Foto: JAC

A aplicação dos cerca de 20 mil euros angariados no evento solidário “Recuperar Tomar” esteve em debate na reunião do executivo municipal, com posições distintas quanto à forma de utilização do montante, num contexto em que continuam a ser apontadas falhas na resposta estatal após a tempestade que afetou o concelho.

A vereadora do PS, Filipa Fernandes, defendeu que o valor deve ser canalizado de forma imediata para apoio direto às famílias afetadas, sublinhando que, três meses após o fenómeno, muitos agregados continuam sem receber ajuda.

Segundo a autarca, “o Estado falhou na sua resposta”, apesar de ter prometido celeridade, existindo ainda famílias “à espera desse apoio económico”. Neste contexto, considerou não ser “coerente” que os 20 mil euros permaneçam por utilizar, propondo que sejam direcionados “de forma imediata e prioritária” para quem mais necessita, nomeadamente nas freguesias mais afetadas.

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora eleita pelo PS

O presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão (Coligação AD – PSD-CDS-PP), explicou que o objetivo inicial da verba estava associado ao reforço da capacidade de resposta das Juntas de Freguesia, sobretudo ao nível das comunicações, identificadas como uma das principais dificuldades nos primeiros momentos após a tempestade. A ideia, que partiu da associação Tomar Iniciativas, passou pela realização de um concerto solidário com esse propósito.

Contudo, o autarca referiu que, entretanto, foi anunciado um apoio no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que prevê a aquisição de geradores e equipamentos de comunicação para as juntas, o que levou a reavaliar o destino da verba. Ainda assim, sublinhou que, tal como acontece com as famílias, também as autarquias aguardam concretização desses apoios, não havendo ainda certezas quanto à sua execução.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Tiago Carrão recordou também que o município registou prejuízos na ordem dos sete milhões de euros em infraestruturas, rede viária e equipamentos, sem que, até ao momento, tenha sido definida uma linha de apoio concreta. Neste enquadramento, admitiu que a verba angariada possa ser canalizada para outras necessidades identificadas após a tempestade, como o apoio a instituições particulares de solidariedade social, nomeadamente lares, que enfrentaram dificuldades significativas.

Apesar disso, o presidente garantiu que as situações mais críticas entre as famílias estão identificadas e a ser acompanhadas pelos serviços sociais, no âmbito dos mecanismos de apoio já definidos.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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