Fotos de fogo.
Lembrei-me desta musica de Sérgio Godinho que nos transporta para as memórias fotográficas da guerra colonial quando estava a tentar encontrar uma fotografia para esta crónica e a saber que Abrantes tem as chamas à porta.
Sem querer fazer algum paralelismo de causa/efeito, ou qualquer tipo de comparação, os incêndios não deixam de ser também, uma guerra.
Ora Sardoal, ora Mação, ora Constância, ora Abrantes, um de cada vez lá vai sendo consumada a guerra onde é impossível gritar “cessar fogo” durante o combate.
Aqui o grito tem de ser dado antes, muito antes.
É de lamentar que deixemos andar as coisas assim, sem estratégias, sem seriedade, sem decidir qualquer futuro independentemente do que pode estar ligado ao negócio disto ou daquilo.
Agora estamos aflitos e gritamos de dor e revolta, amanha esquecemos tudo, agarramos nas bandeiras de Portugal e gritamos Vivas pelo país que temos, quando a seleção de futebol entrar em campo.
(Fotografia captada ao inicio da noite de quinta-feira, dia 10 de agosto, em Abrantes e texto escrito na noite de sexta-feira, 11)

