É oficial, terminaram as tréguas que a época das festas anualmente impõe.
A boa disposição natural começa a dar lugar a uma indisposição incómoda e a tolerância ilimitada começa a ser trocada por uma intolerância militante.
Há exceções que se satisfazem com pouco, “poucochinho”… e que desse “poucochinho” justificam que afinal até se faz quando tantos dizem que não se faz, mas até esses, transformam o que parece positivo no seu contrário, usando a ironia de forma hipócrita e com base em falácias.
O ano acabou de começar mas novidades, nem vê-las. Será mais do mesmo quando precisamos tanto mais do contrário.
Vaidades cegas que tentam cegar, interesses corporativos individuais, pensamento tático que olha para hoje ignorando o amanhã. É assim… mas devia ser ao contrário.
Bem sei que o ano é muito daquilo que nós quisermos e essencialmente do que nós fizermos, mas não consigo deixar de ser um espelho da desilusão que me acompanha quando olho para aquilo que não posso controlar.
Também sei que me devo focar apenas naquilo que posso influenciar ou modificar, mas não consigo ficar indiferente à demagogia local e à falência de uma alternativa nacional.
À falta de melhor, com “pimentos” se inova e se escondem os anos em que ficámos parados à espera de um milagre. Os anos passaram e, para mal dos nossos pecados, o milagre não chegou. Mas chegaram os “pimentos” com a promessa de um futuro anunciado pelo milagre eternamente adiado.
À falta de melhor às vezes é um mal menor. E aqui confesso que estou baralhado. Estava convencido que um “santana” se afogaria num qualquer “rio” sem saber que era impossível isso acontecer num “rio” que entretanto secou… antes de dar à “costa”.
Em última análise, resoluções que rimam com desilusões. Por mim, mas não só, por muitos mais. Se calhar, por todos e se assim não for, não andará longe. Mesmo por aqueles que acham o contrário.
Nem tudo é o que parece. E muito do que é… acaba por se revelar muito pior do que aquilo que parecia. Não para todos, mas seguramente, para a maioria.
Desculpem-me esta acidez refletida pela minha desilusão. Não é um estado de espírito. É apenas uma tentativa de revolta de uma voz que se sente a ecoar no deserto.

nao estas sozinho nesta penuria de sensaçoes e sobretudo de iniciativas concretas…mas
a esperança é a ultima a morrer, diz o povo..e nos devemos continuar a criar e desenvolver…pelo menos dá-nos alegria e paz de espirito..abraço