Desde a última sexta-feira, dia 20 de janeiro, os E.U.A. têm o seu 45º presidente, o inimaginável Donald Trump. A sua eleição não era esperada, mas acabou por se tornar inevitável, num mundo de pós verdades das redes sociais, mesmo que sejam mentira são sempre verdade para quem as lê. Todos somos culpados e responsáveis.
Escolho para título deste artigo o nome de uma obra central da História do Pensamento Político do francês Alexis de Tocqueville, e em que, nessa obra de 1835, o sistema político eleitoral americano é elogiado, tendo como contraponto o sistema político francês. O republicano Trump foi o vencedor das presidenciais tendo em conta o sistema político, trazendo atrás de si uma América esquecida. Enquanto isso, os grandes centros urbanos, a comunidade científica e a elite cultural votaram em massa na candidata derrotada. O que falhou? A incapacidade de fazer passar a mensagem e as dificuldades de combater o populismo estão certamente entre os motivos.
A campanha e o discurso do atual Presidente americano são extremamente preocupantes, têm como mote o isolamento, a xenofobia, a homofobia e a profunda incapacidade de compreender os desafios ambientais a nível mundial. Na Europa ficamos chocados, mas será que nas nossas fronteiras temos feito tudo para evitar a vitória da demagogia e do extremismo? Obviamente que não.
Como demonstra a História, não é o facto de um líder político ser eleito democraticamente que evita os seus perigos e abusos. Estamos a tempo de evitar na Europa o efeito Marie Le Pen e outros fenómenos. Seremos capazes? Ou continuaremos alegremente a acreditar na realidade imediata das pós-verdades do Facebok? O futuro o dirá!
