A canoísta abrantina, Francisca Laia. Créditos: David Belém Pereira / mediotejo.net

Parabéns ao Clube Desportivo “Os Patos”, pelos valores e pela coragem! Como diz o seu lema: “desde 1982 ao serviço da juventude”. Neste caso, especificamente ao serviço dos seus atletas.

Importa fazer uma declaração prévia de interesses: sou de alguma forma suspeito, já que fui atleta do clube durante vários anos – nomeadamente na secção de judo, tendo também feito uma passagem pelo trampolim. No entanto, também importa clarificar que isso já foi há várias décadas e que, desde essa altura, nada me liga aos Patos.

De qualquer forma, não escondo que escrevo esta crónica com uma pontinha de orgulho. Nos Patos e, particularmente, na sua direção – na sua coragem de defender publicamente a atleta Francisca Laia. Na coragem de fazer o que deve ser feito, mesmo quando seria mais confortável não fazer nada.

Este texto não versa sobre o resultado positivo do controlo antidoping a que esta atleta olímpica foi sujeita numa prova internacional menor. Muito menos sobre o nível estratosférico de idiotice e desonestidade necessários para alguém acreditar e defender que uma atleta do nível e com os conhecimentos da Francisca correria esse risco. Menos ainda sobre ter – termos, aliás, pois felizmente há muitos que, como eu, conhecem a Francisca e a sua espinha dorsal – a certeza de que a Francisca não fez nem nunca faria tal coisa.

Este texto também não é sobre o lamaçal deprimente a que consegue chegar a “política” concelhia em Abrantes. Eu vi – e li –, com os meus próprios olhos, movimentos da oposição utilizarem este tema para fazer política contra o executivo municipal atual. Sim, isso mesmo, a utilizarem o resultado positivo de um controlo antidoping a que a atleta olímpica abrantina Francisca Laia foi sujeita numa prova internacional menor para criticar o executivo municipal por apoiar a maior atleta do nosso município.

Este texto é sobre a verticalidade dos Patos e da sua direção face a este pseudo-caso, patente no comunicado que emitiram.

Claro. Sóbrio. Simples. Com propósito único: defender a sua atleta.

Mais do que a atleta, defender a pessoa. Defender a Francisca. Que tanto lhes deu; que tanto deu, aliás, mais ou menos diretamente, a todos os abrantinos.

Sem outros ruídos, sem segundos objetivos, sem folclore. Fazer o que deve ser feito por qualquer organização desportiva liderada com coragem, guiada pelos princípios corretos e orientada para os interesses dos seus integrantes.

Por seu turno, a Federação Portuguesa de Canoagem (FPC) deu um espetáculo deprimente. Fez e mostrou ser o contrário do que acabei de referir.

Não é sequer necessário recuperar o histórico de disputas entre diversos atletas federados na FPC e esta sua federação ao longo dos últimos anos. Basta atentar no que disse esta entidade, na pessoa do seu presidente, a propósito deste tema.

Apenas após o caso rebentar na comunicação social, e em resposta às acusações de que esta federação foi alvo, por exemplo, por parte do causídico Pedro Nascimento, que a acusou de ter deixado esta sua atleta de proa sem apoio “técnico, jurídico ou sequer institucional”, é que o presidente achou por bem defender a ação da FPC.

Repito – o presidente da FPC apenas considerou relevante defender a ação da FPC neste caso. Nunca a sua atleta.

Muito menos apoiá-la, por exemplo, custeando as análises forenses necessárias para comprovar a proveniência da substância detetada; algo que, segundo se sabe, custaria cerca de 20.000€.

Um valor demasiado elevado? Para a atleta, seguramente sim. Para o Clube Desportivo “Os Patos”, sem dúvida. Para uma federação que recebe anualmente mais de 1,2 milhões de euros de financiamento público[1]? Deixo à consideração do leitor.

Disse a federação, nessa sua resposta às críticas que lhe foram endereçadas, que estava “disponível para ajudar no que fosse necessário” – aquela famosa frase que usamos quando não estamos minimamente implicados com o assunto em questão nem estamos dispostos a mexer uma palha para ajudar.

Uma vez mais, parabéns aos Patos por mostrarem a uma Federação nacional, financiada em grande medida pelos contribuintes portugueses, como se faz a mais elementar das tarefas de toda e qualquer organização que tenha atletas afetos: defendê-los até ao limite das suas possibilidades.

Honrando a tradição judaico-cristã: parabéns a David por ter batido Golias aos pontos.


[1] Consultar página 23 do Relatório de Atividades da Federação Portuguesa de Canoagem (edição de 2023): https://www.fpcanoagem.pt/uploads/docs/AFederacao/relatoriosContas/FPC.RelatorioAtividades2023_Vfinal_compressed.pdf

Rossiense e Abrantino, tem 33 anos. Nascido e criado no Fojo, o lugar rossiense das três ruas paralelas que é porta de entrada para a floresta encantada que triangula com a Concavada e com São Facundo. Apaixonado por viagens, cultura e associativismo. Viciado em conhecimento: como eterno aluno mas, também, mais recentemente, no papel de docente e formador. Licenciado em Relações Internacionais, Pós-Graduado em Economia e em Negócios Internacionais, Mestre em Gestão (Estratégia e Internacionalização), está atualmente a terminar o MBA na Prague University of Economics and Business (Praga, República Checa).
Diretor Comercial e de Marketing, é um gestor experiente, especializado em estratégia e internacionalização de empresas, com projetos desenvolvidos na Europa, América Latina e Médio Oriente.

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2 Comments

  1. Sempre a mencionarem a prova internacional como menor 🤣🤣 é para tentarem justificar o positivo? Se acusou positivo é por que estava, simples. Só porque é a Francisca é que é negativo?

  2. Ainda bem que não usaram dinheiro público para defender uma pessoa. Onde há fumo, há fogo.

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