Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo volta a unir comunidades ribeirinhas. Foto: Imagem dos Avieiros em Mouriscas. Foto: mediotejo.net

O 10ª Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo iniciou no domingo, 26 de maio, em Tramagal, a quarta das 16 etapas em peregrinação fluvial com a imagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo por 69 localidades ribeirinhas, desde Espanha a Lisboa, e até 30 de junho. A iniciativa aproxima as populações do rio e é vivida intensamente, numa celebração da história, cultura e tradição.

Ao longo de cerca de 325 quilómetros pelo ‘Tejo ibérico’, segue um cortejo de embarcações tradicionais engalanadas, atracando em 69 locais, onde as comunidades ribeirinhas têm preparadas festividades de receção aos participantes, concluindo-se este trajeto fluvial em um mês e meio (18 de maio a 30 de junho).

O mediotejo.net esteve a acompanhar a peregrinação no Porto da Barca, em Tramagal, local que acolheu muitas dezenas de populares, a exemplo das localidades ribeirinhas por onde passa a comitiva com a imagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo. 

Foto: mediotejo.net

Cedo se começaram a juntar muitos populares no Porto da Barca que não deixaram de dizer presente à passagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo, dando um outro colorido ao espaço ribeirinho. O local, que tem beneficiado de investimentos continuados, apresenta-se limpo e convidativo à fruição e usufruto.

O calor humano também não faltou, com os populares, pescadores e a junta de freguesia de Tramagal a providenciarem comes e bebes para os convivas, onde não poderia faltar o peixe do rio, frito na hora, a que se juntaram escuteiros, associações e uma pequena cerimónia religiosa, enquanto alguns jovens pintavam o rio com as suas canoas.  

Rui Rodrigues, da Confraria do Tejo, não escondeu ao mediotejo.net a satisfação pela adesão das comunidades, tendo feito notar que a peregrinação continua em crescendo, ano após ano, num sinal de que as populações ribeirinhas se apropriaram do evento e este, por sua vez, tem cumprido a sua missão.

O X Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo/ IV Cruzeiro Ibérico do Tejo, em viagem pelo rio Tejo, com dezasseis etapas a cumprir em seis semanas, tem como objetivo principal ligar o rio Tejo desde Espanha, tendo como ponto de partida Rosmaninhal, na fronteira, até ao grande estuário do rio, em Oeiras.

Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo volta a unir comunidades ribeirinhas. Foto: Imagem dos Avieiros em Mouriscas. Foto: CIT

As primeiras 4 etapas da peregrinação fluvial com a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo foram cumpridas em dois fins de semana, tendo ligado, nos dias 18 e 19 de maio, o Rosmaninhal ao Alamal (Gavião) nos dias 18 e 19 de maio. No sábado, dia 25, a peregrinação partiu de Ortiga (Mação), na sua terceira etapa, percorrendo os municípios ribeirinhos de Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.

A 3ª etapa iniciou em Ortiga (09h00) no sábado, dia 25 de maio, rumo a Alvega (09h50), Mouriscas (11h30), Barca do Pego (15h30), Pego (16h30), Barreiras do Tejo (18h30) e Rossio ao Sul do Tejo (19h15).

A 4ª etapa arrancou no domingo, dia 26, com início em Tramagal (10h30), seguindo em direção a Rio de Moinhos (10h45), Amoreira (12h00), Constância (13h30), Praia do Ribatejo (15h15), Arripiado (17h30), e Tancos (18h00), finalizando em Vila Nova da Barquinha (20h15).

A 5ª etapa tem início na quinta-feira (feriado), dia 30 de maio, pelas 09h00, a partir de Vila Nova da Barquinha, seguindo para Pinheiro Grande (10h45), depois Porto das Mulheres – Chamusca (12h30) e Azinhaga (14h00). Segue rio abaixo até Oeiras.

Ao longo de cerca de 325 quilómetros pelo ‘Tejo ibérico’, segue um cortejo de embarcações tradicionais engalanadas, atracando em 69 locais, onde as comunidades ribeirinhas têm preparadas festividades de receção aos participantes, concluindo-se este trajeto fluvial em um mês e meio (18 de maio a 30 de junho).

O habitual Cruzeiro “de fé e afetos” segue rio abaixo numa peregrinação fluvial com cariz religioso mas também cultural, onde se aviva a memória da cultura avieira, transpondo barragens e açudes.

Entre as diversas paragens, surgem os ‘portos’ das comunidades ribeirinhas para adoração à Santa, onde as gentes preparam receções solenes, cerimónias e até missas de campo ou nas igrejas e capelas próximas do desembarque, tudo em louvor da padroeira.

Passagem do Cruzeiro Religioso da Senhora dos Avieiros e do Tejo junto a Alvega, em Abrantes. Foto arquivo: mediotejo.net

Rui Rodrigues, da Confraria Ibérica do Tejo, disse que esta é a mais longa das peregrinações até agora realizadas e com mais paragens, em 16 etapas, “dando força à identidade ribeirinha”, quer de portugueses, quer de espanhóis “que vivem nas margens e na bacia hidrográfica do Tejo”.

O Cruzeiro, constitui-se de um núcleo tradicional, realiza-se por embarcações típicas do Tejo, como o tradicional picoto e a bateira, que transportam a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, em peregrinação fluvial às comunidades ribeirinhas e às aldeias avieiras, nas margens do Tejo.

“Nós temos tido uma grande receção por parte das comunidades e temos sentido que o Cruzeiro tem ajudado muito as mesmas a projetarem-se, a darem valor, e, inclusivamente, a sentirem o Tejo de forma diferente”, destacou Rui Rodrigues.

Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo vai atracar em 69 localidades ribeirinhas ao longo de um mês e meio. Foto arquivo: Jorge Santiago

A peregrinação fluvial de caráter religioso, em nome da Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo, conta este ano com o apoio de municípios, juntas de freguesia e associações, num total de cerca de 160 entidades.

Foto: Jorge Santiago

Segundo Rui Rodrigues, também dirigente da ENVOLVE – Associação para o Desenvolvimento Local, de Rossio ao Sul do Tejo, durante as 16 etapas haverá “diversas paragens e pernoitas dos peregrinos em comunidades ribeirinhas ao longo do Tejo, com cerimónias religiosas e eventos culturais”, organizados pelas associações locais em parceria com as autarquias, agrupamentos de escolas, escuteiros e entidades privadas, num ambiente solene ou de festa em decisão que cabe a casa comunidade, sendo esta “uma das principais características” do cortejo fluvial.

“Nós pura e simplesmente consideramo-nos os transportadores da imagem e dos barcos. A festa e a forma de receber o Cruzeiro não é da nossa parte. São as comunidades locais que decidem a forma como se se recebe o Cruzeiro. É uma decisão própria, o que lhe confere, na realidade, uma dinâmica muito grande”, realçou, tendo destacado que Abrantes é o município com mais paragens e localidades ribeirinhas, tendo estado em Alvega, Mouriscas, Barca do Pego, Pego, Barreiras do Tejo, Rossio ao Sul do Tejo, Tramagal e Rio de Moinhos.

O Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo aponta a objetivos específicos, como o de “reforçar a identidade das comunidades, aproximando-as através da partilha cultural e religiosa, aproximar as comunidades do rio Tejo para usufruírem da sua riqueza”, e “transformar as comunidades ribeirinhas em elementos divulgadores das enormes potencialidades do rio na área do Turismo Sustentável e das Culturas a ele associadas”.

A Confraria Ibérica do Tejo é uma associação de caráter não reivindicativo e o X Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo IV Cruzeiro Ibérico do Tejo tem somente um caráter religioso e cultural.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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