Desde que iniciei estas crónicas em 2016 e, se não estou em erro, esta é a segunda vez que a fotografia não diz respeito diretamente ao território do Médio Tejo. No entanto diz respeito a todos nós. Tem a ver com Gaza e com as imagens e os relatos que nos chegam através dos jornalistas que ainda lá estão e que também já passam fome, apenas pelo dever da sua profissão e pela necessidade de reportar o que lá se passa.
E ninguém deve ficar indiferente ao ver, sobretudo as crianças, a morrer de fome, em nome de uma guerra que não é delas. As crianças estão a morrer à fome em Gaza, lentamente, aos olhos de todo o mundo.
Será que não podemos fazer mesmo nada para acabar com este estado de coisas? Sozinhos não mas em grupo talvez. Falo por exemplo das comunidades intermunicipais, das associações de municípios, dos municípios, das juntas de freguesia e outras entidades que nos representam, que também poderiam ter um papel mais ativo na defesa dos direitos das crianças e que não se ficassem por celebrar apenas o Dia da Criança no dia 1 de junho.
A fotografia é de uma exposição de instrumentos de tortura usados na Idade Média. Custa-me ver que em pleno século XXI hajam outras formas de tortura que sejam aceites, sobretudo com as crianças.
Fotografia: Exposição de Instrumentos de Tortura, Castro Marim, julho de 2025.
