Sardoal recebeu o fórum de abertura do Projeto Dentes de Leão. Tratou-se de um primeiro encontro entre jovens, artistas, agentes culturais e parceiros. Créditos: Nuno Direitinho

O projeto Dentes de Leão teve início em janeiro de 2022 com o Fórum de Abertura — um encontro entre jovens, artistas, mediadores, investigadores e equipa. Desde então, todas as semanas, decorrem Encontros de Jovens em Sardoal, Lisboa e Évora, com o objetivo de um envolvimento continuado em processos de cocriação e de co-curadoria que contribuem para o alargamento de referências e para o aprofundamento de hábitos de fruição.

Por sua vez, os artistas do projeto desenvolveram propostas de criação com o apoio dos grupos de jovens e frequentaram laboratórios e residências artísticas, ao longo de 2022. Em simultâneo, o Curso de Artes Participativas — Campo Aberto criou a oportunidade para profissionais da cultura e interessados trocarem perspectivas sobre práticas artísticas e as suas relações com as comunidades.

Em outubro de 2022, o Ciclo de Artes Participativas, que decorreu no Sardoal e em Évora, permitiu partilhar, com diferentes públicos, alguns dos resultados do projeto, nomeadamente, os cinco projetos desenvolvidos nos últimos meses – em espera, Dentes de Leitão, Linha de Terra, Oferta, Pareidolia.

Em janeiro de 2023, o projeto ruma a Lisboa para um momento de reflexão e partilha. No Fórum Dentes de Leão expõem-se alguns resultados da investigação levada a cabo pelos parceiros académicos (OsloMet, IHA e ICNova), que se apresentam numa conferência internacional pública. Convidados nacionais e internacionais, entre eles Pascal Gielen, discutem questões relativas aos processos e práticas nas artes participativas.

Uma publicação com o resultado da investigação participante ficará disponível em março de 2023.

O projeto Dentes de Leão é concebido pela Materiais Diversos (Lisboa), a Pó de Vir a Ser (Évora) e a Culturgest (Lisboa), em colaboração com a Academy of the Senses (Reykjavik), o Município de Sardoal, o Município de Évora, a OsloMet (Oslo), o Instituto de História da Arte e o Instituto de Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Universidade de Évora e a Assimagra.

PROGRAMA

Conferência Internacional | Ativar a participação nas artes

21 JAN * 14h30 — 19h30
Pequeno Auditório

M/12 | Organização: Bruno Marques (IHA/NOVA FCSH), Cláudia Madeira (ICNOVA/ NOVA FCSH), Cristina Pratas Cruzeiro (IHA/NOVA FCSH)


14h50
COMMONING CULTURES AS A PARTICIPATORY PRACTICE
— Pascal Gielen
Moderação: Cláudia Madeira, Cristina Pratas Cruzeiro e Bruno Marques


16h35
SINGULARIDADE E PARTILHA NA PRÁTICA ARTÍSTICA PARTICIPATIVA
— Rui Gomes
Moderação: Cláudia Madeira, Cristina Pratas Cruzeiro e Bruno Marques


17h40
PODER E REBELDIA NO CONTEXTO DAS PRÁTICAS PARTICIPATIVAS
— Dagny Stuedahl
Moderação: Cláudia Madeira, Cristina Pratas Cruzeiro e Bruno Marques


18h40
DENTES DE LEÃO: DO PROJECTO À(S) PARTICIPAÇÃO(ÇÕES)
— Cláudia Madeira, Cristina Pratas Cruzeiro e Bruno Marques

Apresentação de projetos artísticos

21 JAN


15h00 * Sala 6
PAREIDOLIA
M/12 | 45 pax. | 120 min.
inclui conversa sobre o projeto


19h30 * Sala 1
LINHA DE TERRA
M/6 | 15 pax | 90 min.


19h30 * Sala 5
EM ESPERA
Dinâmica sobre o processo de criação da peça
M/6 | 30 pax | 45 min. | a instalação está também disponível
das 11h às 19h para um visitante de cada vez

22 JAN


11h00 * Foyer Pequeno Auditório
OFERTA
Dinâmica sobre o processo de criação da peça
M/6 | 45 pax | 45 min.


11h00 * Sala 6
PAREIDOLIA
M/12 | 45 pax. | 120 min.
inclui conversa sobre o projeto


15h00 * Sala 5
EM ESPERA
Atividade para crianças acompanhadas por adultos
M/6 | 30 pax | 60 min. | a instalação está também disponível
das 11h às 19h para um visitante de cada vez


16h00 * Sala 1
LINHA DE TERRA
M/6 | 15 pax | 120 min.

ORADORES

Bruno Marques
Investigador contratado no Instituto de História da Arte da NOVA FCSH. Professor Auxiliar Convidado na NOVA FSCH (2016-2022). Autor dos livros Cartas fora do Baralho: os retratos imaginados de Costa Pinheiro (2020) e Mulheres do Século XVIII. Os Retratos (2006). Coordenou os volumes Sobre Julião Sarmento (2012) e Arte & Erotismo (2012). Assinou vários artigos em revistas académicas internacionais. Atualmente é PI, do seed-project Confissões de género. Autorretratos de artistas e escritoras portuguesas no pós-25 de Abril. A sua investigação explora tópicos como os das políticas da identidade, retratística e autorrepresentação na arte contemporânea numa perspetiva feminista, queer e pós-colonial.

Cláudia Madeira
Professora Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa e investigadora integrada no ICNOVA onde é vice-coordenadora da linha Performance & Cognição. Realizou o pós-doutoramento intitulado Arte Social. Arte Performativa? (2009-2012) e doutoramento em Sociologia sobre Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (2007) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. É autora dos livros Arte da Performance Made in Portugal (ICNOVA 2020), Híbrido. Do Mito ao Paradigma Invasor? (Mundos Sociais, 2010) e Novos Notáveis: Os Programadores Culturais (Celta, 2002). Escreveu vários artigos
sobre novas formas de hibridismo, performance e performatividade e participação nas artes. Leciona no Departamento de Ciências da Comunicação na NOVA FCSH, dando aulas de “Teorias do Drama e do Espetáculo” na licenciatura e “Metamorfoses do Espetáculo” e “Programação de Artes Cénicas” nos mestrados de Artes Cénicas e Ciências da Comunicação
.

Cristina Pratas Cruzeiro
Cristina Pratas Cruzeiro é Investigadora Auxiliar no Instituto de História da Arte, Universidade NOVA de Lisboa. Concluiu o Doutoramento em 2014 na especialidade de Ciências da Arte (Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa) e entre 2017 e 2022 desenvolveu o projeto de Pós-Doutoramento intitulado Colaboração e Colisão: Intervenção pública e política da arte, no Instituto de História da Arte, Universidade NOVA de Lisboa. O Doutoramento e o Pós-Doutoramento foram financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A sua investigação centra-se na relação das práticas artísticas com a sociedade em diferentes perspetivas, com especial enfoque para a articulação com a política.

Pascal Gielen
Pascal Gielen é escritor e professor titular de Sociologia da Cultura e Política no Antwerp Research Institute for the Arts (ARIA), na Universidade da Antuérpia, onde lidera o grupo de pesquisa Culture Commons Quest Office (CCQO). Gielen é editor da série internacional de livros Antennae – Arts in Society (Valiz). Em 2016, foi laureado com a bolsa Odysseus Grant pela excelência da sua investigação no âmbito do Fundo para a Pesquisa Científica da Flandres (Fonds Wetenschappelijk Onderzoek – Vlaanderen). Em 2022 foi nomeado pelo Governo Flamengo como curador do Culture Talks. Gielen publicou inúmeros livros sobre arte, cultura, política cultural, bens comuns e ação civil.

Rui Telmo Gomes
Doutorado em Sociologia (2013, Iscte-Instituto Universitário de Lisboa) e investigador integrado do CIES-Iscte. Recentemente tem desenvolvido e participado em diferentes projetos de investigação nos domínios da sociologia da arte e cultura, privilegiando temas como: arte comunitária e associativismo juvenil; processos artísticos participativos; novas profissões artísticas e do setor criativo: políticas culturais para as artes; práticas e consumos culturais. É membro da secção temática “Arte, Cultura e Comunicação” da Associação Portuguesa de Sociologia (APS) e da rede RN02 – “Sociologia das Artes” da Associação Europeia de Sociologia (ESA). Integrou a equipa de investigação do Observatório das Atividades Culturais enquanto coordenador de projetos, editor da revista OBS e membro da direção (1996-2013); integra a equipa do Observatório Português das Atividades Culturais (OPAC). Publicou recentemente o capítulo “Participação artística e capitais culturais” no volume Práticas Culturais dos Portugueses, coordenado por José Machado Pais e editado pela Fundação Gulbenkian.

PROJETOS ARTÍSTICOS

MOVIMENTO. INTERPRETAÇÃO. PARTICIPAÇÃO.
PAREIDOLIA
Pareidolia foi concebido a partir de um exercício coletivo de escrita criativa com jovens dos territórios do Sardoal, Lisboa e Évora, com o intuito de captar os múltiplos reflexos que um lugar tem na construção individual de cada pessoa. Propõe um jogo de leitura criativa de imagens através da palavra e do movimento, recorrendo à partilha da intuição, referências, experiências e conhecimentos individuais das pessoas que leem e interpretam.

PERFORMANCE. INSTALAÇÃO. INTERAÇÃO.
LINHA DE TERRA
Linha de Terra convida à germinação de possibilidades de nos religarmos à natureza. Responde a sugestões criativas dos jovens envolvidos no projeto e convoca, em idêntica medida, a participação das comunidades humanas e de alguns dos recursos naturais presentes ao longo do processo de criação. Dos cuidados com a germinação das sementes de laranjeira do Sardoal, aos cuidados com a germinação das ideias dos jovens, a peça conjuga e reinterpreta códigos sociais tão díspares quanto o convívio em torno da mesa ou a leitura das linhas da mão.

INSTALAÇÃO. SOM. INTERAÇÃO.
EM ESPERA
em espera começou com um processo coletivo de recolha de sons dos territórios de Évora, Lisboa e Sardoal. Concretiza-se sob a forma de uma cabine telefónica onde cada um pode criar paisagens sonoras a partir dos sons disponíveis. É um convite à descoberta através do estímulo sonoro que procura dar relevância e visibilidade aos sítios onde o projeto se desenvolveu tornando presente aquilo que habitualmente não se vê.

HAPPENING. MULTIDISCIPLINAR.
DENTES DE LEITÃO
Dentes de Leitão é uma plataforma de Artes Individuais que seleciona e promove artistas individualistas, com valores transcendentalistas, consagrados ou em início de carreira. Centra-se no pensamento e discussão sobre o papel da Arte na Sociedade de Rebanho. Inicialmente criado exclusivamente para artistas da Bairrada, este projeto abre-se agora além-fronteiras e convoca artistas nacionais e internacionais dedicados aos temas contemporâneos e em voga no seio das Artes Individuais.

ESCULTURA. INTERAÇÃO.
OFERTA
Oferta é um conjunto de esculturas elaboradas com recurso a materiais naturais reutilizados. Disso são exemplo a utilização de sobras da extração de pedra mármore do Alentejo e madeiras, como a de sobreiro, encontradas no Sardoal. Propõe-se como superfície de dádiva, ou de troca, de objetos e gestos convocando, nessa interação, a nossa atenção para a negociação implícita no ato de atribuir valor e capital simbólico aos objetos.

Através do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu (EEE), a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega são parceiros no mercado interno com os Estados-Membros da União Europeia. Como forma de promover um contínuo e equilibrado reforço das relações económicas e comerciais, as partes do Acordo do EEE estabeleceram um Mecanismo Financeiro plurianual, conhecido como EEA Grants.

Os EEA Grants têm como objetivos reduzir as disparidades sociais e económicas na Europa e reforçar as relações bilaterais entre estes três países e os países beneficiários. Para o período 2014-2021, foi acordada uma contribuição total de 2,8 mil milhões de euros para 15 países beneficiários. Portugal beneficiará de uma verba de 102,7 milhões de euros.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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