No âmbito do Dia do Município de Tomar, que assinala no dia 1 de março os seus 857 anos de fundação, o mediotejo.net apresenta-lhe uma leitura alargada das 11 freguesias que compõem o território concelhio, com reportagens, história, entrevistas e um passeio guiado pela cidade templária à beira Nabão plantada. Neste artigo fomos conhecer a União de Freguesias de Serra e Junceira.

Trata-se de mais uma nova unidade territorial resultado da divisão administrativa de 2013 e que agregou as freguesias da Serra e da Junceira. Situa-se no extremo oriental do concelho e é banhada pela albufeira de Castelo do Bode. A outra margem pertence ao concelho de Abrantes e no meio do espelho de água existem várias ilhas nomeadamente a ilha do Lombo, que funcionou como estalagem com o mesmo nome e que está fechada há cerca de 15 anos. Existe um projeto do grupo Tomé Feteira para reativar a unidade hoteleira.

A antiga freguesia primeiro chamou-se Santa Maria da Serra. Depois, Serra da Abadia, devido ao lugar mais próximo (Abadia). Até 2013, simplesmente Serra ou Serra de Tomar. Junceira foi criada freguesia em 9 de fevereiro de 1560. É neste território, no limite com a antiga freguesia de Santa Maria dos Olivais, que se situa a barragem do Carril, inaugurada em 2002. Antigas minas de ouro (ativas até meados do séc. XX) e vestígios arqueológicos do tempo dos romanos revelam a importância patrimonial da freguesia.

Tem a palavra… Américo Pereira, 62 anos, ex – presidente da Junta de Freguesia de Junceira (2009/2013), atual presidente da União das Freguesia de Serra e Junceira, eleito nas listas “Independentes por Tomar”.

– Pontos Fortes e pontos fracos da freguesia?
De melhor, tem as suas gentes e as potencialidades turísticas das albufeiras das barragens do Carril e do Castelo do Bode, no último caso com margens na área territorial da União das Freguesias de Serra e Junceira na ordem dos 50 km entre reentrâncias e enseadas. De pior: a acentuada desertificação, particularmente da freguesia da Serra, por via da falta de emprego e distância para os grandes centros urbanos.

– Como tem sido a relação da Junta de Freguesia com a Câmara de Tomar?
Com todo o respeito pelo passado e pelos autarcas que a seu tempo desempenharam as funções de acordo com suas capacidades e meios económicos disponíveis, dificilmente houve algum executivo municipal que tivesse dado, como o atual, sem qualquer descriminação ou influência partidária, o apoio económico a todas as freguesias do concelho, particularmente as rurais, no âmbito dos acordos de execução e dos contratos interadministrativos. É certo que o mesmo já não acontece a nível de equipamento. No entanto será bom não esquecer que nestes últimos vinte anos os sucessivos executivos municipais não fizeram qualquer investimento nessa área e as máquinas existentes, além de obsoletas, há muito ultrapassaram o prazo de validade.

– Que dificuldades sente na gestão da freguesia?
Numa freguesia profundamente rural, com cerca de 47 km2; mais de 60 lugares/aglomerados populacionais; apenas 2% de saneamento (rede de esgotos); inúmeros lugares sem rede de água domiciliária; 70 km de estradas de terra batida de ligação e dentro dos lugares; iluminação pública deficitária; e rede viária interna à beira do colapso, que dificuldades se sentem? Muitas! Claro, muitas mesmo!

– Que implicações teve a agregação das freguesias no seu território?
Ao aumentar a área territorial de uma freguesia numa zona tão carenciada como esta sem a correspondente compensação económica, foi não só criar novos problemas como agravar os já existentes, potenciados pelas novas competências atribuídas à autarquia por força da entrada em vigor da lei 75/2013, de 12 de Setembro, particularmente no que respeita à conservação e manutenção de bermas de valetas de estradas e caminhos municipais, espaços públicos, escolas, entre outras.

– O que é mais gratificante no cargo de presidente de junta?
Infelizmente, como na generalidade dos cargos públicos, também a nível de Presidentes de Junta o teatro de sombras continua a ser o grande espetáculo. As freguesias são “vendidas” por alguns como o órgão do estado mais próximo das populações, mas continuam a existir Juntas sem funcionários nem serviço de atendimento diário; com contratos de emprego inserção a funcionarem como quadro de pessoal; e membros de executivos agachados perante o poder partidário. Fora isso, e para os que entendem a função como verdadeiro serviço público, é sempre gratificante quando o seu trabalho constitui mais valia e contribui para o bem estar e desenvolvimento da sua comunidade.

Não gostaria de terminar o meu mandato sem…
Embora face às carências da área territorial da União das Freguesias de Serra e Junceira muitas hipóteses pudessem estar em cima da mesa, o que mais me agradaria seria concluir as redes de distribuição de águas em todos os lugares, especialmente na freguesia da Serra, e a instalação da rede de esgotos em baixa na área onde já se encontra instalada a rede em alta, ou seja, entre o Poço Redondo e o Carril, na freguesia de Junceira.

ORAGO:
Nossa Senhora da Purificação

ÁREA:
34,1 Km2

Ordenação heráldica do brasão e bandeira 
Publicada no Diário da República, III Série de 31/07/1997

ARMAS – Escudo de prata, uma asna de vermelho acompanhada de dois patos bravos, volantes e em cortesia, de sua cor e por um cesto de vindima de púrpura, com uvas de ouro, folhadas de verde; em ponta, duas burelas ondeadas de azul.
Coroa mural de prata de três torres.
Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: SERRA – TOMAR

ORAGO:
São Mateus

ÁREA:
13,2 Km2

Ordenação heráldica do brasão e bandeira
Publicada no Diário da República, III Série de 28/11/1997

ARMAS – Escudo de ouro, com um fio de prumo com sua noz de negro entre um cacho de uvas de púrpura folhado de verde e um ramo de oliveira de verde frutado de negro; em chefe, cruz da Ordem de Cristo.
Coroa mural de prata de três torres.
Listel branco com a legenda a negro: JUNCEIRA

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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