Segundo Máximo Ferreira, diretor do Centro de Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia -, “com o conhecimento adquirido e com estas informações, mais nos convencemos que pode existir vida para além da Terra”.

Dois meteoritos que caíram, em momentos diferentes, na Terra em 1998 contêm ‘ingredientes da vida’, como água líquida, aminoácidos e hidrocarbonetos, segundo um estudo divulgado esta quarta-feira, dia 10.

De acordo com a investigação, publicada na revista Science Advances, trata-se dos primeiros meteoritos a serem encontrados com estes ‘ingredientes’. Um deles caiu perto de um campo de basquetebol infantil no Texas, nos Estados Unidos, em março de 1998, e o outro próximo de Marrocos, em agosto de 1998.

Uma equipa internacional de cientistas, incluindo do Reino Unido, Japão e dos Estados Unidos, inferiu os resultados a partir da análise, com técnicas de microscopia e raios-X, de amostras de pequenos cristais de sal recolhidos dos meteoritos, que foram preservados pela agência espacial norte-americana NASA.

O estudo, feito em parte no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, sugere que o planeta-anão Ceres, localizado na Cintura de Asteroides, entre Marte e Júpiter, pode ser a fonte dos compostos orgânicos detetados nos meteoritos.

Os pequenos cristais que contêm aminoácidos, hidrocarbonetos e vestígios de água são mais finos do que um fio de cabelo.

Os autores do estudo defendem que os vestígios microscópicos de água remontam à ‘infância’ do Sistema Solar, formado há 4,5 mil milhões de anos.

“Tudo leva a concluir que a origem da vida pode estar noutros lugares”, afirmou a autora principal do estudo, Queenie Chan, investigadora da The Open University, no Reino Unido, citada em comunicado pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley.

Contactado pelo mediotejo.net, o astrónomo Máximo Ferreira disse que “é tido como certo pela comunidade científica que há asteroides que caem na Terra com os princípios básicos da vida”, sendo tal facto “o suficiente para admitir que, se vieram do espaço, noutros planetas e com as condições ideais, a vida também pode acontecer, embora não no nosso sistema solar”.

Segundo o diretor do Centro de Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia -, “para além do nosso, já conhecemos a existência de mais de dois mil sistemas solares, e supomos que existam milhões de sistemas. Com o conhecimento adquirido e com estas informações, mais nos convencemos que pode existir vida para além da Terra”, concluiu.

C/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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