Entroncamento, cidade ferroviária, vai acolher um curso profissional superior na área da manutenção de sistemas ferroviários. Fotografia: Arlindo Homem

O Entroncamento, através de uma parceria entre o município com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Escola Profissional Gustave Eiffel, vai acolher um Curso Técnico Superior Profissional (cTeSP) de Manutenção e Reabilitação de Sistemas Ferroviários, uma oferta inovadora a nível nacional e que foi apresentada no Centro Cultural do Entroncamento no dia 27 de julho.

Entre as saídas profissionais possíveis com este curso estão os empregos relacionados com o setor da manutenção e reparação de equipamentos ferroviários, da edificação e manutenção de estruturas ferroviárias, projeto e desenvolvimento de sistemas ferroviários ou de inspeção e acreditação, metrologia ou sinalização relacionadas com a ferrovia.

Anfitrião da sessão, Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, referiu que esta é uma área onde há muita dificuldade em encontrar técnicos qualificados, afirmando também que os investimentos que estão a ser realizados na região – por empresas como a Medway, GMF ou a CP – vão fazer com que “todos os formandos que concluam este curso tenham emprego garantido”.

Carlos Rente (coordenador cTeSP), João Coroado (presidente IPT), Jorge Faria (presidente CM Entroncamento) e Irene Guedes (diretora Escola Profissional Gustave Eiffel) foram os responsáveis pela apresentação pública desta nova oferta formativa. Foto: mediotejo.net

“Eu não estou a dizer que vou garantir emprego a essas pessoas, porque a Câmara não tem esse papel. Mas a dinâmica de investimento e de desenvolvimento em termos de manutenção ferroviária que tem vindo a ser criada vai permitir absorver todos os formandos deste curso, e por isso é muito importante que possamos ter candidatos para frequentarem este cursos”, clarificou o autarca.

ÁUDIO | Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento

Também João Coroado, presidente do IPT, referiu que existe muita oferta de trabalho nas áreas tecnológicas, pelo que disse poder “quase garantir” que todos os formandos terão empregabilidade no final do curso.

ÁUDIO | João Coroado, presidente do IPT

“A nossa dificuldade não é colocar os estudantes, os profissionais, no mercado de trabalho, a nossa dificuldade é que os estudantes procurem formação superior para complementarem as suas competências, os seus conhecimentos, e eu até diria para aumentarem a sua qualidade de vida, porque por este caminho é seguro que a sua qualidade de vida será efetivamente melhor, quando se comparam com os estudantes que ficam pelo ensino obrigatório”, afirmou o docente.

Irene Guedes, diretora da Escola Profissional Gustave Eiffel, ressalvou que o trabalho da escola sempre foi o ensino profissional e profissionalizante, algo que não é “estanque”, mas que vai sendo alterado de forma a ir ao encontro das necessidades reais do mercado de trabalho, tendo ainda realçando o contributo e colaboração da CP na constituição do curso.

ÁUDIO | Irene Guedes, diretora da Escola Profissional Gustave Eiffel

No plano de estudos constam unidades curriculares como matemática e física aplicada, sistema ferroviário, geologia de engenharia, eletrotecnia, segurança, máquinas elétricas, desenho, topografia e técnicas de levantamento digitais, sistemas de comunicações ferroviárias, entre outras, além de formação em contexto de trabalho.

Carlos Rente, coordenador deste cTeSP e que apresentou o curso, relembrou que o mesmo permite o prosseguimento de estudos para áreas muito distintas, como a engenharia civil, engenharia eletrotécnica, engenharia mecânica ou engenharia informática, “tudo matérias que são aprofundadas neste curso e que são possíveis saídas para os alunos prosseguirem os seus estudos”, tendo o mesmo revelado que está a ser equacionado o desafio de se criar uma licenciatura em engenharia ferroviária.

ÁUDIO | Carlos Rente, coordenador do cTeSP

As inscrições estão abertas e todos os interessados podem obter mais informações em www.ctesp.pt .

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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3 Comentários

  1. O nome do curso no meu entender, seria:
    Curso de Manutenção Reabilitação de Material Circulante Ferroviário, acho mais incisivo.
    Depois a estrutura do curso deve seguir duas vertentes; A puramente teórica, lecionada por técnicos licenciados nas respectivas áreas. Quanto aos conhecimentos práticos,deveriam Sr ministrados por técnicos práticos profissionais, oriundos das oficinas com conhecimentos nas respectivas áreas.
    Como exemplos: Desenho de máquinas e leitura de esquemas eléctricos e electrónicos, Tecnologia eléctrica e máquinas rotativas, Tecnologia mecânica e resistência dos materiais, Sistemas de rolamento e suspensão, sistemas de tracção ferroviária, mecânica, diesel, diesel-elèctrica e eléctrica.
    Tecnologia e sistemas pneumáticos
    Tecnologia e sistemas hidráulicos
    Máquinas Ferramentas
    Higiene Saúde Conforto
    Etc Etc.

  2. Peço desculpa por expor demasiado.
    Mas, só na área da tracção ferroviária, temos
    Tracção mecânica, tracção hidráulica e tração eléctrica cuja fonte da alimentação pode ser um dínamo (gerador de corrente contínua). Pode ser de um alternador (gerador de corrente alternada) ou da catenária, uma alimentação monofásica de 25 Kv
    Dentro da tração eléctrica temos:
    Motores de corrente contínua
    Motores de corrente alternada trifásica, oriunda de conversores que convertem corrente monofásica em corrente trifásica de frequência variável para alimentar os motores de tracção trifásicos
    Etc.Etc.

    Dito isto, gostava de ter participado na estrutura do curso

  3. Peço desculpa aos responsáveis por este projecto, por me darem a oportunidade de expressar a minha opinião.
    Depois de ler a publicação da apresentação do curso, “e espero não escorregar na interpretação da escrita” percebi que a intenção é dotar pessoas de conhecimentos técnicos, que lhes permita arranjar emprego nas oficinas ou fora delas em actividades que se relacionem com a conservação dos comboios, e seus afins.
    Eu participei na feitura do projeto de um curso que visava transmitir conhecimentos técnicos básicos a ex-alunos do décimo segundo ano, com vista a inegrá-los em equipas, cujo fim era melhorar a qualidade da manutenção e reparação do material circulante ferroviário.
    Todavia deveriam conhecer toda a estrutura que envolve as infraestruturas necessárias, para que os combóios circulem em segurança, (tipos e elementos da via férrea, catenária, subestações, etc.)
    Fiquei com a ideia de que o fim em vista, culminava numa licenciatura ferroviária, acho que esse não deverá ser o caminho.
    Serão bem vindos licenciados em organização e gestão de Empresas, porque sobre combóios, só se aprende nas oficinas com os problemas do dia a dia, coadjuvado com os tais técnicos que fazem falta, e são necessários, executantes das tarefas.
    Não sei se fui claro, mas esta é a realidade !… é o meu ponto de vista.

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