Esta fotografia estava aqui na calha para entrar como crónica, já lá vai algum tempo. Quando a fiz, pensei na multiplicidade de elementos que estão figurados e que podem levar às várias leituras que cada um pode fazer.
Eu vi a lua e todo o universo, as constelações, o espaço intangível, a sua influência na terra, nos signos, nas marés, o seu poder em fazer sonhar, vi o tangível, ou seja, o casario onde as pessoas vivem, vi os cabos de comunicações, de eletricidade, das coisas que usamos sem pensar e sem questionar, vi o ar, cheio de ondas de rádio e de sinais de internet, que todos usamos e que ninguém vê, vi a Igreja, lugar de fé e de esperança para os cristãos.
Tudo isto, de uma maneira ou de outra são apenas sinais, representações, em forma de fotografia que, eventualmente, só eu vejo.
O resto, cabe ao leitor ler, seja lá o que ele quiser, desde que leia. Mesmo não lendo nada.
Fotografia: Cabeça das Mós, setembro de 2023.
