As 16 horas do mesmo dia, 10 dezembro 2016, foram inauguradas duas exposições de pintura, uma em Abrantes outra no Entroncamento. As diferencas são notáveis e apesar de estarem à vista de todos (ou quase todos) gostava de sublinhá-las e, sobretudo, apelar ao bom senso (tão escasso por aqui) uma vez que a minha crónica só de cultura fala.
Vamos a ver então estas diferenças: a exposição em Abrantes foi inaugurada na maior galeria municipal do Ribatejo, com responsável fixo, ajudante, sistema de transporte e outras ajudas.
No Entroncamento o espaço não excede os 60 mq.e a própria artista transportou, afixou e decorou a exposição.
Em Abrantes foram expostas obras de uma das mais “conceituadas” artistas portuguesas, desconhecida em Abrantes, Sofia Areal, com o apoio da famosa galeria Neupergama de Torres Novas e o Município de Abrantes.
No Entroncamento as obras únicas e originais são da Dina Leonardo, uma jovem que já alguns anos tenta de fazer conhecer o seu nome, pelo menos no Médio Tejo, apoiada por uma pequena e recente associação da cidade, e apresentou obras dignas de ser vistas.
Para os custos do catálogo, porto de honra, transporte e mais alguma coisa, em Abrantes, a artista não pagou nada. No Entroncamento foi a artista a custear tudo.
Mas o pior é que a Dina Leonardo é de Abrantes e a Sofia Areal é de Lisboa. A Dina Leonardo não tem possibilidade de expor na sua própria cidade!

Ok. Concordo que haja uma troca de valores artísticos e que se possa ver na nossa cidade artistas diferentes, mas é mesmo aqui o ponto e a diferença mais evidente( as fotos falam claro). Na poderosa galeria de Abrantes cerca de 20 pessoas estiveram presentes ( e se eliminamos presidente, vereador, artista, representantes da Neupergama e empregados camarários) os interessados são mesmo poucos
No Entroncamento, na pequena sede duma pequena associação mais de 60 pessoas deslocaram-se para ver as obras da Dina.

Então o que entendemos? Que o povo, a gente que está a nossa volta, o empregado de loja, o mecânico, a enfermeira, a professora gostam de arte, não aquela que a impingem como arte, mas a arte que sentem, que gostam de ter na própria casa.
Meus caros responsáveis da “cultura” de Abrantes, abram os olhos e entendam que o vosso dever é dar a possibilidade aos artistas locais de ser acarinhados e apoiados como fazem com outros perfeitamente desconhecidos. E aproveito estas linhas para fazer uma pergunta que gostava de alguém do pelouro da cultura me respondesse:
Acham que os 100.000 € que gastaram em poder ter por aqui os Mirós de Serralves possam interessar realmente a muitas pessoas ou teriam sido melhor empregues para ajudar aos artistas, associações e artesãos locais?
