“A Mitsubishi Fuso e a Hino integrar-se-ão em pé de igualdade e cooperarão nos domínios do desenvolvimento, aquisição e produção de veículos comerciais”, indicou, salientando que o objetivo é que “a nova sociedade ‘holding’ cotada em bolsa inicie as suas atividades em abril de 2026”.
A Daimler Truck e a Toyota querem deter, cada uma, 25% da sociedade holding da Mitsubishi Fuso e da Hino integradas, salientaram ainda, sendo que a intenção é cotar a ‘holding’ na bolsa de Tóquio.

A sociedade terá como presidente executivo (CEO) Karl Deppen e a sede será localizada em Tóquio, no Japão. A Fuso conta com uma unidade em Portugal, no Tramagal.
“Ao integrar a Mitsubishi Fuso e a Hino Motors, as empresas pretendem melhorar a eficiência empresarial em áreas como o desenvolvimento, o aprovisionamento e a produção”, lê-se na mesma nota, sendo que, com isto, “esperam aumentar significativamente a competitividade dos fabricantes japoneses de veículos comerciais e reforçar as bases da indústria automóvel no Japão e na Ásia”.

As empresas preveem que “nos próximos meses sejam anunciados mais pormenores sobre o âmbito e a natureza da colaboração”, incluindo o nome da nova ‘holding’.
A operação está pendente da aprovação dos conselhos de administração, dos acionistas e das autoridades competentes.
MFTE com mais de 400 trabalhadores produz em Tramagal modelos Canter e eCanter
A Mitsubishi Fuso Truck Europe empregava em janeiro deste ano 423 trabalhadores e fechou 2024 com uma produção a rondar as 7.700 unidades dos modelos Canter e eCanter (contra 12 mil unidades em 2023), e uma faturação na ordem dos 200 milhões de euros (ME), abaixo dos 334 ME registados em 2023.
Em declarações à Lusa, fonte oficial da MFTE precisou, em 2024, que a fábrica do Tramagal, que funciona como centro de produção da FUSO Canter e eCanter para os mercados europeus, registou em 2023 um volume de negócios de 334 milhões de euros (270 milhões de euros em 2022) e 12.075 unidades produzidas (cerca de 10 mil em 2022), sendo França, Itália, Alemanha e Espanha os “principais mercados”, a par de Marrocos, que hoje se mantêm.
Inaugurada em 1964, “a fábrica da FUSO é atualmente um dos maiores empregadores da região e o terceiro maior fabricante automóvel em Portugal”, indicou a mesma fonte.

A unidade fabril do Tramagal foi fundada em 1964 através de uma ‘joint-venture’ entre a empresa familiar portuguesa Duarte Ferreira e o antigo fabricante francês de camiões Berliet.
A MFTE, empresa do grupo Daimler Truck, resultado da divisão do grupo Daimler, “é a líder mundial no mercado de pesados” e engloba sete marcas: Mercedes-Benz, FUSO, Setra, BharatBenz, Freightliner, Western Star e Thomas Built Buses.
“Atraso” na fusão da Mitsubishi Fuso e da Hino Motors atirou processo para 2025
O fabricante alemão de camiões Daimler Truck confirmou em outubro de 2024 “um “atraso” no processo de fusão da Mitsubishi Fuso, sua filial, e da Hino Motors, filial do fabricante japonês de automóveis Toyota, cuja conclusão estava prevista até final do ano. A fonte da Daimler e MFTBC disse ainda na ocasião que “a fábrica do Tramagal irá operar de acordo com o plano de negócios para 2025”.
“Embora o Acordo Definitivo para a fusão da MFTBC e da Hino estivesse previsto ser assinado até ao final de março de 2024 e a integração concluída até ao final de 2024, o processo de obtenção das autorizações e aprovações regulatórias necessárias ao abrigo da concorrência e de outras leis e regulamentos, bem como as investigações pendentes relacionadas com questões de certificação de motores da Hino, ainda estão em curso. Como tal, o calendário original foi alargado”, disse à Lusa fonte oficial da Daimler Truck Asia e da Mitsubishi Truck and Bus Corporation (MTBC), em resposta a um pedido escrito de esclarecimentos.
A Toyota, dona dos camiões Hino, e a Daimler, proprietária dos Fuso, que os alemães adquiriram à Mitsubishi e que possui uma fábrica em Portugal, em Tramagal (Abrantes), anunciaram em 30 de maio de 2023 a conclusão de um memorando de entendimento para fundir as duas marcas numa entidade única destinada à conceção e produção de veículos comerciais ligeiros e pesados, de camiões a autocarros, processo que se mantém, segundo a fonte oficial da Daimler e MTBC, mas com um “atraso” no calendário inicialmente previsto, e anunciado em 2023, que apontava para a sua conclusão até final de 2024.
“Uma vez que as negociações estão em curso, nenhum detalhe adicional sobre este tópico pode ser revelado neste momento”, pode ler-se na resposta enviada à Lusa, em outubro, tendo a empresa confirmado que, “a 30 de maio de 2023, a Daimler Truck, a Mitsubishi Fuso, a Hino e a Toyota concluíram um memorando de entendimento sobre a aceleração do desenvolvimento de tecnologias avançadas e a fusão da Mitsubishi Fuso e da Hino Motors”.
As “investigações pendentes relacionadas com questões de certificação de motores da Hino”, invocadas pela fonte oficial da Daimler e MBTC estão relacionadas com o facto de, nos últimos anos, terem sido divulgadas irregularidades nos testes de certificação de veículos para o mercado japonês no seio do grupo Toyota, primeiro em algumas das filiais (Hino Motors, Daihatsu, Toyota Industries) e, desde o início de junho de 2024, na própria Toyota.
Questionado sobre se o processo negocial que envolve a Daimler Truck e a Toyota para a fusão das suas controladas, MFTBC e Hino Motors, iria ter impactos na fábrica da Fuso em Portugal, a fonte da Daimler e MFTBC disse que “a fábrica do Tramagal irá operar de acordo com o plano de negócios para 2025”.
“Tal como em qualquer outro ano, faremos os ajustes necessários para melhor servir os nossos clientes”, declarou.
No processo de fusão em curso, e em comunicado conjunto, as duas empresas referiram em 2023 que as atividades da MTBC e da Hino Motors concentrar-se-ão numa única empresa, com a nova ‘joint-venture’ a concentrar-se no que denomina tecnologias CASE, de Connected-Autonomous-Shared-Electric.
Na ocasião, o CEO da Toyota, Koji Sato, avançou que o objetivo é “trabalhar juntos e partilhar uma estratégia rumo à neutralidade”, com o seu homólogo da Daimler, Martin Daum, a afirmar que “este é um passo crucial para conseguir que o futuro com emissões zero funcione em termos económicos”.
Martin Daum disse ainda que o hidrogénio é incontornável nesta indústria, pelo que a nova empresa irá “trabalhar nos futuros camiões e autocarros com zero emissões”, tendo feito notar que “o hidrogénio está mais adaptado às necessidades dos veículos comerciais do que os enormes packs de baterias”.

No comunicado conjunto, é também referido que ambas as empresas terão uma participação igual no capital da nova sociedade e que esta será cotada no segmento Prime Market da Bolsa de Valores de Tóquio.
A nota divulgada esclarece ainda que a nova empresa terá acesso à tecnologia dos camiões pesados da Daimler Trucks Technologie.
c/LUSA

Quando será que acabam com as gorduras e fecham a fábrica em Abrantes (Tramagal)? Neste tipo de fusões faz todo o sentido fechar o máximo de infra-estrutura redundante e concentrar ao máximo, para dar o máximo de retorno aos accionistas. Não faria sentido uma união deste género se não fosse para reduzir os custos ao máximo e maximizar os rendimentos.
Provavelmente centralizar a produção na Alemanha ou outro país próximo (mais barato) para estar mais próximo dos grandes mercados.