Lembro-me de ouvir incansavelmente e em volumes generosos “Sultans of Swing” e “Lady Writer”, dos Dire Straits.
Passava lá um bocadinho praticamente todos os dias de aulas ao fim da tarde.
Era como que um portal para outra dimensão, para outra galáxia.
Eram as guitarras a tocar alto e a fazer fervilhar o sangue, a sede de aventura e o poder conduzir um daqueles carros nem que por uns minutos apenas.
Éramos novos e aquilo era a possibilidade de sermos rebeldes e poder conduzir um carro, coisa que estava apenas reservado aos adultos. E com acelerador e tudo. Nós é que comandávamos. E ali não havia regras e nem eram precisas. Não importava. O desafio de me imaginar a escapar de entre todos os que queriam ir contra mim já era emoção suficiente.
Hoje, revisito essas memórias através do reflexo das cores das luzes feéricas desse mundo de fantasia.
(fotografia – Abrantes, 25 de fevereiro de 2017)
