A autora, natural de Santarém e residente em Abrantes, conquistou o galardão com o livro “Entra-se na Casa pelo Pátio”, distinguido por unanimidade entre 222 candidaturas. O prémio tem o valor de 1.500 euros e o livro será publicado pela Dom Quixote em março de 2026, marcando assim a estreia literária da autora.
Carla Louro concorreu sob o pseudónimo Clara Fazenda e viu a sua obra elogiada pelo júri — presidido pela poeta e editora Maria do Rosário Pedreira — como “um livro íntimo, feminino e muito emotivo, embora nunca sentimental, bem como de uma poesia clara, mas não simplista”.
O júri sublinhou ainda a originalidade da escrita, onde “as linhas do poema, dos cadernos ou de coser” se cruzam numa rede de metáforas simples e inesquecíveis. Para o júri, constituído ainda por Cecília Andrade, editora das Publicações D. Quixote e dos livros de Nuno Júdice (1949-2024), e por Ricardo Marques, Filipa Leal e Sandra Mendes, “é importante referir que o texto [de Carla Louro] é de uma extraordinária contenção, sobretudo tendo em conta a sua grande profundidade”.
O júri destacou a originalidade do livro, “onde não faltam analogias e metáforas aparentemente simples, mas que se revelam inesquecíveis e fulgurantes”. Entre elas, “sobressaem as que se relacionam com as linhas, que tão depressa são as linhas do poema ou as linhas dos cadernos em que se escreve como são as linhas de coser”.
Carla Louro nasceu em Santarém em 1969. É licenciada em Arquitetura pela Universidade Lusíada, e trabalha, atualmente, no município de Abrantes. Entre os seus poetas de eleição estão Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral e Adília Lopes.
O prémio criado no âmbito dos 60 anos da Dom Quixote, vem prestar homenagem a Nuno Júdice, um dos mais destacados poetas de língua portuguesa.
Em declarações ao mediotejo.net, a autora confessou ter recebido a distinção “com uma alegria enormíssima” e com um profundo “sentido de responsabilidade, precisamente pelo prémio que é e pela figura de Nuno Júdice”.
Sobre a obra vencedora, explicou que “Entra-se na Casa pelo Pátio” “fala de uma visão poética que envolve os espaços domésticos onde habitamos todos os dias, com a vida quotidiana que ocorre neles, e com memórias de família, de infância, de amigos — um bocadinho daquilo que é a nossa vida no dia-a-dia, com uma visão também enquanto arquiteta”.
A escritora revelou que saber do prémio Nuno Júdice foi o impulso decisivo para reunir o material poético que vinha produzindo há anos.
“O que me levou a concorrer foi precisamente o facto de ser o prémio que é. Isso motivou-me a reunir os textos antigos e recentes e a organizá-los numa estrutura de livro coerente. Foi algo que nunca tinha feito antes”, contou.

ÁUDIO | CARLA LOURO, VENCEDORA DO PRÉMIO DE POESIA NUNO JÚDICE:
Para Carla Louro, a distinção é “um enorme incentivo, mas também uma grande responsabilidade”.
“É uma motivação muito grande para continuar e as reações das pessoas têm sido um enorme estímulo”, acrescentou.
Viver e trabalhar em Abrantes desde 2002, onde exerce a profissão de arquiteta no município, é algo que a autora considera também marcante na sua forma de olhar o quotidiano.
“Seguramente haverá oportunidade, depois do lançamento do livro, para o apresentar à comunidade abrantina e escalabitana”, adiantou, manifestando o desejo de partilhar este momento com as pessoas e lugares que inspiram o seu percurso.
O Prémio de Poesia Nuno Júdice, destinado a livros inéditos, tem como propósito homenagear o poeta e ensaísta recentemente falecido e “dar à poesia a importância que merece”, afirmou a Dom Quixote aquando da criação do galardão.
Para Carla Louro, esta distinção é um marco simbólico e afetivo: “Saber que é um prémio que celebra o nome e a obra de um poeta que admiro profundamente torna tudo ainda mais especial.”
