O Cineteatro São João foi palco de um debate público que juntou os sete candidatos à presidência da Câmara Municipal do Entroncamento, num dos momentos mais marcantes da pré-campanha autárquica.
Numa organização conjunta do EOL e mediotejo.net, o debate foi vivo e participado, tendo revelado propostas distintas, confrontos ideológicos e momentos acesos entre os adversários políticos, revelando a diversidade de visões sobre o futuro do concelho. perante uma plateia atenta e participativa.
Moderado pelos jornalistas Mário Rui Fonseca (mediotejo.net) e Ricardo Alves (EOL – Entroncamento On Line), participaram no debate Mário Balsa (PS), Rui Madeira (PSD/CDS/Independentes – “Viva o Entroncamento”), Nelson Cunha (Chega), João Félix (CDU), Júlia Pereira (BE), Rui Simões (Livre) e Manuel Lima (Independente – “Entroncamento na linha certa”).

Ao longo de cerca de três horas, os candidatos abordaram temas como segurança, educação, habitação, economia e diferenças ideológicas, gerando momentos de tensão, esclarecimento e convergência pontual.
VIDEO/DEBATE CM ENTRONCAMENTO:
Na segurança, as posições foram divergentes. Mário Balsa defendeu o reforço da iluminação pública e a instalação de videovigilância em zonas críticas, com Rui Simões a defender a criação de uma polícia municipal mas com “missão construtiva” e não de “caça à multa”. João Félix contrapôs a necessidade de uma abordagem comunitária, afirmando não querer uma “cidade vigiada”, antes uma “cidade vivida”.
Nelson Cunha pediu autoridade, firmeza e tolerância zero para a criminalidade, incluindo polícia municipal armada, enquanto Júlia Pereira destacou a educação e a cultura como ferramentas de prevenção. Um momento surgiu quando Cunha afirmou que a criminalidade aumentou nos últimos anos, sendo contrariado por Félix, que citou dados da GNR que indicam estabilização nos indicadores criminais.







A habitação gerou confrontos diretos entre os candidatos. Nelson Cunha defendeu que terrenos públicos devem servir para habitação acessível, Mário Balsa respondeu que já existem projetos em curso para habitação jovem, Rui Simões propôs a criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana ( SRU) entre o município e os proprietários, e Rui Madeira sugeriu parcerias com promotores privados. Todos defenderam a necessidade de mais habitação e a custos acessíveis para atração e fixação de pessoas.
Durante este bloco, Madeira questionou a concretização dos projetos do PS, ao que Balsa respondeu que os projetos estão aprovados, financiados e em execução.

Neste campo foi lembrado o chumbo da atual oposição ao executivo PS, de maioria relativa, para a construção de 100 apartamentos a preços acessíveis, com financiamento assegurado a 100%, tendo os candidatos, nomeadamente do PS e da AD – Coligação PSD/CDS, assegurado querer resgatar o projeto.
No domínio económico, João Félix valorizou o comércio local como “a alma da cidade”, Rui Madeira falou da criação de um Gabinete do Investidor para atrair empresas, Júlia Pereira destacou a economia social e cooperativas e Rui Simões propôs a criação de dois centros de CoWork, do Programa de Revitalização do Comércio RevitaMais, e de um Conselho Municipal das Actividades Económicas.

O debate contou ainda com confrontos ideológicos. Júlia Pereira (BE) acusou o Chega de ser “um partido fascista”, ao que Nelson Cunha respondeu que fascista é quem quer impor uma visão única, num dos momentos mais acalorados da noite e que mereceu intervenções de quase todos os candidatos.
João Félix (CDU) afirmou que a Câmara é um instrumento democrático ao serviço das pessoas, enquanto Rui Madeira (AD – Coligação PSD/CDS) defendeu que a ideologia não deve travar o desenvolvimento. Rui Simões (Livre) disse que entende a governabilidade como “essencial, ganhando ou não” e “sempre no espaço público”, que considerou ser “o verdadeiro gabinete dos autarcas”. Já Carlos Lima (Movimento independente) defendeu uma gestão pragmática, sem bandeiras partidárias.
Apesar das divergências, houve momentos de convergência. A proposta de Mário Balsa de um pacto interpartidário pela juventude, com medidas concretas em habitação, emprego e participação, foi bem recebida por vários candidatos e aplaudida pelo público.

O debate revelou sete visões distintas para o Entroncamento e evidenciou que as eleições de outubro serão determinantes para o rumo político e estratégico do concelho, destacando a importância do voto informado e da escolha consciente por parte dos eleitores.
