Passaram dez meses desde a manifestação de alunos na Escola Dr. Manuel Fernandes onde nós, jovens, denunciámos os problemas técnicos que verificámos na nossa escola. Dez meses passaram e, lamentavelmente, tudo está na mesma. É verdade que no dia da manifestação, pela tarde, já era possível tomar banho em condições nos balneários; é verdade que este ano letivo foram contratados mais funcionários para o Agrupamento n°2 de Abrantes; no entanto, o que leva a direção da escola a suspender o pagamento da renda ao proprietário daquela que é a nossa escola?
A nossa escola, como é do conhecimento de todos, preza pela beleza arquitetónica. Contudo, deixa muito a desejar quanto ao fator técnico. As salas de aula são frias no inverno e demasiado luminosas quando o sol espreita por entre as nuvens, e não há condições para recorrer ao material audiovisual, quando ele é existente e funcional. Estamos em novembro e, já por duas vezes este mês, temos tomado banho, de novo, com água fria.
A direção reclama uma maior atenção por parte do proprietário dos edifícios em relação à manutenção dos problemas técnicos, decorrentes do uso diário por mais de 2000 pessoas. É lamentável chegarmos a este ponto num país onde as condições dos edifícios escolares sejam estas – e há outros casos bem piores por este Portugal dentro. Não deveria ser esta uma das principais apostas de qualquer governo? Um país onde os jovens têm acesso a uma educação digna e proveitosa será, no futuro, um país próspero e de gente empreendedora.
A nossa escola garante-nos um ensino de excelência e dá-nos acesso a tantas atividades extracurriculares que nos fazem olhar para a escola não como uma obrigação mas como algo mais. Esta forma de fazer os alunos gostarem de andar por aqueles corredores é invejada por muitos, que adorariam frequentar e ensinar numa escola como a minha. É precisamente esta harmonia entre toda a comunidade educativa, desde professores, a funcionários e alunos, que fazem da nossa escola mais do que um conjunto de edifícios: é um sítio onde a união entre todos prevalece.
Neste ano em que comemoramos o 50° aniversário do Liceu Nacional de Abrantes, tenho de dizer o quão sortudo sou por andar numa escola, que depois de tantos anos, e com um legado tão rico, continua a fazer história. Daqui a 50 anos será, certamente, relembrado o orgulho de todos por lutar por uma escola melhor. Quando se trata da educação, nada pode ser impossível.
