Deposição ilegal de fibrocimento continua a preocupar Tomar. Câmara avança com recolha de 120 toneladas. Foto: CMT

Na última reunião do executivo municipal, que decorreu na segunda-feira, o vereador do Partido Socialista, José Delgado, alertou para a persistência deste fenómeno, defendendo que, apesar das dificuldades existentes, é necessário reforçar a resposta das entidades locais.

“A situação continua. Eu sei, nós sabemos que não é fácil, mas sabemos que algo tem que ser feito”, afirmou. Segundo o autarca, tem-se verificado que “aquela população menos sensível está a remover o fibrocimento e está a depositá-lo em zonas públicas”, lembrando que o amianto presente neste tipo de materiais “provoca cancro por inalação”.

Face à escassez de recursos humanos, José Delgado sugeriu um maior envolvimento das juntas de freguesia e apontou também um possível papel da Resitejo na deteção destes depósitos ilegais.

ÁUDIO | José Delgado, vereador eleito pelo PS

“Talvez a Resitejo, que vê todos os dias este acumular de fibrocimento junto dos contentores, pudesse criar aqui um sistema de comunicação no sentido de alertarem para onde existem estes depósitos”, referiu, considerando que essa articulação permitiria criar “uma dinâmica de aviso sobre as zonas onde estão a ser depositadas estas chapas de fibrocimento com amianto”.

O vereador alertou ainda para a dimensão do problema, admitindo que possam já existir “centenas de metros quadrados” deste material dispersos pelo concelho. Para José Delgado, importa também dar o exemplo e assegurar o cumprimento das novas regras aplicáveis à gestão destes resíduos perigosos, defendendo “um trabalho conjunto com diversas entidades no sentido de otimizar a recolha destes resíduos”.

Foto: DR

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, explicou que o município tem vindo a desenvolver procedimentos específicos para a remoção do fibrocimento identificado no território.

O autarca recordou que inicialmente foi lançado um procedimento para a recolha de 20 toneladas de resíduos, valor que acabou por se revelar insuficiente após uma avaliação mais detalhada das necessidades existentes.

“Houve um primeiro procedimento de 20 toneladas, que era otimista, e tivemos que fazer um segundo procedimento de 120 toneladas”, afirmou. Segundo Tiago Carrão, esse novo procedimento acresce às 20 toneladas já anteriormente consideradas e destina-se a dar resposta aos locais já identificados.

De acordo com o presidente da Câmara, o prazo para apresentação de propostas terminava precisamente naquele dia, sendo que a abertura das propostas e a respetiva adjudicação poderão avançar de imediato.

Tiago Carrão explicou ainda que algumas freguesias já beneficiaram das intervenções realizadas ao abrigo do primeiro procedimento, enquanto outras, particularmente as mais afetadas pela tempestade que atingiu o concelho, continuam a necessitar de operações de maior dimensão.

“Há freguesias onde esse serviço já foi feito com o primeiro procedimento. Há freguesias, em particular aquelas mais afetadas pela tempestade, onde são muitas toneladas, nalgumas delas dezenas de toneladas, que têm que ser recolhidas em espaços que foram designados para o efeito”, referiu.

O autarca reconheceu também a existência de deposições ilegais por parte de particulares, corroborando as preocupações levantadas pelo vereador socialista.

“Há esse fenómeno que o vereador José Delgado fala, em que realmente as pessoas estão a despejar em tudo menos nos locais controlados e definidos”, afirmou, classificando o cenário como preocupante.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Ainda assim, Tiago Carrão considerou importante estabelecer limites na atuação municipal. “O procedimento que fizemos agora, de 120 toneladas, é para limpar tudo aquilo que está identificado. Não podemos continuar eternamente com as pessoas a depositar”, alertou, acrescentando que é necessário distinguir os resíduos resultantes dos estragos provocados pela tempestade daqueles que decorrem de comportamentos indevidos posteriores.

O presidente da Câmara mostrou-se confiante de que a operação agora lançada será suficiente para responder às necessidades atualmente conhecidas. “Segundo as nossas estimativas, será suficiente para fazer face aos depósitos identificados e disponibilizados pelas juntas de freguesia”, disse, destacando o papel destas entidades, que têm sido “parceiros desde a primeira hora”.

Quanto à possibilidade de envolver a Resitejo na sinalização de novos depósitos, Tiago Carrão considerou a proposta pertinente, revelando ter já agendada uma reunião com a entidade.

“Farei chegar esta preocupação. Se puderem colaborar dessa forma na identificação, poderá ser uma ajuda importante”, afirmou, reconhecendo que, apesar do conhecimento de proximidade das juntas de freguesia, “é impossível conhecerem todo o tipo de depósitos”.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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