente um dos doces preferidos. No ano passado, por exemplo, Liliana explica-nos que a nível de encomendas, houve uma diferença de apenas de 70 bolos entre ambos.





Bolo-rei, bolo-rainha, bolo-rei escangalhado e, mais recentemente, o bolo-rei de maçã, completam a lista de sugestões de encomendas para o Natal. Este ano, a novidade é o bolo-rei de abóbora mascavado que, segundo nos dizem, é “delicioso”.
Numa visita à fábrica da Padaria Pereira, na zona industrial de Abrantes, há um rodopio de trabalhadores que “dão o litro” por estes dias.
É o exemplo de Carla Alexandra, distribuidora em Abrantes, que esta semana dá uma ajuda no fabrico dos doces, o que apelida como “part-time de Natal”.

As previsões de encomendas para este Natal são baseadas nos números do ano passado, e para nos darem uma ideia, falamos de 15 mil fritos, 700 troncos de Natal e 15.000 bolos-reis. Porém, Sílvia Cardoso, a engenheira responsável, diz-nos que a conta “pode ser mais”, porque há sempre os pedidos de última hora, até porque as encomendas fecharam na quarta-feira.
As azevias, os coscorões, as fatias douradas e os sonhos são algumas doçarias que exigem turnos com mais horas de trabalho. “Nunca se pára de fritar!”, diz-nos Sílvia Cardoso. Aqui fazem-se as encomendas em grande escala, ou seja, para os distribuidores venderem porta-a-porta e, também, para outros estabelecimentos comerciais.






Apesar de o Natal estar à porta, as queijadinhas, os bolos-de-arroz, as tartes de nata, ou as tigeladas (e outros tantos) cozem nos fornos que trabalham a todo o vapor. Assim como as empadas de galinha e os outros salgadinhos.
No Rossio ao Sul do Tejo, igualmente no concelho abrantino, o chef Fernando Correia também não tem mãos a medir nestes dias.
Este ano as encomendas são ligeiramente menos, e a título de exemplo, o chef conta-nos que “antigamente vendiam-se 500 bolos, e agora vendem-se 100”. Uma das justificações é que “há muita gente a fazer em casa”, como é o caso de alguns dos seus alunos.


A pastelaria Tágide apresentou um cardápio de diferentes produtos para completar a noite de Natal: desde o bolo-rei tradicional, passando pela torta de laranja ou molotoff com fios de ovos, escolher é o grande desafio dos mais gulosos. Há também os macarrons de palha de Abrantes, que ainda vão ser preparados.
“As pessoas vêm à procura de outras alternativas, como o bolo-rei de maçã e canela”, exemplifica o chef.
E se essa foi a novidade do ano passado, este ano o chef apresenta o bolo-rei Kinder Bueno, o bolo-rei Ferrero e o bolo-rei Palha de Abrantes.
“Queremos ser diferenciadores, e temos de apresentar sempre produtos novos”, justifica o profissional, com a apresentação destas escolhas.
Mas o que diferencia o bolo-rei Palha de Abrantes que, segundo nos diz o chef Fernando Correia, é o mais se vende?
“É um brioche francês, que depois leva manteiga e fica uma massa semi-folhada. O interior é feito com doce de ovos, amêndoa e frutos secos, nomeadamente, o caju. Depois leva uma calda de citrinos, e é acabado com doce de ovos e fios de ovos”, responde, aguçando-nos o palato.




A nível de encomendas, os números não são muito precisos, mas Fernando Correia diz-nos que ronda os “300 e tal bolos”. Com as encomendas a fechar esta sexta-feira, dia 22, o chef conta com a ajuda dos seus alunos da para estes dias mais cansativos.
Antes de nos deixar, o chef diz-nos que tem “100kg de massa a levedar”, e percebemos que todos os minutos perto do forno são preciosos.
A mesa da noite da consoada enche-se de cor e sabor pelas diversas sobremesas sugeridas por pasteleiros e doceiros um pouco por todo o país. Mas, nesta noite especial, há elementos que não podem mesmo faltar.
“A única coisa que nunca pode faltar são as pessoas da família e os amigos”, diz-nos Carlos Vital. Quanto ao menu para a noite de Natal, Carlos conta-nos que a sua mesa vai ter o bacalhau cozido com molho fervido (alho, azeite e colorau), o polvo, as filhoses enroladas, os sonhos, os bilharacos (doce de Natal típico da região do norte que é feito com abóbora) e o pão-de-ló. E é claro que também não pode faltar “um bom queijinho da Serra”, com um licor ou um vinho do Porto para um brinde em família.
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