Sistema de depósito com retorno é um dos maiores projetos ambientais - ministra do Ambiente. Foto: SDR

O sistema de depósito com retorno (SDR), denominado Volta, pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos (plástico e metal) até 2029, disseram os responsáveis no lançamento oficial da marca.

O sistema consiste em, a partir de 10 de abril, depositar-se garrafas de plástico e latas até três litros em máquinas, com a retribuição de 10 cêntimos por cada objeto depositado. Não serve para garrafas de vidro, embalagens de cartão nem outros plásticos.

Numa cerimónia com a presença da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, o presidente do conselho de administração da SDR Portugal (entidade gestora para implementar e gerir o sistema), Leonardo Mathias, e Lia Oliveira, diretora de Marketing e Comunicação, explicaram que o alvo do projeto são os 2.1 mil milhões de unidades de garrafas de plástico e alumínio usadas em cada ano.

Recordando que o sistema já existe nalguns países há 40 anos, que conseguem fazer uma recolha de 90%, Leonardo Mathias lembrou também que o SDR devia estar pronto em 2022 e afiançou que a implementação vai contribuir para as metas de recolha e reciclagem de embalagens que o país tem de cumprir.

Os responsáveis esperam que venha a ter impacto na limpeza urbana, que venha permitir melhor reciclagem e reduzir a deposição em aterros, além de uma redução de emissões de gases com efeito de estufa, promovendo a economia circular.

Por cada embalagem colocada numa das 2.500 máquinas e 48 quiosques em todo o país, junto de supermercados, por exemplo, o consumidor recebe o equivalente a 10 cêntimos, que pode converter em dinheiro, em descontos ou ser doado a uma instituição. As embalagens são depois levadas para pontos de reciclagem.

A partir do próximo mês, salientou o responsável, os portugueses devem mudar uma atitude de 30 anos e em vez de espalmarem as embalagens devem coloca-las inteiras e sem líquidos nas máquinas e não nos ecopontos.

Mas, notou, cada embalagem tem de estar intacta, tem de ter o símbolo Volta, ter tampa e ter bem visível o código de barras.

Segundo os responsáveis, a partir de abril haverá uma aplicação para ajudar nas dúvidas dos consumidores. Já foram instaladas mil máquinas e 14 dos quiosques (com maiores capacidades) estão em fase de construção.

Até agosto devem coexistir embalagens com e sem o símbolo Volta e pretende-se que até ao fim do ano se normalize “o hábito de integrar a Volta no dia a dia”. Na quinta-feira vai começar uma campanha de comunicação sobre o novo sistema.

Sistema de depósito com retorno é um dos maiores projetos ambientais – ministra do Ambiente

A ministra do Ambiente considerou que o sistema de depósito com retorno, formalmente apresentado esta tarde, é “talvez um dos maiores projetos ambientais que Portugal está a implementar”.

Falando no final da apresentação do sistema Volta, de recolha de embalagens de plástico e metal com compensação financeira (10 cêntimos), Maria da Graça Carvalho recordou que o setor dos resíduos é dos “mais difíceis” em termos de metas europeias, e avisou: “continuamos a produzir muitos resíduos, não estamos a reduzir nem a separar o suficiente”.

O SDR, que entra em funcionamento no próximo mês, já é usado em 18 países e com bons resultados, disse a ministra, acrescentando esperar que o sistema ajude a mudar mentalidades.

Num discurso no final da apresentação a ministra já tinha dito que o SDR seria fundamental para o cumprimento das metas nacionais e europeias de reciclagem.

“É talvez o maior projeto ambiental alguma vez implementado em Portugal”, e é um investimento de 150 milhões de euros sem financiamento público, disse, recordando que no próximo ano os sacos de plástico de uso único devem também ser substituídos por outros mais sustentáveis.

O Governo, disse Maria da Graça Carvalho, está empenhado em aumentar as metas de reutilização e diminuir o consumo de plásticos.

E está, recordou, a trabalhar com o setor da distribuição para diminuir o peso das embalagens nos produtos à venda, admitindo regulamentar no caso e não se conseguir um acordo.

Questionada sobre uma possível crise de energia decorrente da guerra a ministra recordou que há reservas de petróleo e gás para cerca de três meses, falou de apoios para o caso de aumentos superiores a 10 cêntimos no petróleo, e lembrou a existência de cláusulas de emergência relativamente ao gás para proteger o preço da eletricidade, e para proteger o preço do próprio gás.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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