Praia fluvial do Agroal, Ourém. Foto: mediotejo.net

No âmbito do Dia do Município de Tomar, que assinala no dia 1 de março os seus 857 anos de fundação, o mediotejo.net apresenta-lhe uma leitura alargada das 11 freguesias que compõem o território concelhio, com reportagens, história, entrevistas e um passeio guiado pela cidade templária à beira Nabão plantada. Um retrato de Sabacheira, a freguesia que reflete a beleza cristalina do Agroal.

Chamava-se, antigamente, de Vale Sancho ou Vale Sacho. Situada no extremo oriental do concelho, a freguesia de Sabacheira faz fronteira com o concelho de Ourém.  É atravessada pela ribeira de Seiça e pela Linha do Norte, havendo aqui a estação ferroviária de Chão de Maçãs – Fátima. O seu povoamento medieval foi feito através da instituição de casais que, na sua maioria, pertenciam ao rei ou aos grandes senhorios nobres e eclesiásticos. Conforme atestam documentos históricos, por volta do séc. VXI, a freguesia era maior do que é atualmente.

Por exemplo, Formigais, que atualmente é freguesia do concelho de Ourém, pertencia à Sabacheira, que era uma comenda da Ordem de Cristo. No século XIX, Sabacheira pertencia ao concelho de Tomar e depois fez parte do concelho de Ourém. Em 1855, com a nova organização administrativa passa definitivamente a fazer parte do concelho de Tomar.

Foto antiga da Igreja da Sabacheira
Agroal em meados do Séc. XX

Tem a palavra… António Rodrigues da Costa Graça, eleito pelo Partido Socialista, no cargo desde 2013 

– O que tem de melhor e de pior a sua freguesia?
Tenho o orgulho de ser o representante eleito da Freguesia da Sabacheira, um vasto território com cerca de 35km2 e dezenas de aldeias, cada uma com a sua particularidade e identidade, com os seus problemas e soluções próprias. Ter uma forte implantação cultural e recreativa, através das diversas associações. Temos também uma grande variedade de fauna e flora. Estamos bem localizados no território, tendo o nó do IC9 e a Estação de Fátima, única estação da linha do norte no concelho de Tomar, sendo local de transferes entre os diferentes tipos de transportes. Temos junto ao IC9 a futura zona de indústria e serviços, que irá tirar proveitos da localização, dando origem a desenvolvimento e novos postos de trabalho para a freguesia. O pior é o facto de termos os mais de três dezenas de lugares espalhados pelo território, o que dificulta conseguirmos chegar a todo o lado, pois existem muitas necessidades a serem satisfeitas. Também o fato do PDM ter condicionado o nosso desenvolvimento durante duas décadas, algo que irá mudar em breve.

 – Como tem sido a relação da Junta de Freguesia com a Câmara de Tomar?
Se por um lado os executivos desta freguesia sempre foram dinâmicos e trabalharam para o desenvolvimento da mesma, os anteriores executivos da Câmara de Tomar nem sempre corresponderam da mesma forma. Por vezes fomos esquecidos, por vezes prejudicados e infelizmente existem inúmeras provas disso. O atual executivo camarário tem-se mostrado interessado na parte rural e em ser uma mais valia. Por isso trabalhamos em conjunto para realizar novos projetos e tentar fazer o que não foi feito por parte dos anteriores executivos camarários. 

– Que dificuldades sente na gestão da freguesia?
As freguesias têm cada vez mais responsabilidades em diversas áreas e se por um lado isso é bom, pois dá-nos mais autonomia para trabalhar, também é verdade que os recursos são cada vez mais limitados. No nosso caso, existem dificuldades acrescidas, pois durante anos fomos esquecidos, e por isso, além das obras que pretendo fazer e os problemas do dia a dia, existe também muito por fazer relativamente a problemas antigos.

 – O que é mais gratificante no cargo de presidente de junta?
É gratificante conseguirmos atingir os objetivos a que nos propomos, ver as pessoas contentes com o trabalho realizado, pois o meu objetivo final é o bem-estar da população, e é para isso que diariamente trabalho.

 – Não gostaria de terminar o meu mandato sem…
Quando me candidatei, tracei um caminho de gestão da junta, obras e serviços a oferecer à população, que promovessem o bem-estar da população a todos os níveis.  Esse trabalho está a ser feito, sendo que alguns dos resultados só serão sentidos dentro de 2/3 anos. Gostaria de terminar este mandato com todo o trabalho a que me propus realizado, e tudo se encaminha nesse sentido. O projeto da minha candidatura foi pensado por fases de mandato para podemos concretizar cada passo, existindo um fio condutor a longo prazo para os três mandatos.

ORAGO:
Nossa Senhora da Conceição

ÁREA:
34,3 Km2

Ordenação heráldica do brasão e bandeira
Publicada no Diário da República, III Série de 23/07/2001

ARMAS – Escudo de prata, armação de moinho de negro, cordoada do mesmo e vestida de verde e uma roda de azenha de vermelho, alinhadas em faixa, entre uma cruz da Ordem do Templo, em chefe e uma ponte de três arcos de negro, lavrada do campo, firmada nos flancos e movente de um pé ondado de azul e prata de três tiras.
Coroa mural de prata de três torres.
Listel branco, com a legenda a negro: SABACHEIRA

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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