Pontão em Casais de Revelhos. Foto; CMA

Abrantes registou 45 das ocorrências, incluindo três desalojados, e é o município mais afetado, seguido do Sardoal. A Proteção Civil admite que o acesso a Casais de Revelhos já com acesso condicionado a uma via e apenas disponível para viaturas ligeiras, poderá vir a ser totalmente interditado, caso a engenharia municipal confirme danos estruturais na ponte e no caminho de acesso à aldeia.

O Comando Sub-Regional do Médio Tejo contabiliza 134 ocorrências provocadas pela depressão Cláudia, que trouxe chuva intensa e persistente à região durante as últimas horas. Até às 11h30, Abrantes somava 45 incidentes, entre inundações, quedas de árvores e movimentos de massa, e é o município mais afetado.

Seguem-se o Sardoal (19), Torres Novas (14), Ourém e Entroncamento (13 cada), Tomar (11), Mação (8), Alcanena e Ferreira do Zêzere (4 cada) e Constância (2). Vila Nova da Barquinha não registou ocorrências até ao momento.

As tipologias mais frequentes incluem 49 inundações de superfícies — 27 em Abrantes e 10 no Sardoal —, 20 quedas de árvores, destacando-se Torres Novas (6), Tomar (5) e Ourém (4), e 15 movimentos de massa, cinco deles em Abrantes e cinco em Mação.

O caso mais sensível ocorre em Casais de Revelhos, Abrantes, onde uma ponte de acesso apresenta sinais de instabilidade, estando a Proteção Civil e os serviços municipais a avaliar a possibilidade de interdição.

Em declarações ao mediotejo.net, o comandante sub-regional David Lobato confirmou que o volume de ocorrências continua elevado, embora com tendência de estabilização:

“Continuamos a ter algum trabalho, agora um pouco mais aliviado, mas ainda estamos com 134 ocorrências registadas desde o início da Depressão Cláudia. Abrantes é o município mais afetado, seguido do Sardoal.”

Sobre a situação de Casais de Revelhos, Lobato explica que está em curso uma avaliação técnica delicada:

“Estamos já a envidar esforços numa situação em Casais de Revelhos, onde está a ser avaliada pela engenharia e pelo serviço municipal a possibilidade de um caminho estar em risco. Só depois dessa avaliação poderemos ter dados concretos.”

Depressão Cláudia deixa 134 ocorrências no Médio Tejo e coloca ponte em risco em Casais de Revelhos. Foto: DR

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE PROTEÇÃO CIVIL MÉDIO TEJO:

O comandante admite que a interdição do acesso, total ou parcial, poderá vir a ser necessária:

“Se houver decisão por parte do município de interditar o caminho, totalmente ou apenas a pesados, terão de ser encontradas alternativas. As obras nestes contextos demoram tempo e os terrenos ainda não estão em condições para intervenções.”

Em Casais de Revelhos a população ficou impedida de sair da localidade durante a manhã de quinta-feira. A ribeira que corre junto à entrada da aldeia subiu de forma repentina e acabou por galgar a ponte, tornando impossível a circulação automóvel e isolando temporariamente os moradores.

Na manhã de sexta-feira, a Junta de Freguesia foi alertada para eventuais danos na estrutura da ponte, consequência direta da força da água que, durante várias horas, embateu com intensidade na estrutura. Perante o aviso, o presidente da União de Freguesias de Abrantes, João Marques, deslocou-se ao local e confirmou ao nosso jornal a necessidade de adotar medidas imediatas, com o corte da circulação a pesados.

“Vamos proceder ao corte do trânsito a veículos pesados, de forma preventiva”, adiantou o autarca, sublinhando que a decisão visa evitar sobrecargas numa estrutura que poderá ter sido fragilizada.

“A seguir vamos tentar perceber o que se terá de fazer, porque os danos deverão ser ao nível da estrutura. Terá de ser feita uma intervenção, de forma a salvaguardar a segurança de quem aqui transita”, acrescentou João Marques, indicando que será realizada uma avaliação técnica para determinar a extensão dos estragos e as soluções a implementar. O autarca acompanhou a jornalista do mediotejo.net em reportagem (AQUI).

Proteção Civil destaca trabalho preventivo no evitar de males maiores

Questionado sobre as prioridades atuais para a sub-região do Médio Tejo, o comandante David Lobato destacou o trabalho preventivo já realizado e o esforço contínuo no terreno:

“Houve um grande trabalho de antecipação, e bem, caso contrário as coisas teriam sido muito mais complicadas. Agora é limpar aquilo que derivou da muita pluviosidade, avaliar danos em estruturas e avançar com reparações assim que a meteorologia permitir.”

As previsões apontam para melhoria gradual: “Ainda teremos chuva hoje e amanhã, mas deverá aliviar a partir de segunda-feira. Só então conseguiremos uma avaliação mais fidedigna dos pontos críticos”, declarou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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