Agora que terminou a discussão do Orçamento de Estado para o próximo ano de 2021 já podemos ter a certeza que o distrito de Santarém é o parente mais pobre quer do OE2021 quer dos próximos anos já que o Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI2030) também parece aplicar a sentença de morte a esta região até ao final da década.
A nossa região, quer aquela que constitui a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo quer a Comunidade Intermunicipal da Lezíria, é um verdadeiro buraco negro em termos de investimento público do Governo, algo que me surpreende e que nos deve revoltar enquanto comunidade. Sobretudo quando se verifica que há tantos problemas estruturais por resolver e mais ainda quando olhamos para a prioridade que é dada a outras regiões do país onde o investimento é de facto brutal.
Será que a conclusão do IC3 e a resolução do problema da ponte da Chamusca não é importante e urgente para o país? Será que a modernização da linha do Norte do comboio não é importante? A conclusão do nó de Fátima entre a A1 e o IC9, não é importante? A construção da variante ferroviária entre Santarém e o Entroncamento não era importante? A nova travessia do Tejo algures não é importante?
Como Ribatejano e Deputado eleito por esta região ficaria envergonhado se não me tivesse “batido” por um resultado diferente. Mas a frustração existe e só pode ser enorme. Mas não me calarei. A revolta só pode crescer ainda mais quando verificamos que outros gritam muito nas redes sociais em defesa da região mas que depois alinham ao lado do Governo e ajoelham perante esta sentença.
A única notícia boa parece ser a redução efectiva em mais 50% das portagens da A23 propostas pelo PSD e que foram aprovadas mesmo com a oposição do Partido Socialista.
O Governo desprezou o distrito de Santarém e as pessoas do Ribatejo. Talvez esteja convencido que tem o voto garantido e que não se justifica fazer mais investimentos. Pode ser que se arrependam porque o povo desta região não é estúpido nem alinha com hipocrisias.
Portugal cresce desde 2014. O país recuperou depois da pré-bancarrota, mas parece que os resultados de tudo isso só se verificam nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

