Maia de 53 mil mortos, dos quais 15 mil são crianças; 430 trabalhadores humanitários mortos, 305 dos quais eram da ONU; mais de 1400 profissionais de saúde e 213 jornalistas mortos. Estes não são os únicos números que ilustram o genocídio em curso perpetrado por Israel. Estes são os números daqueles a quem foi colocado o ponto final nas suas vidas. Como se esses dados não bastassem, para que a procrastinação da empatia activa cessasse, ainda podemos trazer à tona mais estatísticas para melhor descrever os crimes horrendos do sionismo, com a cumplicidade dos EUA e UE, entre outros.
Mais de 119 mil feridos e milhares de desaparecidos. 100% da população de Gaza (2,1 milhões de pessoas) está em Situação de Insegurança Alimentar Aguda (situação de crise ou superior), sendo que 22% está na fase mais elevada, designada “Catastrófica”. 65% da população recebe menos de 6 litros de água por dia, por pessoa, para beber e cozinhar (abaixo dos mínimos de emergência).
Acima de 92% das crianças até 2 anos (onde anda a empatia pelos bebés, que enche a boca de tanto (falso) moralista?), mulheres grávidas e lactantes estão subnutridas. As mais variadas infraestruturas estão completamente destruídas. A única unidade hospitalar de tratamento do cancro foi destruída.
Não param os bombardeamentos israelitas a hospitais e campos de tendas de refugiados – inclusive na Cisjordânia, onde não há reféns do Hamas (o pretexto para o genocídio em curso), Israel forçou 42 mil pessoas a sair de 3 campos de refugiados, tendo depois destruído as respectivas infraestruturas civis. Destruição atrás de destruição!
Estamos a assistir a um genocídio em directo. Como é que, perante tudo isto, a nossa vida continua, como se nada fosse? Onde estão as vozes de indignação que, quando vêem um carro mal estacionado, fazem juras de justiça pelas próprias mãos? Onde está aquela raiva que leva a entoar pragas ferozes a todas as gerações descendentes e ascendentes de quem passa à frente na fila do supermercado?
Canaliza-se mal a raiva, disso já se sabe. Também é bem conhecido que se aponta para o lado errado a indignação das injustiças que assola a maioria – o do lado está debaixo de mira, em vez de se exigir mais e melhor a quem está acima a colocar o jugo. Mas porra! (Perdoem-me a expressão que a situação exige). Os números acima mencionados não dizem nada? É uma realidade tão distante assim? Assiste-se a uma chacina na televisão como quem assiste a um filme de Hollywood? O que falta para que saíamos todos do sofá e exigir ao Governo Português que reconheça o Estado da Palestina?
Há quem saia. No entanto, precisamos de ser muitos mais! É necessário dar força a quem defende a Paz nas instituições, é necessário pressionar os governos para tomarem decisões que encaminhem uma solução – desde logo condenando veementemente os crimes de Israel.
Se, no diz 18 de Maio (nas Eleições Legislativas de 2025), não se pensou nisso, dando-se uma maioria de votos à direita, propagandista da moral e dos bons costumes (moral usada somente para controlo das massas, uma moral que encapota um profundo desprezo pelos povos, começando pelo português), que os números e as imagens façam agir doravante, para desmascarar a hipocrisia: exija-se Paz!
Exigir Paz não é um discurso desprovido de conteúdo, como muitos fazem por transparecer. (Exigir Paz é pugnar pela tomada de decisões políticas concretas, em função de soluções diplomáticas: que respeitem as votações das Assembleias Gerais da ONU, a Carta das Nações Unidas, a Acta Final da Conferência de Helsínquia, decisões que vão ao encontro dos mais basilares Direitos Humanos.)
No futuro, este período histórico será julgado a partir destes acontecimentos, e a nossa passividade estará no banco dos réus. Por isso, digo que a salvação da nossa humanidade e do futuro da própria Humanidade depende da Liberdade da Palestina, depende do trabalho para que essa seja atingida – é uma escolha activa acerca do mundo em que queremos viver.
