Foto: Ricardo Escada

A tradição remonta há mais de dois séculos e nem o interregno de dois anos de pandemia lhe conseguiu pôr cobro. Em Constância, a segunda-feira a seguir ao domingo de Páscoa em 2022 voltou a ser dedicada à Nossa Senhora da Boa Viagem, não faltando as tradicionais cerimónias religiosas, com a eucaristia, a procissão e, claro, a bênção dos barcos e das viaturas.

Embora a tarde se apresentasse muito ventosa, nem isso demoveu as muitas pessoas que quiseram marcar presença nas cerimónias. Depois da Eucaristia numa igreja repleta de fiéis, seguiu a procissão bem preenchida por entre as ruas enfeitadas da Vila Poema, fazendo parar uns quantos transeuntes, alguns dos quais se juntaram ao cortejo.

Chegados à zona ribeirinha, foi altura de dar a bênção às embarcações, na expetativa de um bom ano nas lides marítimas. Foram várias centenas as pessoas que acorreram às margens dos rios Zêzere e Tejo para assistir à bênção dos barcos presentes, que tal como tinha referenciado Nuno Miguel Silva, padre da paróquia constanciense, durante a eucaristia, quer sejam três, 50 ou 60 barcos, o sentimento é o mesmo para um povo tão ligado ao rio. O pároco disse ainda que “manter viva” esta memória é “uma grande responsabilidade” para o concelho.

Já na Praça Alexandre Herculano – até porque os tempos mudaram e os rios, que eram as estradas de então, passaram a ser menos utilizados que as vias terrestres – procedeu-se igualmente à bênção das viaturas. O som das sirenes das ambulâncias misturou-se com o roncar dos motores das motas, dando assim a tradição como cumprida por mais um ano.

FOTOGALERIA de RICARDO ESCADA:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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