Foto ilustrativa: DR

“Encaro com grande alegria, até porque nós já em eleições anteriores fomos dos três/quatro municípios do país com a abstenção mais baixa”, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), destacando a vontade das pessoas em participar e cumprir um “dever de cidadania” com o seu voto.

A taxa de abstenção no território nacional nas eleições legislativas de domingo foi de 33,77%, de acordo com os dados provisórios divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.

Miguel Borges salientou ainda que o nível de participação dos eleitores do Sardoal, com 3.540 habitantes, maioritariamente idosos e dispersos por quatro freguesias em meio rural, é a prova que apesar de ser um concelho envelhecido as pessoas “não deixam por mãos alheias aquilo que é a sua vontade de participar, o seu dever de cidadania, independentemente do partido onde votam, independentemente do que possam fazer”.

“Fico muito feliz porque, na verdade, o concelho do Sardoal dá aqui uma mostra de grande cidadania. Até neste aspeto, interioridade não é sinónimo de inferioridade. E, na verdade, apesar de alguns lugares mais distantes, é sociológico, e tem sido quase sempre assim no Sardoal. O espírito e o sentido que as pessoas têm do seu dever de cidadania está bem enraizado nas pessoas”, acrescentou o autarca, a cumprir o seu terceiro mandato.

Miguel Borges, presidente CM Sardoal

Com uma taxa de abstenção historicamente baixa em comparação com a taxa de participação nacional, em 2024 o Sardoal bateu um recorde, com a abstenção a situar-se nos 24,34% contra os 33,77% em território nacional.

Em 2022, a abstenção no Sardoal foi de 32,34%, enquanto a nível nacional foi de 48,54%, em 2019 a diferença foi de 33,09%/51,40%, em 2015 29,53%/44,16% e em 2011 29,98%/41,97%.

Nas eleições legislativas de 2024 votaram no concelho de Sardoal 2.387 dos 3.155 inscritos, com o nível de abstenção em cada freguesia a situar-se abaixo dos 27%.

Em Santiago de Montalegre registou-se uma abstenção de 24,78%, na freguesia do Sardoal 26,14% e em Valhascos 26,98%, sendo que a freguesia de Alcaravela teve uma abstenção de apenas 17,97%.

“Fico contente, e este ano é capaz de ter sido um recorde, mas este nível de participação não me surpreende porque, ao longo dos anos, temos tido sempre das mais baixas taxas de abstenção”, disse à Lusa o presidente da Junta de Alcaravela, Paulo Pedro (PSD).

A cumprir o seu terceiro mandato numa freguesia com 14 aldeias e uma população muito envelhecida composta por 690 eleitores, Paulo Pedro assegurou que nada fez para levar as pessoas a votar, “nem com cedência de transporte ou apelo ao voto”, e que o número alcançado é apenas resultado da mobilização popular.

“As pessoas preocupam-se em mostrar a sua opinião nas urnas e mobilizam-se, cada um com o seu transporte ou com familiares, e aproveitaram e foram também à missa e ao mercado semanal”, indicou.

Em Santiago de Montalegre, freguesia com 15 aldeias e 226 eleitores, a taxa de abstenção foi de 24.7%, resultado que enche a presidente da junta, Dora Santos (PSD), de “orgulho” pelo exemplo e participação no ato eleitoral.

“[A população] é composta, na sua maioria, por pessoas de mais idade mas que gostam de participar, pelo que não me surpreendeu mais este ato de cidadania que é um exemplo e referência para a democracia”, disse à Lusa a autarca, que exerce o seu primeiro mandato.

“Foi para isto que se fez o 25 de abril há 50 anos, para as pessoas terem a sua voz, poderem fazer chegar a sua voz através do voto, através das eleições, aos decisores políticos”, corroborou o presidente da Câmara do Sardoal.

A taxa de abstenção nas eleições legislativas de domingo situou-se nos 33,77%, a mais baixa desde 1999, quando ficou nos 38,91%.

Estes valores não incluem ainda os eleitores residentes no estrangeiro, cuja participação e escolhas serão conhecidos a 20 de março.

Nas legislativas anteriores, em 30 de janeiro de 2022, a taxa de abstenção situou-se nos 48,54%, verificando-se já uma participação eleitoral superior à registada nas legislativas de 2019, ano em que a abstenção atingiu o recorde de 51,43%.

No concelho de Sardoal, o Partido Socialista foi a força política mais votada conseguindo 738 votos seguida da AD com 723, uma diferença de 15 votos. O Chega foi a terceira força mais votada tendo obtido 460 votos e o Bloco de Esquerda a quarta, com 107 votos.

Em Portugal, dos 9.139.117 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais, 6.051.460 exerceram o direito ao voto, mas o número da abstenção das legislativas deste ano ainda não está fechado, uma vez que faltam contar os votos dos emigrantes, o que pode alterar o valor da abstenção.

Nas legislativas de 2024, a AD ganha as eleições com 29,49%, mas não ficou muito longe dos resultados do PS, com 28,66%. O Chega consegue 48 deputados.

c/LUSA

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply