Manuela à janela dos seus sonhos, em Tomar. Fotografia: Paulo Jorge de Sousa

Tomar, sábado, 8 de julho, dia do Desfile Parcial dos Tabuleiros. Choveu um pouco e eu tentava fotografar alguma coisa ligada com a chuva e a festa. Vi três senhoras com chapéus de chuva iguais e aproximei-me.

Estavam numa conversa à volta dos locais onde se podiam comer as famosas Fatias de Tomar. “Ali há de certeza, e são muito boas”, disse-lhes Manuela Redondo, de 81 anos, apontando para a pastelaria “Estrelas de Tomar”.

Manuela não é de Tomar, mas conhece “algumas coisas”, não tivesse passado parte da sua infância e juventude no colégio militar da cidade. Enquanto as amigas foram procurar as Fatias de Tomar, ia-me contando parte das suas aventuras desse tempo.

Contou-me que, quando estudava no Colégio, em Tomar, um dos seus sonhos – e que durou algum tempo a concretizar-se – foi precisamente conseguir entrar naquela pastelaria e sentar-se na última mesa, a que dá para a outra rua, “onde se pode ver as pessoas a passar”. Era como se dali conseguisse ver o mundo.

Um dia ganhou coragem e entrou. A mesa estava ocupada e sentou-se perto. A seguir a mesa ao lado ficou vazia e ela foi para essa mesa. Até que, por fim, a tal mesa de sonho ficou livre e ela nem aguentou um segundo: nem queria acreditar, afinal o sonho era real, dizia ela.

Diz que foi um momento mágico, tanto tempo a ganhar coragem e de repente estava ali, era mesmo a concretização de um sonho.

Contou, rindo, que o empregado de mesa foi ao pé dela e perguntou se ainda ia para mais alguma mesa… Tinha acompanhado tudo sem ela se aperceber.

Entretanto perguntei se podia contar esta sua história numa crónica e ela disse logo que sim. Faltava a fotografia. Foi logo ali na rua que a fizemos. Mas de repente perguntei se não queria ir comigo à tal mesa para eu fazer outra fotografia. Claro, disse ela de imediato, que aventura, vamos lá ver se a mesa está livre. Olhe, e eu vou reviver esse dia também, acrescentou ela.

E fomos. Mas a mesa estava ocupada com um casal vindos de Espanha, que tinha acabado de se sentar. Falámos com eles sobre esta história e eles foram muito amáveis e simpáticos e levantaram-se um minuto para podermos fazer a fotografia.

Manuela Redondo é natural de Lousã e reside em Caldas da Rainha. Acabou a escola em Tomar e cedo voltou para a sua terra, mas faz questão de voltar sempre para esta Festa. Fica sempre dois ou três dias. É uma festa muito bonita e mata saudades da sua infância ao mesmo tempo.

A conversa incluiu mais episódios, como aqueles em que, aos domingos, quando ela e as amigas iam para a missa e passavam perto do Café Paraíso, sem tirar os olhos de lá… era onde estavam os rapazes mais bonitos. Mas temos de ficar por aqui, que a crónica já vai longa.

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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1 Comentário

  1. Parabéns pela crónica, conheço bem essa menina, tem um coração generoso e amável. É e sempre será minha amiga que esta vida me deu. Bem haja .

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