Tomar, sábado, 8 de julho, dia do Desfile Parcial dos Tabuleiros. Choveu um pouco e eu tentava fotografar alguma coisa ligada com a chuva e a festa. Vi três senhoras com chapéus de chuva iguais e aproximei-me.
Estavam numa conversa à volta dos locais onde se podiam comer as famosas Fatias de Tomar. “Ali há de certeza, e são muito boas”, disse-lhes Manuela Redondo, de 81 anos, apontando para a pastelaria “Estrelas de Tomar”.
Manuela não é de Tomar, mas conhece “algumas coisas”, não tivesse passado parte da sua infância e juventude no colégio militar da cidade. Enquanto as amigas foram procurar as Fatias de Tomar, ia-me contando parte das suas aventuras desse tempo.
Contou-me que, quando estudava no Colégio, em Tomar, um dos seus sonhos – e que durou algum tempo a concretizar-se – foi precisamente conseguir entrar naquela pastelaria e sentar-se na última mesa, a que dá para a outra rua, “onde se pode ver as pessoas a passar”. Era como se dali conseguisse ver o mundo.
Um dia ganhou coragem e entrou. A mesa estava ocupada e sentou-se perto. A seguir a mesa ao lado ficou vazia e ela foi para essa mesa. Até que, por fim, a tal mesa de sonho ficou livre e ela nem aguentou um segundo: nem queria acreditar, afinal o sonho era real, dizia ela.
Diz que foi um momento mágico, tanto tempo a ganhar coragem e de repente estava ali, era mesmo a concretização de um sonho.
Contou, rindo, que o empregado de mesa foi ao pé dela e perguntou se ainda ia para mais alguma mesa… Tinha acompanhado tudo sem ela se aperceber.
Entretanto perguntei se podia contar esta sua história numa crónica e ela disse logo que sim. Faltava a fotografia. Foi logo ali na rua que a fizemos. Mas de repente perguntei se não queria ir comigo à tal mesa para eu fazer outra fotografia. Claro, disse ela de imediato, que aventura, vamos lá ver se a mesa está livre. Olhe, e eu vou reviver esse dia também, acrescentou ela.
E fomos. Mas a mesa estava ocupada com um casal vindos de Espanha, que tinha acabado de se sentar. Falámos com eles sobre esta história e eles foram muito amáveis e simpáticos e levantaram-se um minuto para podermos fazer a fotografia.
Manuela Redondo é natural de Lousã e reside em Caldas da Rainha. Acabou a escola em Tomar e cedo voltou para a sua terra, mas faz questão de voltar sempre para esta Festa. Fica sempre dois ou três dias. É uma festa muito bonita e mata saudades da sua infância ao mesmo tempo.
A conversa incluiu mais episódios, como aqueles em que, aos domingos, quando ela e as amigas iam para a missa e passavam perto do Café Paraíso, sem tirar os olhos de lá… era onde estavam os rapazes mais bonitos. Mas temos de ficar por aqui, que a crónica já vai longa.


Parabéns pela crónica, conheço bem essa menina, tem um coração generoso e amável. É e sempre será minha amiga que esta vida me deu. Bem haja .