“As análises efetuadas pela PSP apresentam uma carência bioquímica e química de oxigénio extremamente elevada (até 28 vezes superior ao limite para um bom estado ecológico, o estado normal do rio Almonda), típicas de uma descarga ilegal de poluentes, possivelmente de origem não doméstica. Contudo, e apesar de todos os esforços, não foi possível identificar a origem da mesma, estando a investigação a cargo das entidades judiciais competentes”, indicou o município de Torres Novas, tendo disponibilizado à população os resultados das análises à qualidade da água do rio para consulta pública.
Em declarações à Lusa, o vereador com o pelouro do Ambiente do município de Torres Novas, João Trindade, disse que, após um “episódio grave poluição ambiental completamente anormal”, ocorrido a 6 de agosto e que obrigou à “remoção de milhares de peixes” do Almonda, “é levantada agora a interdição à pesca e atividades lúdicas” no rio, tendo lamentado a ocorrência e a não identificação do (s) autor (es).
“Estamos perante uma situação completamente anormal e que não é de todo fácil e não compete também à Câmara indicar quem foi. Sendo uma descarga ilegal é um crime, de grande magnitude e com as consequências que teve, e sim, é um crime ambiental a lamentar”, afirmou, tendo indicado que a investigação para apurar os responsáveis continua a decorrer.
“Nós não sabemos o estado atual da investigação, contudo, sabemos que ela ainda não foi encerrada porque tem de nos ser comunicado, ou seja, ainda não nos foi dado conhecimento do desfecho da mesma, por isso ela continuará a existir”, declarou.

ÁUDIO | JOÃO TRINDADE, VEREADOR AMBIENTE CM TORRES NOVAS:
Segundo o município, a divulgação pública das análises decorre apenas agora, mais de quatro meses após a ocorrência que provocou a mortandade de cerca de uma tonelada de peixe e que motivou a indignação da população, uma vez que, indicou, só recebeu as análises oficiais no dia 28 de outubro e obteve a “autorização de divulgação” no dia 05 de novembro.
“Para além destas análises, disponibilizámos à população um conjunto alargado de análises ao rio, onde é possível acompanharem a evolução da qualidade ao longo do seu curso e ao longo destes últimos três anos, e permite-nos realmente conhecer o estado bom e excelente que o rio vai tendo nesta zona da cidade. É assim que ele é caracterizado, com exceção realmente deste incidente grave, que ocorreu no dia 6 de agosto”, disse hoje João Trindade.
Para além do “reforço das ações de monitorização regular da qualidade da água do rio, o município de Torres Novas, em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e outras autoridades, está a preparar um plano de ação para intensificar a fiscalização, identificar potenciais focos de poluição e prevenir futuros incidentes”, indicou a autarquia, em comunicado.
“Aumentámos a nossa fiscalização e identificação dos pontos de descarga, comprámos também uma sonda para a qualquer altura sabermos a qualidade da água, em qualquer ponto do rio, e vamos continuar estes trabalhos todos de limpeza de margens, de renaturalização de margens e este trabalho que temos vindo a fazer no rio, como o corredor ecológico, e vamos continuar porque nós estamos realmente muito comprometidos com a qualidade do rio, com o rio, com o acesso ao rio, e com o aproximar as pessoas do rio”, vincou Trindade.
Tendo dado conta de “compreender a revolta” da população pelo sucedido e por não terem sido identificados os responsáveis, o vereador do Ambiente destacou o sentimento de pertença comunidade pelo rio Almonda, “marca identitária” de Torres Novas.
“Apesar desta situação, a população não esconde o amor e o trabalho que nós temos todos por este rio e deixo uma mensagem também de esperança, porque infelizmente dias maus ocorrem, mas teremos sempre mais dias bons do que este dia mau que ficará, infelizmente, na história de Torres Novas”, concluiu.
