Mesmo antes de entrarmos na quadra natalícia, o Parlamento Europeu conseguiu aprovar na sua última reunião plenária a dita “bazuca financeira”, isto é, autorização para a UE ir aos mercados levantar os 750 mil milhões de euros que vão permitir financiar o fundo de recuperação “Próxima Geração UE”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, teve a oportunidade de declarar no Parlamento Europeu: “Com estes votos, estão a escrever a “História. (…) Vão permitir a mais ambiciosa transformação da economia europeia em muitas décadas.”
Sem dúvida que esta “bazuca“ já é há muito esperada, mas ao chegar agora é um presente no sapatinho da Europa para dar prioridade ao investimento nas energias renováveis e sustentabilidade ambiental, como também na reconversão do edificado existente e na anunciada regeneração Digital, cumprindo as metas definidas no acordo de Paris (2015), numa estratégia global de tornar as nossas economias mais resilientes, apoiando reformas estruturais que, esperamos todos nós que, vão disponibilizar recursos financeiros para os lugares onde eles são precisos e para as pessoas que mais precisam, dando o apoio e a esperança para ultrapassar esta nova normalidade que vivemos.
É neste registo natalício que gostaria de reforçar os meus desejos para 2021 no Médio Tejo. Desejo que este Natal possa ser o momento para que esta região seja um paradigma para entendermos um novo tempo pós-Covid. Sim, a emergência do novo pede-nos uma renovada audácia de ser e revisitar para onde vamos e o que queremos para este Médio Tejo.
Abrantes territorial e empresarial “…congrega atualmente um conjunto de funções direcionais de iniciativa pública com capacidade para projetar externamente o concelho num papel de maior centralidade e relevância no contexto da sua envolvente regional. Aproveitando o seu potencial de projeção externa e de capacidade de polarização regional da cidade de Abrantes, como também a capacidade do concelho em fixar investimentos produtivos de média e grande dimensão. Esta capacidade está historicamente alicerçada em fatores como a localização e as condições de conectividade externa, associadas à disponibilização de soluções de instalação empresarial adequadas à existência de cultura industrial em parceria com outros agentes, como também é o fator diferenciador da atuação territorial do Tecnopolo do Vale do Tejo no contexto regional, supra-regional.”
Entroncamento concentrado e intermodal “…passa por conseguir atrair a realização de investimentos que tirem partido da sua localização privilegiada, regional e nacional, e da existência de importantes ligações ferroviárias e rodoviárias como também a consolidação de permanência de uma população relativamente jovem, urbana, qualificada e com poder de compra e que soma à oferta imobiliária competitiva uma oferta de serviços e de espaços de lazer de qualidade, diferenciada e articulada com o espaço publico, destacando a recente existência do Museu Nacional Ferroviário que constitui um fator importante na consolidação da temática cultural e histórica do caminho de ferro em Portugal e que permita alargar à população visitante a inserção do Entroncamento nos canais turísticos que possam permitir prolongar a estadia em Lisboa e na região.”
Torres Novas acessível e logístico “…tem como desafio a requalificação urbana que se iniciou em 2001 e potenciar a proximidade da grande região de Lisboa do país na captação da população atraída pelo modelo de vida, por uma localização afastada do congestionamento, mas próximo da capital do país, como também atrair investimentos que podem reorientar a sua decisão de localização, em função dos critérios de crescer com qualidade e o forte investimento ao nível das infra-estruturas culturais e desportivas criadas no concelho numa vontade de mudança e esforço concertado para revitalizar Torres Novas.”
Tomar patrimonial e turístico “…procura a afirmação e valorização na inovação urbana e funcional em articulação com os restantes centros urbanos da região, consolidando-se, não só como centro turístico e cultural, mas também residencial do conhecimento, serviços e lazer, agregado de massa crítica urbana e projetando na marca Templária a sua dimensão nacional e internacional, aumentando o desenvolvimento turístico, gerador de riqueza e emprego e também na valorização do património histórico-cultural assente na preservação do património arquitetónico, símbolo de identidade e cultura reconhecido.”
Retiro uma conclusão destes textos que transcrevo dos municípios de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Tomar dos seus respectivos planos estratégicos em vigor ainda para este quadro comunitário (QCA-2020). É que já existem vários desejos imaginários para o Médio Tejo.
No espírito que neste dia vivemos, concluo com as palavras do poeta E.E.Cummings que afirmava, e com razão, que “nunca nascemos o suficiente”.
