Ilustração de Ricardo Cabrita

Aqui nos encontramos em confinamento no Médio Tejo, forçados a estarmos conectados nestes dias de incerteza, obrigando-nos a uma disponibilidade indistinta e sem horários. É este o novo tempo que vivemos de forma a travar o avanço do vírus. É o tempo da hiperconectividade e do teletrabalho que a pandemia veio acelerar. As videoconferências, os sms os whatsapp e afins vieram substituir uma boa parte das conversas de trabalho, reuniões e tomadas de decisões.

Um em cada três trabalhadores reúne condições que permitem trabalhar de forma remota em Portugal. No primeiro confinamento obrigatório, entre março e junho, tivemos 1,1 milhões de pessoas a trabalhar a partir de casa. O teletrabalho será cada vez mais uma realidade no pós pandemia e consubstancia um movimento de transformação digital que não admitirá recuos, onde os processos de partilha de conhecimento serão acelerados, mas não será suficiente, pois estes são os dias em que as empresas devem implementar mudanças estruturais para preparar a retoma económica que se avizinha repentina e global.

A nossa região, constituída pela Lezíria e o Médio Tejo, representa 470 mil habitantes de acordo com os dados de 2017 do INE, e acolhe 48.519 empresas que desenvolvem atividades de elevada produtividade com um PIB de 7,88 mil milhões de euros. É este o nosso contexto empresarial regional onde o Médio Tejo representa 60% das empresas instaladas no distrito de Santarém.

As empresas da nossa região estão a preparar-se hoje para estarem em condições de avançar de forma segura nos difíceis anos que se adivinham, pois elas sabem que não pode haver lugar a recuos ou hesitações. Mas a realidade para atingir esses objetivos passa também pelo envolvimento e compromisso dos municípios do Médio Tejo em liderarem a mudança e fazerem parte do processo de transformação, tirando partido do atual enquadramento de confinamento e otimizando estratégias e políticas que possam ir ao encontro das soluções para as empresas e empresários do Médio Tejo.

Não pode nem deve existir lugar a “egos” regionais para assegurar controlo de informação, pois é crucial que as empresas não fiquem à parte do processo de transformação em curso. Pelo contrário, deverão ser o motor e a garantia dessa transformação num ritmo diário e permanente, e para que isso possa acontecer, é fundamental que quem tem o poder de decisão repense o desenvolvimento estratégico integrado de uma rede de cidades pequenas e médias com a formação de cidades-região inteligentes (Wise Cities ) no Médio Tejo.

Pode ser esta a mudança que precisamos num tempo que não temos, exigindo resiliência e adaptabilidade que a maioria das regiões não está a fazer acontecer, mas a realidade destes “novos dias” está aí. E é esta e não outra.

Arquiteto (Universidade Lusíada, 1997), foi Presidente do Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitetos e vogal da Secção Regional Sul (2005-2008) e do Conselho Diretivo Nacional (2020-2023), sendo Conselheiro do Conselho de Supervisão da Ordem dos Arquitetos. Exerce a profissão na MODO Associados, de que foi fundador, tendo sido Vice-Presidente das Câmaras Municipais de Abrantes e Tomar (2009-2016). É atualmente Presidente da NERSANT – Associação Empresarial de Santarém.

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