Certa vez, no final de um jantar de família, a minha tia voltou-se para o meu tio e pergunta-lhe: ”agora vais para o café gastar dinheiro”, ao que o meu tio responde: “o dinheiro não se gasta, troca é de dono”. Neste mundo de consumo em que vivemos esta é uma verdade que passa despercebida, ou seja, que o dinheiro é na verdade património.
O que quero abordar neste tema não é de todo fácil de explicar, nem as mentes melhor treinadas muitas vezes conseguem entender este fenómeno sem o terem experienciado. E abordo também porque já vi e ouvi opiniões de supostos peritos na matéria que Portugal só beneficiaria ao voltar ao escudo, a minha opinião é que quem diz isto na verdade não sabe o que está dizer. Na prática, se fossemos um pais organizado em termos políticos e não dependêssemos do exterior para subsistir, até poderia resultar, mas não somos e isto só por si já é um sinal.
Quando alguém tem um determinado negócio e até está a conseguir fazer dinheiro, o principal interesse será, naturalmente, proteger o seu património e qual é a melhor maneira de proteger esse património? Através de uma moeda que seja forte, ou seja, que possua enorme valor sobre as restantes e não tenha tendência a desvalorizar. E quem vende algo ou presta um determinado serviço, só o faz por algo que tenha o devido valor.
Assim sendo quando se pretende adquirir algo, é de todo conveniente que possuamos algo com devido valor de mercado para se proceder a essa aquisição, caso contrário, quem vende exigirá, a título de compensação, um valor muito superior ao real valor daquilo que se pretende adquirir, entramos assim no terreno do Mercado Negro e este é o princípio base do seu funcionamento.
Outra correlação implícita no dinheiro é que este para além de atribuir valor a quase tudo o que seja físico, atribui também valor ao nosso tempo de trabalho, ou seja, basicamente o nosso salário mensal é na prática o número de horas despendidas a exercer determinada função para se obter esse valor.
Assim, quando estamos perante um cenário em que a nossa moeda é uma moeda com valor mais fraca relativamente a outras, tendo em conta que, actualmente, estamos dependentes de bens que vêm do exterior do país e que existe um sem fim de transições comerciais, o que se espera é a escalada do preço dos produtos por conseguinte o tempo de trabalho necessário para se adquirir determinado produto aumenta, ou seja, perde-se qualidade de vida.
Em jeito de conclusão, apesar de algumas regras da união europeia serem menos boas para o nosso país, beneficiamos, quanto mais não seja, pelo facto de possuirmos uma moeda forte em que muita gente de muitos países estão dispostos a vender os seus produtos para obtê-la.
